Extinção em ABA: conceitos, fenômenos e aplicação clínica no TEA
Artigo desenvolvido para orientar profissionais, estudantes e famílias sobre a extinção na Análise do Comportamento Aplicada, fenômenos associados, aplicações clínicas e importância ética no tratamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
Autor: Márcio Gomes da Costa, Psicopedagogo, Especialista em Análise do Comportamento Aplicada, Neuropsicopedagogia e Psicomotricidade.
Data de publicação: 06 de junho de 2026.
Material base: Aula 8 do Módulo 3 – Extinção.
Resumo
A extinção é um procedimento fundamental da ABA que envolve a interrupção da consequência reforçadora que mantém um comportamento. Fenômenos como explosão de extinção e recuperação espontânea podem ocorrer, exigindo planejamento e consistência. A extinção não deve ser aplicada de forma isolada: sua eficácia aumenta quando combinada com reforçamento diferencial e ensino de comportamentos alternativos. Em crianças com TEA, esse procedimento ajuda a reduzir comportamentos inadequados, promovendo comunicação funcional, autonomia e participação social.
Resumo rápido
✔ Extinção: interrupção do reforço que mantém o comportamento.
✔ Explosão de extinção: aumento temporário da frequência ou intensidade.
✔ Recuperação espontânea: retorno temporário do comportamento.
✔ Reforçamento diferencial: reforço de comportamentos alternativos.
✔ Aplicação ética requer análise da função do comportamento e ensino paralelo de habilidades funcionais.
Conceito de extinção
Segundo Skinner (1953), a extinção ocorre quando um comportamento que produzia uma consequência reforçadora deixa de produzir essa consequência, diminuindo sua frequência ao longo do tempo. Diferente de punição ou ignorar comportamentos, a extinção envolve fundamentos científicos que requerem planejamento, monitoramento e aplicação ética.
A análise funcional permite identificar a função do comportamento antes da aplicação da extinção. Comportamentos mantidos por atenção, acesso a itens tangíveis, fuga ou reforço automático requerem estratégias distintas e individualizadas.
Quadro 1 – Conceitos fundamentais da extinção
| Conceito | Definição |
|---|---|
| Extinção | Interrupção da consequência reforçadora que mantém um comportamento. |
| Explosão de Extinção | Aumento temporário da frequência, intensidade ou duração do comportamento. |
| Recuperação Espontânea | Retorno temporário do comportamento após período de redução. |
| Reforçamento Diferencial | Reforçamento de comportamentos alternativos e mais adaptativos. |
Fonte: Skinner (1953), Lerman e Iwata (1995), Cooper, Heron e Heward (2020) .
Fenômenos associados à extinção
A explosão de extinção ocorre quando o comportamento aumenta temporariamente antes de diminuir, refletindo uma tentativa de recuperar o reforço perdido. A recuperação espontânea é a reemergência temporária do comportamento após períodos sem ocorrência. Ambos os fenômenos são naturais e esperados, devendo ser considerados no planejamento da intervenção.
A combinação da extinção com reforçamento diferencial é mais eficaz. Ao mesmo tempo que o comportamento indesejado deixa de ser reforçado, habilidades alternativas são ensinadas e reforçadas, garantindo aprendizado funcional e redução de respostas inadequadas.
Estudos de caso
Estudo de Caso 1 – Comportamento mantido por atenção
Uma criança de 7 anos apresentava gritos frequentes durante atividades escolares. A função identificada era atenção social. A intervenção consistiu em reforçar pedidos adequados e ignorar os gritos. Observou-se inicialmente explosão de extinção, seguida de redução significativa do comportamento.
Estudo de Caso 2 – Comportamento mantido por escape
Um adolescente de 12 anos com TEA empurrava materiais para escapar de tarefas. Extinção de fuga foi aplicada e foi ensinado a solicitar ajuda verbalmente. Após semanas, os pedidos aumentaram e comportamentos de fuga diminuíram.
Estudo de Caso 3 – Comportamento mantido por acesso a itens tangíveis
Uma criança de 6 anos apresentava crises quando negado acesso a um tablet. Extinção do acesso e ensino de tolerância à espera reduziram as crises gradualmente, mantendo comportamentos funcionais.
Quadro 2 – Comparação dos estudos de caso
| Caso | Função do Comportamento | Procedimento | Comportamento Alternativo | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Atenção | Extinção da atenção | Pedido adequado de interação | Redução dos gritos |
| 2 | Escape | Extinção de fuga | Solicitação de ajuda | Maior participação acadêmica |
| 3 | Acesso a item tangível | Extinção do acesso | Pedido funcional e tolerância à espera | Redução das crises |
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Referências
Catania, Charles A. Learning. 5. ed. Cornwall-on-Hudson: Sloan Publishing, 2013. DOI: 10.4324/9781315668121. Acesso em: 06 jun. 2026.
Cooper, John O.; Heron, Timothy E.; Heward, William L. Applied Behavior Analysis. 3. ed. Hoboken: Pearson, 2020.
Hanley, Gregory P.; Iwata, Brian A.; McCord, Bridget E. Functional analysis of problem behavior: A review. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 36, n. 2, p. 147-185, 2003. DOI: 10.1901/jaba.2003.36-147.
Iwata, Brian A. et al. Toward a functional analysis of self-injury. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 27, n. 2, p. 197-209, 1994. DOI: 10.1901/jaba.1994.27-197.
Lerman, Dorothea C.; Iwata, Brian A. Prevalence of the extinction burst and its attenuation during treatment. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 28, n. 1, p. 93-94, 1995. DOI: 10.1901/jaba.1995.28-93.
Skinner, Burrhus Frederic. Science and Human Behavior. New York: Macmillan, 1953.

