O Simbólico, o Imaginário e o Real no Autismo: Uma Leitura Psicanalítica da Subjetividade
Entenda o autismo a partir da psicanálise de Lacan, explorando os conceitos de simbólico, imaginário e real na subjetividade autista.
Autor: Márcio Gomes da Costa, Psicopedagogo, Especialista em Análise do Comportamento Aplicada, Neuropsicopedagogia e Psicomotricidade.
Introdução
A psicanálise oferece uma leitura profunda da subjetividade, permitindo compreender o autismo para além das classificações diagnósticas. A partir dos conceitos de simbólico, imaginário e real, desenvolvidos por Lacan, é possível abordar as formas singulares pelas quais o sujeito autista se relaciona com o mundo.
Essas categorias não devem ser entendidas como estruturas fixas, mas como registros que organizam a experiência psíquica. No autismo, a relação com esses registros se apresenta de forma particular, exigindo uma escuta clínica que respeite a singularidade do sujeito.
O simbólico e a linguagem no autismo
O simbólico refere-se ao campo da linguagem, das normas e das estruturas sociais que organizam a experiência humana. Para muitas pessoas autistas, o acesso a esse registro ocorre de maneira diferenciada.
As dificuldades na comunicação e na interação social não devem ser reduzidas a déficits, mas compreendidas como modos singulares de relação com a linguagem. O sujeito autista pode não se inscrever plenamente nas convenções simbólicas, o que exige uma abordagem que acolha essas diferenças.
O real e o excesso sensorial
O real, na psicanálise, é aquilo que escapa à simbolização. No autismo, esse registro pode se manifestar de forma intensa, especialmente por meio da hipersensibilidade sensorial.
Sons, luzes e estímulos do ambiente podem ser vivenciados como invasivos, gerando angústia. Nesse contexto, comportamentos repetitivos, como movimentos corporais ou repetição de palavras, podem funcionar como tentativas de organização frente a esse excesso.
O imaginário e as relações com o outro
O imaginário está relacionado às identificações e à construção da imagem de si e do outro. No autismo, esse registro pode apresentar particularidades, afetando a forma como o sujeito se reconhece e se relaciona com os demais.
A dificuldade em estabelecer identificações pode impactar as relações sociais, mas também revela modos próprios de construção subjetiva que devem ser respeitados e compreendidos.
Conclusão
Os conceitos de simbólico, imaginário e real oferecem uma base importante para compreender o autismo a partir de uma perspectiva não reducionista. Essa abordagem permite reconhecer a singularidade da experiência autista, evitando interpretações patologizantes.
Ao invés de buscar enquadrar o sujeito em normas pré-estabelecidas, a psicanálise propõe uma escuta que acolhe as diferenças, contribuindo para um cuidado mais ético e sensível no campo do autismo.
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Lacan, J. (1998). Os Escritos. Rio de Janeiro: Zahar.

