Autora: Paula Armero
Assistente Terapêutica ABA
Operantes verbais e programa de ensino – tato
Introdução
Caro aluno, nesta aula aprenderemos sobre os operantes verbais descritos por Skinner
em sua análise do comportamento verbal. Esses operantes são fundamentais para
compreender a relação entre o comportamento verbal e as condições ambientais que o
controlam.
Além disso, estudaremos o programa de ensino do tato, cujo objetivo é ensinar a
criança a nomear figuras, objetos e pessoas de forma independente, funcional e
socialmente adequada.
Operantes verbais
Os operantes verbais são categorias de comportamento verbal definidas pela relação
funcional entre a resposta verbal e o ambiente. A seguir, apresentamos os principais
operantes:
Mando: comportamento verbal controlado por uma necessidade ou desejo
específico, sendo reforçado diretamente pela satisfação dessa necessidade.
Exemplo: pedir água quando se está com sede.
Tato: comportamento verbal controlado por estímulos do ambiente,
geralmente reforçado socialmente, como atenção, elogios ou respostas verbais.
Exemplo: dizer “cachorro” ao ver um cachorro.
Ecóico: envolve a repetição ou imitação de sons ou palavras ouvidas,
com correspondência ponto a ponto entre estímulo e resposta.
Exemplo: repetir “mamãe” após ouvir alguém dizer “mamãe”.
Intraverbal: resposta verbal controlada por outro comportamento
verbal, sem correspondência direta entre estímulo e resposta.
Exemplo: responder “cachorro” quando alguém pergunta “Qual é seu animal
favorito?”.
Textual: comportamento verbal de leitura, no qual a pessoa emite a
palavra falada a partir de um estímulo escrito.
Exemplo: ler a palavra “livro” em um texto.
Transcrição: envolve escrever ou digitar palavras que foram ouvidas
ou pensadas.
Exemplo: escrever “gato” após ouvir alguém falar “gato”.
Esses operantes constituem a base para o desenvolvimento de habilidades de
comunicação em programas de intervenção comportamental, como o VB-MAPP.
Programa de ensino – tato
Objetivo
Ensinar a criança a nomear figuras, objetos e pessoas de forma independente,
consistente e apropriada, promovendo a generalização dessa habilidade em diferentes
contextos sociais.
Materiais necessários
- figuras variadas, como animais, objetos, alimentos e ações;
- objetos reais, como brinquedos e itens de uso diário;
- fotos de pessoas conhecidas, como familiares, terapeutas e colegas;
- ambiente tranquilo e livre de distrações;
- reforçadores, como elogios, adesivos, brinquedos ou guloseimas, conforme o perfil da criança.
Passo a passo do programa
Treino com ajuda física total
Preparação: explique à criança, de forma simples, que vocês irão
praticar “falar o nome das coisas”.
Passo 1: mostre uma figura, objeto ou foto à criança, segurando o
item na altura dos olhos.
Passo 2: guie suavemente a mão da criança para apontar para o item e
modele a resposta verbal, dizendo claramente o nome do estímulo.
Passo 3: estimule a criança a repetir o nome. Caso necessário,
emita a resposta juntamente com ela.
Passo 4: reforce positivamente assim que a criança tentar ou repetir
o nome do item, utilizando elogios ou pequenos prêmios.
Passo 5: repita o procedimento várias vezes, reduzindo
gradativamente a ajuda física e a modelagem vocal.
Treino com ajuda gestual
Preparação: relembre à criança que vocês continuarão praticando
“falar o nome das coisas”.
Passo 1: mostre a figura, objeto ou foto à criança.
Passo 2: utilize gestos, como apontar para o item ou aproximá-lo do
rosto da criança, indicando que ela deve nomeá-lo.
Passo 3: aguarde a resposta verbal. Se necessário, ofereça uma dica
verbal parcial, como a primeira sílaba da palavra.
Passo 4: reforce positivamente cada tentativa de nomeação, mesmo que
a pronúncia ainda não esteja perfeita.
Passo 5: reduza gradualmente os gestos, favorecendo maior
independência.
Treino com ajuda independente
Preparação: explique à criança que agora ela irá “falar o nome das
coisas sozinha”.
Passo 1: apresente a figura, objeto ou foto sem utilizar gestos ou
ajuda física.
Passo 2: aguarde o tempo necessário para que a criança nomeie o
item de forma independente.
Passo 3: reforce imediatamente cada resposta correta ou tentativa
adequada.
Passo 4: caso haja dificuldade, ofereça apenas dicas verbais mínimas,
evitando retornar às ajudas mais intrusivas.
Exemplo prático
Ajuda física total:
— “Angelina, vamos praticar falar o nome das coisas. Olha essa figura aqui.”
(A terapeuta guia a mão da criança para apontar a figura de uma vaca e diz:)
— “Va-ca.”
— “Muito bem, você disse ‘vaca’! Excelente trabalho!”
Ajuda gestual:
— “Agora vou te mostrar outra figura. O que é isso?”
(A terapeuta aponta para a figura de uma cadeira.)
— “Cadeira.”
— “Ótimo, você disse cadeira! Parabéns!”
Ajuda independente:
— “Agora tente falar o nome deste sozinha.”
(A terapeuta mostra a figura de uma bola.)
— “Bola.”
— “Excelente! Você falou sozinha!”
Considerações finais
Reforço positivo: utilize sempre elogios e reforçadores relevantes
para manter a motivação da criança.
Consistência: pratique a nomeação em diferentes ambientes e com
diferentes pessoas para promover generalização.
Adaptação: ajuste o programa conforme o nível de linguagem, ritmo e
necessidades individuais da criança.
Agora que você compreende os operantes verbais e o programa de ensino do tato,
coloque essas estratégias em prática e acompanhe o desenvolvimento da criança com
paciência, sensibilidade e dedicação clínica.
