Operações Motivadoras em ABA: influenciando a aprendizagem e o comportamento
Artigo desenvolvido para profissionais, estudantes e famílias sobre operações motivadoras na Análise do Comportamento Aplicada, sua importância para reforçadores e punidores, e aplicações clínicas detalhadas no TEA.
Autor: Paula Armero da Cruz Costa, graduanda do 10º semestre de Psicologia e Assistente Terapêutica Líder em Clínica ABA.
Data de publicação: 06 de junho de 2026.
Material base: Aula 9 do Módulo 3 – Operações Motivadoras.
Resumo
As operações motivadoras (OMs) explicam como a motivação do indivíduo altera a eficácia de reforçadores e punidores em ABA. Elas são divididas em operações motivadoras estabelecedoras (MOEs) e abolidoras (MOAs), aumentando ou diminuindo o valor de um reforçador ou punidor, respectivamente. Compreender OMs permite selecionar reforçadores adequados, planejar intervenções individualizadas e garantir maior participação e aprendizado em crianças com TEA. Fenômenos como explosão de motivação e variação de eficácia reforçadora são previstos e aplicados de forma ética para promover aprendizagem funcional, manutenção de habilidades e generalização para ambientes naturais.
Palavras-chave: Operações Motivadoras; ABA; TEA; Reforçadores; Punição; Avaliação de preferências.
Resumo rápido
✔ Operações motivadoras alteram valor de reforçadores e punidores.
✔ MOEs aumentam motivação; MOAs diminuem.
✔ Avaliar reforçadores constantemente garante eficácia.
✔ Fenômenos naturais incluem explosão de motivação e recuperação.
✔ Fundamental para crianças com TEA e planejamento de ABA ético e funcional.
Estudos de caso detalhados
Estudo de Caso 1 – Reavaliação e ajuste de reforçadores
Lucas, 5 anos, diagnosticado com TEA, demonstrava baixo engajamento nas atividades de mesa com carrinhos como reforço. A equipe avaliou suas preferências utilizando uma matriz de reforçadores múltiplos e observou que ele respondia melhor a bolhas de sabão e estímulos visuais coloridos. A intervenção iniciou-se reforçando apenas as tentativas corretas de completar tarefas curtas, como empilhar blocos ou organizar cartas. Inicialmente, a criança apresentava pouca atenção, mas ao apresentar as bolhas como reforço após cada tentativa bem-sucedida, sua motivação aumentou rapidamente.
Após duas semanas de intervenção, Lucas começou a responder mais rapidamente às instruções, mostrando aumento de frequência de respostas corretas e maior participação. Para generalizar a motivação, a equipe introduziu variação de reforçadores, incluindo música curta, acesso a pequenos brinquedos e atividades de interação social. Observou-se que a criança começou a engajar-se em tarefas novas com menor necessidade de prompts, demonstrando que a manipulação das operações motivadoras foi eficaz para aumentar a participação e promover aprendizagem funcional.
Caixa explicativa: Estudo de Caso 1
A avaliação das preferências do aluno permitiu identificar reforçadores mais eficazes. O planejamento da intervenção utilizou MOEs para aumentar motivação, enquanto a variação de reforçadores promoveu generalização e engajamento. Observou-se aumento de frequência de respostas corretas e redução de distração.
Estudo de Caso 2 – Sono e eficácia de reforçadores
Mariana, 10 anos, apresentava queda de desempenho nas primeiras atividades da manhã, exibindo respostas lentas e pouca participação. A avaliação funcional indicou que a falta de sono adequado estava reduzindo a eficácia dos reforçadores previamente utilizados, incluindo elogios verbais e acesso a jogos preferidos.
Após orientação aos pais para ajuste da rotina de sono, Mariana passou a dormir pelo menos oito horas contínuas por noite. Com o aumento da motivação natural decorrente do descanso, a eficácia dos reforçadores aumentou significativamente. Durante as sessões subsequentes, ela respondeu de forma mais consistente às instruções, apresentou maior frequência de respostas corretas e maior engajamento social, demonstrando como fatores biológicos podem atuar como operações motivadoras e influenciar a aprendizagem.
Caixa explicativa: Estudo de Caso 2
A variabilidade de fatores biológicos, como sono e fadiga, age como MOEs ou MOAs. Ajustes na rotina permitiram restaurar a eficácia dos reforçadores, aumentando a frequência de respostas adequadas e demonstrando que motivação fisiológica influencia diretamente a aprendizagem funcional.
Estudo de Caso 3 – Privação de sede e comunicação funcional
Gabriel, 6 anos, tinha dificuldade em solicitar água durante atividades de vida diária na clínica. A função do comportamento estava relacionada à satisfação de uma necessidade fisiológica. Inicialmente, as solicitações ocorriam de forma esporádica, e a equipe observou que sua motivação aumentava quando ele apresentava leve sede antes das sessões.
A intervenção consistiu em planejar sessões estratégicas em que a criança estivesse levemente motivada pela necessidade fisiológica, e reforçadores naturais como acesso à água foram disponibilizados após cada pedido funcional correto. Gradualmente, a equipe variou a intensidade da sede, a presença de diferentes terapeutas e o ambiente para garantir transferência de habilidades.
Com duas semanas de prática, Gabriel começou a solicitar água espontaneamente em diferentes contextos: durante as atividades na clínica, em casa durante refeições e no recreio da escola. A generalização da habilidade foi alcançada de forma sistemática, demonstrando que a manipulação adequada das operações motivadoras permite otimizar a aprendizagem funcional e aumentar autonomia.
Caixa explicativa: Estudo de Caso 3
A manipulação do estado motivacional natural da criança (leve sede) serviu como MOE, aumentando a eficácia do reforço natural. O treino em múltiplos ambientes e com diferentes pessoas promoveu generalização da habilidade, mostrando como OMs podem ser aplicadas em contextos reais e funcionais.
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Referências
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