DISCIPULADO PESSOAL
Introdução
Viver em comunhão é uma parte essencial da vida dirigida por Cristo. Quando recebemos Jesus como Senhor e Salvador, não somos chamados a viver isoladamente. Passamos a fazer parte da família de Deus e do Corpo de Cristo, que é a Igreja.
Diante da cruz, nenhum cristão é superior ou inferior. Todos necessitam da mesma graça, recebem o mesmo perdão e pertencem ao mesmo Salvador. Por isso, a comunhão cristã não deve ser marcada pela competição, pelo orgulho ou pela comparação, mas pelo amor, pelo cuidado e pelo encorajamento mútuo.
Efésios 4.16 ensina que todo o corpo, bem ajustado e consolidado, cresce por meio da cooperação de cada parte e edifica-se em amor. Isso significa que todos os membros são importantes e possuem responsabilidade na edificação da Igreja.
A comunhão não consiste apenas em frequentar cultos ou permanecer no mesmo ambiente. Ela envolve compartilhar a vida, aprender com outros cristãos, servir, perdoar, encorajar e permitir-se ser ajudado.
Desenvolvimento
1. A Igreja como Corpo de Cristo
Romanos 12.5 afirma que, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo e somos membros uns dos outros. O apóstolo Paulo utiliza a figura do corpo humano para explicar o funcionamento da Igreja.
O corpo possui muitas partes, e cada uma desempenha uma função. O olho não realiza o trabalho da mão, assim como o ouvido não exerce a função dos pés. Apesar das diferenças, todas as partes são necessárias e trabalham para o bem do mesmo corpo.
Primeira Coríntios 12.14-26 ensina que nenhum membro pode dizer ao outro: “Não preciso de você”. Quando uma parte sofre, todo o corpo sofre. Quando uma parte é honrada, todos se alegram com ela.
Quadro Explicativo 1 – A Igreja como Corpo de Cristo
| Princípio | Referência | Aplicação |
|---|---|---|
| Um só corpo | Romanos 12.5 | Os cristãos pertencem a Cristo e são membros uns dos outros. |
| Muitos membros | Primeira Coríntios 12.14 | Cada membro possui uma função necessária no corpo. |
| Cooperação | Efésios 4.16 | O crescimento da Igreja depende da participação de cada membro. |
| Cuidado mútuo | Primeira Coríntios 12.25-26 | Os membros cuidam uns dos outros e compartilham sofrimentos e alegrias. |
| Humildade | Romanos 12.3 | Nenhum cristão deve considerar-se superior ou mais importante que os outros. |
2. A importância da igreja local
Deus deseja que cada cristão seja um membro ativo de uma igreja local. A maioria das orientações bíblicas sobre o funcionamento do Corpo de Cristo está relacionada à convivência entre os membros de uma comunidade cristã.
É na igreja local que aprendemos a servir, ouvir, perdoar, receber orientação, desenvolver nossos dons e contribuir para o crescimento espiritual de outras pessoas.
Nenhum cristão consegue funcionar com plena eficácia de maneira independente. Precisamos uns dos outros para amadurecer, encontrar consolo, receber correção e participar da missão da Igreja.
Ser membro ativo não significa apenas ter o nome registrado em uma igreja. Significa participar de sua vida, assumir responsabilidades e cooperar para sua edificação.
3. Dedicando-se uns aos outros
Romanos 12.10 ensina: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal”. Essa orientação apresenta a Igreja como uma família marcada pelo amor, pelo compromisso, pelo cuidado e pela lealdade.
O amor fraternal não deve permanecer apenas nas palavras. Ele precisa aparecer nas atitudes. Ser dedicado aos irmãos significa interessar-se por suas necessidades, orar por eles, compartilhar suas lutas, celebrar suas conquistas e permanecer presente nos momentos difíceis.
O discípulo precisa avaliar se passa a maior parte do tempo pensando somente em si mesmo ou se também considera os interesses dos outros. Deve verificar se possui um espírito perdoador e se consegue aproximar-se das pessoas sem ser controlado pelo medo da rejeição.
A Igreja é uma família espiritual. Seus membros devem cuidar uns dos outros como acontece em uma família saudável e bem organizada.
4. Honrando uns aos outros
Romanos 12.10 também orienta os cristãos a preferirem uns aos outros em honra. Honrar significa reconhecer o valor do próximo, tratar cada irmão com respeito e contribuir para que suas capacidades sejam desenvolvidas.
O material apresenta o exemplo de um músico que acompanha um cantor. O bom músico não procura competir com a voz principal. Ele ajusta seu instrumento, oferece apoio nas partes difíceis e valoriza a apresentação do outro.
Da mesma maneira, o cristão não deve diminuir outras pessoas para parecer mais importante. Deve ajudá-las a crescer, reconhecer seus dons e alegrar-se sinceramente com suas conquistas.
A inveja, a competição e o desejo de superioridade enfraquecem a comunhão. Quando aprendemos a honrar uns aos outros, o Corpo de Cristo amadurece e cresce de maneira harmoniosa.
5. Tendo o mesmo modo de pensar
Romanos 15.5 apresenta o desejo de que os cristãos tenham o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus.
Isso não significa que todos terão as mesmas opiniões em todas as questões. Significa que estarão unidos em torno de Cristo, da Palavra de Deus e da missão da Igreja.
Em João 17.20-23, Jesus orou para que seus discípulos fossem um. Essa unidade deveria ser visível e servir como testemunho para que o mundo reconhecesse que o Pai enviou o Filho.
A unidade cristã não é uniformidade. Os membros possuem histórias, funções e capacidades diferentes, mas todos pertencem ao mesmo Senhor e trabalham pelo mesmo propósito.
6. Aceitando uns aos outros
Romanos 15.7 ordena: “Recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para a glória de Deus”. Aceitar os irmãos significa acolhê-los com a mesma graça que recebemos de Jesus.
A comunhão pode ser prejudicada pelo julgamento indevido, pela parcialidade e pela falta de reconciliação. Romanos 14 ensina que não devemos condenar outros cristãos por questões que a Bíblia não identifica como pecado.
Também devemos ter sensibilidade com os irmãos que ainda não possuem a mesma maturidade espiritual. A liberdade de um cristão não deve transformar-se em motivo de tropeço para outro.
Aceitar não significa concordar com todos os comportamentos. Significa reconhecer o valor da pessoa, agir com graça e buscar relacionamentos governados pela verdade e pelo amor.
7. Rejeitando a parcialidade
Tiago 2.9 declara que fazer acepção de pessoas é pecado. Na Igreja, ninguém deve receber tratamento privilegiado por causa de sua condição financeira, idade, aparência, formação ou posição social.
Todos são importantes no Corpo de Cristo: ricos e pobres, jovens e idosos, novos convertidos e cristãos experientes. O favoritismo destrói a unidade e contradiz a natureza da família de Deus.
Romanos 12.16 ensina que devemos ter o mesmo sentimento uns para com os outros, abandonar o orgulho e aproximar-nos também das pessoas consideradas humildes.
Quando a Igreja acolhe as pessoas sem discriminação, demonstra ao mundo o poder transformador do evangelho.
8. Buscando a reconciliação
Efésios 2.11-22 mostra que, por meio da morte de Cristo, as barreiras culturais, nacionais e religiosas que separavam as pessoas foram derrubadas.
Aqueles que antes estavam distantes foram aproximados pelo sangue de Jesus. Pessoas que eram inimigas receberam acesso ao mesmo Pai por meio do mesmo Espírito e passaram a fazer parte da mesma família.
O discípulo precisa avaliar se existe alguém de quem está afastado por causa de mágoa, orgulho, preconceito ou ressentimento. A maturidade cristã exige disposição para buscar a reconciliação.
Não se reconciliar mantém barreiras que Cristo morreu para destruir. Por isso, a reconciliação é uma expressão prática da obra de Jesus.
9. Admoestando uns aos outros
Romanos 15.14 afirma que os cristãos, cheios de bondade e conhecimento, são capazes de admoestar uns aos outros. Admoestar significa orientar, advertir ou confrontar uma pessoa quando sua conduta não está de acordo com a Palavra de Deus.
Essa responsabilidade exige cuidado. A admoestação não deve nascer do orgulho, da irritação ou do desejo de controlar. Antes de corrigir outra pessoa, precisamos examinar nossa própria vida.
A correção deve estar fundamentada nas Escrituras, e não em opiniões ou preferências pessoais. Também precisa ser realizada com amor, interesse verdadeiro e motivos puros.
Quando o problema envolve uma pessoa específica, a orientação deve ser preferencialmente pessoal e reservada. O objetivo não é envergonhar, mas restaurar.
10. Consolando e encorajando uns aos outros
Primeira Tessalonicenses 5.11 orienta os cristãos a consolarem e edificarem uns aos outros. Isso significa que cada membro deve participar do fortalecimento espiritual da Igreja.
A Palavra de Deus é o principal instrumento de encorajamento. Para ajudar outras pessoas por meio das Escrituras, precisamos conhecer e compreender a Bíblia.
Não estudamos a Palavra apenas para nosso crescimento pessoal, mas também para oferecer orientação, consolo e esperança aos irmãos.
O encorajamento não consiste em repetir frases vazias ou ignorar o sofrimento. Ele reconhece a realidade da dor, permanece ao lado da pessoa e apresenta a verdade de Deus com sensibilidade.
Quadro Explicativo 2 – Responsabilidades mútuas na comunhão
| Responsabilidade | Referência | Aplicação |
|---|---|---|
| Dedicar-se | Romanos 12.10 | Demonstrar amor fraternal, cuidado e compromisso com os irmãos. |
| Honrar | Romanos 12.10 | Reconhecer o valor dos outros e celebrar suas conquistas. |
| Aceitar | Romanos 15.7 | Acolher os irmãos com a mesma graça demonstrada por Cristo. |
| Admoestar | Romanos 15.14 | Orientar biblicamente, com bondade, humildade e amor. |
| Encorajar | Primeira Tessalonicenses 5.11 | Consolar e fortalecer os irmãos por meio da Palavra de Deus. |
| Suportar | Efésios 4.2 | Tratar com paciência as fraquezas e limitações das pessoas. |
| Servir | Gálatas 5.13 | Usar a liberdade cristã para cuidar e atender às necessidades dos outros. |
11. Sujeitando-se uns aos outros
Efésios 5.21 ensina que devemos sujeitar-nos uns aos outros no temor de Cristo. A submissão mútua significa abandonar o egoísmo e considerar as necessidades, responsabilidades e interesses das outras pessoas.
Essa submissão aparece em diferentes relacionamentos. Os cristãos devem respeitar seus líderes, os filhos devem obedecer aos pais e os cidadãos devem respeitar as autoridades.
Entretanto, aqueles que exercem autoridade também possuem responsabilidades. Os maridos devem amar suas esposas, os pais devem tratar os filhos com sensibilidade, os líderes devem servir ao rebanho e os empregadores devem agir com justiça.
A autoridade cristã não existe para dominar ou explorar, mas para servir de acordo com o exemplo de Jesus.
12. Servindo uns aos outros em amor
Gálatas 5.13 ensina que fomos chamados à liberdade, mas não devemos usar essa liberdade para satisfazer a natureza pecaminosa. Em vez disso, devemos servir uns aos outros pelo amor.
Liberdade em Cristo não significa liberdade para pecar, ausência de tentação ou dispensa do serviço. A verdadeira liberdade permite que deixemos de usar as pessoas para nossa própria satisfação e passemos a servi-las.
Jesus estabeleceu esse exemplo. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Em João 13, lavou os pés dos discípulos e demonstrou que a verdadeira grandeza no Reino de Deus está no serviço.
Servir envolve atitudes práticas destinadas a atender às necessidades espirituais, físicas, emocionais e sociais das pessoas.
13. Suportando e perdoando uns aos outros
Efésios 4.2 orienta os cristãos a viverem com humildade, mansidão e paciência, suportando uns aos outros em amor.
A convivência cristã reúne pessoas com histórias, personalidades, costumes e níveis de maturidade diferentes. Por isso, os conflitos podem acontecer. A comunhão não depende da ausência de dificuldades, mas da maneira como lidamos com elas.
Colossenses 3.13 ensina que devemos suportar e perdoar uns aos outros, assim como Cristo nos perdoou. O cristão não pode alimentar ressentimentos enquanto afirma seguir aquele que cancelou sua dívida de pecado.
O perdão é uma decisão consciente. Ele não deve depender de a outra pessoa pedir desculpas. Devemos cuidar da nossa atitude diante de Deus e buscar a reconciliação quando isso for possível.
14. Passos práticos para restaurar relacionamentos
Primeiro: faça um exame sincero e identifique atitudes, comportamentos e fraquezas que dificultam sua convivência com outras pessoas.
Segundo: verifique se você exige dos outros mais do que exige de si mesmo ou se critica pessoas em áreas nas quais também apresenta dificuldades.
Terceiro: identifique os cristãos com os quais possui dificuldades de relacionamento, especialmente aqueles contra quem mantém algum ressentimento.
Quarto: decida perdoar consciente e deliberadamente aqueles que o magoaram. Quando for necessário, procure a pessoa para conversar e reconheça também suas próprias atitudes inadequadas.
O perdão não deve ficar condicionado às desculpas do outro. Devemos cuidar da nossa atitude e confiar que Deus tratará o coração da outra pessoa.
Conclusão
Viver em comunhão significa reconhecer que pertencemos à família de Deus e que somos membros do mesmo Corpo de Cristo. Cada cristão possui valor, responsabilidade e uma função importante na edificação da Igreja.
A comunhão manifesta-se quando aprendemos a dedicar-nos, honrar, aceitar, admoestar, encorajar, suportar, perdoar, sujeitar-nos e servir uns aos outros.
“A verdadeira comunhão transforma o amor cristão em cuidado, serviço, perdão e edificação mútua.”
Jesus orou para que seus discípulos fossem um. A unidade da Igreja serve como testemunho para que o mundo reconheça o amor de Deus e a verdade do evangelho.
A comunhão cristã não é apenas um sentimento ou uma reunião. É uma forma de viver na qual cada pessoa contribui para o crescimento espiritual, para a unidade e para o bem dos outros.
Tarefa da Lição
1. Ler Efésios durante sete dias, seguindo esta divisão:
Primeiro dia: Efésios 1.1-23 – A posição do cristão.
Segundo dia: Efésios 2.1-22 – Salvo pela graça.
Terceiro dia: Efésios 3.1-21 – O mistério revelado.
Quarto dia: Efésios 4.1-32 – O andar do cristão.
Quinto dia: Efésios 5.1-20 – Seguindo Cristo.
Sexto dia: Efésios 5.21–6.9 – A convivência cristã.
Sétimo dia: Efésios 6.10-24 – A luta cristã.
2. Estudar e completar o material Vivendo em Comunhão.
3. Memorizar João 13.34-35.
4. Recapitular os nomes dos livros do Antigo Testamento, de Gênesis a Provérbios.
5. Tomar notas do sermão do pastor no domingo.
6. Identificar uma pessoa que precisa ser encorajada, honrada ou procurada para uma reconciliação.
Avaliação – 10 Questões com Respostas
Resposta: Significa que todos pertencem ao mesmo Corpo de Cristo e dependem da cooperação, do cuidado e do serviço mútuo.
Resposta: Porque cada cristão possui uma função e uma contribuição importante para a edificação e o crescimento da Igreja.
Resposta: Significa demonstrar amor, cuidado, lealdade, oração e interesse verdadeiro pelas necessidades dos outros.
Resposta: Reconhecendo o valor das pessoas, apoiando seus dons e alegrando-nos sinceramente com suas conquistas.
Resposta: Significa acolher os irmãos com a mesma graça que recebemos de Cristo, evitando julgamentos indevidos e parcialidade.
Resposta: O legalismo, o preconceito, o favoritismo, a discriminação, a amargura e a recusa em buscar reconciliação.
Resposta: Bondade, conhecimento adequado da Palavra, motivos puros, humildade, amor e desejo de restauração.
Resposta: A Palavra de Deus, compartilhada com conhecimento, amor e sensibilidade.
Resposta: Significa tratar com paciência as limitações e diferenças, mantendo um espírito de perdão e buscando preservar a unidade.
Resposta: Utilizando-a para obedecer a Cristo e servir outras pessoas em amor, e não para satisfazer desejos egoístas.
