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Apresentação do Curso de Psicanálise Clinica
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Curso de Psicanálise Clínica Online | Formação Teórica e Prática – SOBRAPA

A psicanálise, desde sua fundação por Sigmund Freud no final do século XIX, permanece como uma das teorias mais potentes e transformadoras para a compreensão do funcionamento da mente humana. Mais do que um método terapêutico, a psicanálise constitui um campo de investigação clínica e uma lente de interpretação da cultura, ao reconhecer que o sujeito não é senhor absoluto de seus atos, mas encontra-se atravessado pelo inconsciente.

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Essa concepção rompe com a ideia de um eu plenamente racional e consciente, introduzindo a noção de que desejos, fantasias e conflitos inconscientes influenciam profundamente o modo como o sujeito se constitui e se relaciona com o mundo. Como afirmou Freud, “o eu não é senhor em sua própria casa” (Freud, 1917), destacando o caráter descentralizado da experiência psíquica.

Este curso foi concebido para oferecer uma base sólida aos estudantes que se aproximam pela primeira vez do campo da psicanálise clínica. Estruturado em dez módulos, o percurso formativo articula fundamentos históricos, conceitos teóricos centrais e uma introdução à experiência clínica supervisionada, permitindo ao aluno compreender, desde o início, o trajeto de aprendizagem que irá percorrer.

No primeiro módulo, o estudante é situado no contexto de surgimento da psicanálise, acompanhando os estudos iniciais de Freud sobre a histeria e a formulação da chamada “cura pela fala”. São discutidas as diferenças entre psicanálise, psicologia e psiquiatria, delimitando o campo específico da psicanálise como prática da escuta. Nesse ponto, evidencia-se que o analista não ocupa o lugar de conselheiro ou juiz, mas sustenta um espaço ético em que o sujeito possa falar livremente, conforme desenvolvido em Freud (1905).

O segundo módulo aprofunda os conceitos estruturantes da teoria psicanalítica, introduzindo a noção de inconsciente e a primeira tópica freudiana. O aluno é conduzido à compreensão dos mecanismos de repressão e do conflito psíquico, fundamentais para entender como conteúdos recalcados retornam sob a forma de sintomas, lapsos e sonhos, conforme formulado por Freud (1915).

No terceiro módulo, aborda-se a sexualidade infantil e o Complexo de Édipo, eixo central da constituição do sujeito. Freud demonstrou que a criança é atravessada, desde muito cedo, por experiências pulsionais que participam da organização da vida psíquica. As fases do desenvolvimento psicossexual culminam no Édipo como estrutura organizadora da lei e das relações familiares, conforme apresentado em Freud (1924).

O quarto módulo dedica-se ao estudo dos sonhos, dos sintomas e dos atos falhos. A partir da obra “A Interpretação dos Sonhos” (Freud, 1900), compreende-se o sonho como a via régia de acesso ao inconsciente, constituindo ferramenta fundamental para a escuta clínica.

No quinto módulo, são trabalhados os conceitos de transferência, contratransferência e resistência. A análise é compreendida como uma experiência relacional, na qual o sujeito atualiza vínculos de sua história na relação com o analista. A resistência é abordada como elemento estrutural do processo analítico, conforme discutido por Freud (1912).

O sexto módulo introduz as estruturas clínicas da psicanálise: neurose, psicose e perversão. Diferentemente das classificações psiquiátricas, a psicanálise propõe compreender modos de organização do psiquismo. A leitura estrutural, aprofundada por Lacan, permite reconhecer posições subjetivas sem reduzir o sujeito a rótulos diagnósticos, conforme Lacan (1958).

No sétimo módulo, são abordados os conceitos de pulsão de vida e pulsão de morte, formulados por Freud em “Além do Princípio do Prazer” (Freud, 1920), possibilitando a compreensão de fenômenos como a compulsão à repetição, a agressividade e a autossabotagem.

O oitavo módulo marca a introdução direta à clínica psicanalítica, discutindo o setting analítico, o silêncio e a posição do analista. A clínica é apresentada como um espaço singular, orientado pela escuta e pela singularidade do sujeito, conforme desenvolvido por Winnicott (1960).

No nono módulo, discute-se a ética da psicanálise e a formação do analista. Diferente de códigos morais normativos, a ética psicanalítica orienta-se pelo desejo e pela responsabilidade do sujeito. A formação do analista é apresentada como um processo contínuo, conforme enfatizado por Lacan (1964).

O décimo módulo dedica-se ao estudo de casos e à supervisão inicial, possibilitando ao aluno articular teoria e prática por meio da análise de vinhetas clínicas, integrando os conhecimentos adquiridos ao longo do curso.

Esta formação não se limita à transmissão de conteúdos teóricos. Ela propõe uma experiência formativa que convoca o aluno a implicar-se em seu próprio processo subjetivo, reconhecendo que, como afirmou Freud, “ninguém pode conduzir outro pela via da análise sem antes ter percorrido esse caminho” (Freud, 1937).

Dessa forma, o Curso de Psicanálise Clínica da SOBRAPA oferece ao aluno uma porta de entrada para um campo de saber e prática que permanece vivo e atual, sustentado por rigor teórico, responsabilidade ética e compromisso institucional.

Márcio Costa
Psicanalista Clínico
Psicopedagogo
Analista do Comportamento Aplicado (ABA)