A Vida Dirigida por Cristo
Texto explicativo dos slides do Curso de Discipulado Pessoal
Autor e docente: Pr. Abdiel Carlos Gomes Junior
Igreja Evangélica Batista no Crispim
Slide 1: Discipulado pessoal
Neste estudo, vamos compreender o verdadeiro significado do discipulado pessoal. Discipular não é apenas transmitir informações bíblicas, mas caminhar ao lado de uma pessoa, ensinando-a a conhecer Jesus, obedecer à sua Palavra e desenvolver uma vida dirigida por Ele. O próprio Senhor Jesus nos deixou essa missão quando ordenou que fizéssemos discípulos e os ensinássemos a guardar tudo o que Ele havia ordenado, conforme Mateus 28.19-20.
O discipulado envolve relacionamento, ensino, oração, acompanhamento e exemplo de vida. O discipulador não deve apenas falar sobre Cristo, mas demonstrar, por sua maneira de viver, o que significa depender de Cristo. Durante este percurso, estudaremos princípios essenciais da vida cristã. Cada etapa nos ajudará a compreender como Jesus pode dirigir nossos pensamentos, decisões, relacionamentos, desejos e atitudes.
O propósito é que cada pessoa discipulada também se torne capaz de discipular outra. Assim, o conhecimento recebido não fica restrito a uma pessoa, mas é transmitido a outros cristãos. Esse é o princípio apresentado em 2 Timóteo 2.2: ensinar pessoas fiéis e prepará-las para que também ensinem outras.
Slide 2: Antes de receber Jesus
Este desenho representa a pessoa antes de entregar sua vida a Jesus Cristo. No centro está o “eu”. Isso significa que a própria pessoa ocupa o lugar de direção e controle. Sua vida é conduzida principalmente por sua vontade, seus desejos, seus projetos e suas decisões.
Quando o “eu” está no centro, a pessoa procura organizar a vida de acordo com aquilo que considera melhor. Ela pode até reconhecer a existência de Deus, participar de atividades religiosas e fazer algumas coisas boas, mas continua sendo a principal autoridade sobre si mesma. É ela quem decide o que aceita, o que rejeita e até onde permitirá que Deus participe de sua vida.
O problema não está em possuir vontades ou desejos, mas em fazer deles a autoridade máxima. Uma vida centrada no próprio “eu” torna-se egocêntrica. Nessa condição, a pessoa tende a perguntar: “O que eu quero?”, “O que me agrada?” e “O que é melhor para mim?”. A conversão começa quando reconhecemos que não fomos criados para viver dessa maneira. Precisamos retirar o “eu” do centro e entregar a direção da nossa vida a Jesus Cristo.
Slide 3: Quando recebemos Jesus
Este slide representa a transformação que acontece quando uma pessoa recebe Jesus como Senhor e Salvador. O “eu” deixa de ocupar o centro, e Jesus passa a ocupar o lugar de autoridade. Essa mudança significa que a pessoa já não deseja viver apenas para satisfazer sua própria vontade, mas passa a buscar a vontade de Deus.
Receber Jesus não é somente aceitar uma religião ou concordar com determinados ensinamentos. É reconhecer que Ele tem o direito de dirigir nossa vida. Em Gálatas 2.20, Paulo afirma que já não era ele quem vivia, mas Cristo vivia nele. Isso não significa que perdemos nossa identidade, mas que nossa identidade passa a ser transformada pela presença de Cristo.
Agora, nossas decisões precisam ser apresentadas ao Senhor. Nossos planos, relacionamentos, recursos, palavras, sentimentos e desejos devem estar debaixo da autoridade de Jesus. Essa mudança não acontece completamente em um único momento. É um processo diário de entrega, aprendizado e obediência. A vida dirigida por Cristo começa com uma decisão, mas deve ser confirmada todos os dias.
Slide 4: As seis áreas da vida dirigida por Cristo
Depois que Jesus ocupa o centro da vida, precisamos aprender como essa nova vida deve ser desenvolvida. O diagrama apresenta seis áreas fundamentais: conhecer a Deus, relacionar-se com Deus, encher-se do Espírito Santo, viver em comunhão, vencer a tentação e obedecer a Deus.
Essas áreas não funcionam separadamente. Elas estão interligadas e dependem da centralidade de Cristo. Não conseguimos obedecer verdadeiramente a Deus sem conhecê-lo. Também não podemos manter um relacionamento saudável com Ele sem ouvir sua Palavra e conversar com Ele por meio da oração. Da mesma maneira, não conseguiremos vencer as tentações apenas com nossa força. Precisamos da ação do Espírito Santo.
A vida cristã também não deve ser vivida em isolamento. Deus nos colocou no corpo de Cristo para crescermos em comunhão com outros irmãos. Em todas essas áreas, a obediência revela se Cristo realmente está dirigindo nossa vida. Jesus não deseja governar somente uma parte da nossa existência. Ele deve estar no centro de todas as áreas.
Slide 5: Conhecendo a Deus
A primeira área da vida dirigida por Cristo é conhecer a Deus. Não podemos confiar plenamente em alguém que não conhecemos. Por isso, quanto mais conhecemos o caráter de Deus, mais aprendemos a confiar nele e a entregar-lhe cada área da nossa vida.
Conhecer a Deus não significa apenas saber informações sobre Ele. É compreender quem Ele é e permitir que essa verdade transforme nossa maneira de viver. A Bíblia apresenta Deus como soberano, eterno, onisciente, onipresente, onipotente, imutável, reto, justo, amoroso e verdadeiro.
Quando entendemos que Deus é soberano, reconhecemos que nada está fora do seu controle. Quando compreendemos que Ele é eterno, aprendemos a confiar no seu tempo. Por ser onisciente, Deus conhece completamente nossa vida. Por ser onipresente, está conosco em todos os lugares. Por ser onipotente, possui poder suficiente para cumprir seus propósitos. Conhecer esses atributos deve produzir decisões práticas. A pergunta não é apenas “O que aprendi sobre Deus?”, mas também “Como viverei depois de conhecer essa verdade?”.
Slide 6: Relacionando-se com Deus
A segunda área é o relacionamento com Deus. Esse relacionamento é desenvolvido principalmente por meio da Bíblia e da oração. Na Bíblia, Deus fala conosco. Na oração, nós falamos com Deus. Essas duas práticas precisam caminhar juntas.
A Bíblia é fundamental porque revela quem Deus é, apresenta sua vontade e oferece orientação para a vida cristã. Conforme 2 Timóteo 3.16-17, toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, corrigir e preparar o cristão para toda boa obra. Por isso, não devemos ler a Bíblia apenas para cumprir uma obrigação. Precisamos meditar, compreender e aplicar o que lemos.
Diante de cada passagem, podemos fazer duas perguntas: “O que este texto significa?” e “Como esta verdade deve afetar minha vida?”. A oração é a resposta do nosso coração àquilo que Deus nos mostrou em sua Palavra. Nela podemos adorar, confessar, agradecer, pedir e interceder. Um relacionamento saudável com Deus exige constância e deve ser cultivado diariamente.
Slide 7: Enchendo-se do Espírito Santo
A terceira área é a vida cheia do Espírito Santo. Todo aquele que recebe Jesus passa a ter a presença do Espírito Santo, mas precisa aprender a viver diariamente debaixo da sua direção. Efésios 5.18 nos ensina a ser cheios do Espírito.
Ser cheio do Espírito Santo não significa perder o controle ou agir de maneira desordenada. Significa permitir que Ele governe nossos pensamentos, desejos, palavras e atitudes. Quando tentamos viver a vida cristã somente por nossa própria força, experimentamos frustração e derrota. Entretanto, quando dependemos do Espírito Santo, recebemos capacitação para viver segundo a vontade de Deus.
Precisamos compreender a diferença entre a habitação e o enchimento do Espírito. A habitação refere-se à presença do Espírito na vida daquele que pertence a Cristo. O enchimento está relacionado ao governo e à direção que Ele exerce quando nos entregamos ao Senhor. Quando pecamos, devemos confessar o pecado, receber pela fé o perdão de Deus e voltar a depender do Espírito Santo.
Slide 8: Vivendo em comunhão
A quarta área é viver em comunhão. A vida cristã não foi planejada para ser vivida isoladamente. Quando nosso relacionamento vertical com Deus é restaurado, precisamos desenvolver também um relacionamento horizontal adequado com as pessoas.
A comunhão cristã é mais do que frequentar reuniões ou estar fisicamente próximo de outros cristãos. Comunhão significa compartilhar a fé, cuidar uns dos outros, servir, perdoar, encorajar e contribuir para a edificação do corpo de Cristo.
Hebreus 10.24-25 ensina que devemos considerar uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Na igreja, não somos apenas espectadores. Somos membros de um corpo, e cada membro possui uma função. Viver em comunhão também exige humildade, paciência e disposição para perdoar. A unidade da igreja serve como testemunho para o mundo e revela que o amor de Cristo é capaz de restaurar relacionamentos e formar uma família espiritual.
Slide 9: Vencendo a tentação
A quinta área é vencer a tentação. Nenhuma pessoa está completamente livre de ser tentada. A tentação faz parte da luta espiritual enfrentada pelo cristão. Contudo, ser tentado não é o mesmo que pecar. O pecado acontece quando acolhemos a tentação e escolhemos agir contra a vontade de Deus.
A Bíblia mostra que a tentação pode envolver os desejos da carne, as influências do mundo e a atuação do inimigo. Tiago 1.13-14 ensina que Deus não tenta ninguém e que a pessoa é atraída por seus próprios desejos. Jesus também foi tentado, mas não pecou. Em suas respostas ao tentador, Ele utilizou a Palavra de Deus.
Quando a tentação surgir, precisamos reconhecer o perigo, recorrer a Deus, lembrar sua Palavra e afastar-nos das situações que favorecem o pecado. Também devemos contar com a ajuda de irmãos maduros. Deus sempre oferece uma maneira de suportar e escapar da tentação. A vitória não vem da autoconfiança, mas da dependência de Cristo e do Espírito Santo.
Slide 10: Obedecendo a Deus
A sexta área é a obediência a Deus. A obediência é a resposta prática de quem conhece e ama o Senhor. Jesus declarou em João 14.21 que aquele que conhece seus mandamentos e os guarda demonstra que verdadeiramente o ama.
Obedecer não significa apenas concordar com a Palavra. Significa colocar em prática aquilo que Deus ordenou. Uma obediência incompleta continua sendo desobediência. O rei Saul tentou justificar sua atitude dizendo que havia preservado determinados animais para oferecer sacrifícios. Entretanto, Samuel respondeu que obedecer é melhor do que sacrificar, conforme 1 Samuel 15.22.
Jesus é o maior exemplo de obediência. Ele veio ao mundo para realizar a vontade do Pai e foi obediente até a morte. A verdadeira obediência alcança todas as áreas: família, igreja, trabalho, relacionamentos, finanças, pensamentos e decisões. Não obedecemos somente quando compreendemos completamente uma ordem ou quando ela corresponde aos nossos desejos. Obedecemos porque reconhecemos que Deus é Senhor.
Slide 11: A integração das seis áreas
Neste slide, podemos observar todas as áreas reunidas ao redor de Jesus. Isso significa que nenhuma delas deve ser desenvolvida independentemente da centralidade de Cristo. Podemos estudar a Bíblia, orar, participar da igreja e procurar resistir às tentações, mas, se Jesus não estiver no centro, essas atividades podem transformar-se apenas em práticas religiosas.
Conhecer a Deus fortalece nosso relacionamento com Ele. O relacionamento com Deus nos ensina a depender do Espírito Santo. A vida cheia do Espírito produz condições para vivermos em comunhão. A comunhão oferece apoio para enfrentarmos as tentações. A vitória sobre o pecado nos conduz a uma vida de obediência.
A obediência demonstra que aquilo que aprendemos produziu transformação. Assim, todas as áreas trabalham juntas para formar uma vida cristocêntrica. O diagrama também serve como instrumento de avaliação pessoal. Precisamos examinar em qual dessas áreas estamos crescendo e em qual delas ainda necessitamos de maior dedicação.
Slide 12: A vida dirigida por Jesus Cristo
Este último slide apresenta o resultado de todo o percurso: uma vida dirigida por Jesus Cristo. Quando conhecemos a Deus, cultivamos um relacionamento com Ele, dependemos do Espírito Santo, vivemos em comunhão, enfrentamos as tentações biblicamente e obedecemos à sua Palavra, permitimos que Cristo conduza nossa existência.
Assim como o motorista determina a direção de um veículo, Jesus deve determinar a direção da nossa vida. Não basta colocá-lo como passageiro e procurá-lo somente quando surgem dificuldades. Ele precisa ocupar o lugar de Senhor. Uma vida dirigida por Cristo não significa uma vida sem problemas. Significa uma vida que possui direção mesmo em meio às dificuldades.
Entretanto, esse aprendizado não termina conosco. Quem foi discipulado deve preparar-se para discipular outra pessoa. O princípio é simples: discípulo faz discípulo. Devemos transmitir aquilo que aprendemos, acompanhar outras pessoas e ensiná-las a viver sob o governo de Jesus. A conclusão do estudo é também o início de uma missão.
