Autor: Camila Soares Pinheiro
Psicóloga e Analista do Comportamento
Contingências são as relações entre eventos, especialmente entre comportamentos e suas consequências, desempenhando um papel fundamental na compreensão do processo de aprendizagem, manutenção e modificação do comportamento. As contingências consistem em duas partes principais: o antecedente e a consequência.
O antecedente é o evento que ocorre no ambiente imediatamente antes de um comportamento específico e sinaliza a disponibilidade da consequência. Antecedentes podem incluir estímulos verbais, não verbais, ambientais ou estados emocionais internos. Para ilustrar esse conceito, imagine-se assistindo televisão em casa quando a campainha toca. O som da campainha é o antecedente e funciona como um estímulo que precede o comportamento de ir até a porta. Dependendo das suas experiências e expectativas, sua resposta pode ser de entusiasmo, cautela ou neutralidade.
A consequência é o evento que ocorre após o comportamento e influencia a probabilidade de que o comportamento ocorra novamente. Consequências podem ser reforçadoras, aumentando a probabilidade do comportamento, ou punitivas, diminuindo essa probabilidade. No exemplo anterior, ao atender à porta você percebe que é o entregador trazendo uma encomenda esperada. Esta consequência positiva aumenta a probabilidade de que você continue a atender a campainha futuramente.
Agora vamos compreender as contingências de reforço, situações em que um comportamento é seguido por uma consequência que aumenta a probabilidade de sua repetição. Existem diferentes tipos de reforço.
O Reforço Positivo consiste na apresentação de um estímulo agradável ou desejável após um comportamento específico. Se uma criança com TEA está aprendendo a comunicar suas necessidades utilizando palavras, cada vez que ela faz isso com sucesso, pode receber um elogio, um brinquedo, um abraço ou outro item de interesse. Essa consequência positiva aumenta a probabilidade de que a criança continue usando palavras para se comunicar.
Por outro lado, o Reforço Negativo envolve a remoção de um estímulo aversivo ou desagradável após um comportamento, também aumentando a probabilidade de que ele ocorra novamente. Imagine que uma criança com TEA está participando de uma atividade em grupo, mas demonstra sinais de desconforto sensorial.
Nesse caso, a assistente terapêutica ABA pode permitir que a criança se retire temporariamente da atividade, removendo o estímulo aversivo. Assim, ela aprende que pedir para sair é uma forma eficaz de lidar com seu desconforto, ao invés de evitar completamente as interações sociais.
Depois de compreendermos o reforço, avançamos para as contingências de punição, situações em que um comportamento é seguido por uma consequência que diminui a probabilidade de sua repetição.
A Punição Positiva ocorre quando um estímulo aversivo é apresentado após um comportamento inadequado. Embora não seja uma técnica preferencial na intervenção com TEA, pode ser necessária em situações de risco. Por exemplo, se uma criança começa a se agredir, o assistente terapêutico pode aplicar uma pressão suave na mão da criança para interromper o comportamento, acompanhado de palavras calmas que ajudem a regular a emoção.
A Punição Negativa, por sua vez, envolve a remoção de algo agradável após o comportamento inadequado. No TEA, essa técnica deve ser usada com cautela, sempre priorizando o bem-estar emocional da criança. Por exemplo, quando uma criança faz birra para chamar atenção, ignorar temporariamente o comportamento pode funcionar como punição negativa, reduzindo a probabilidade de ocorrer novamente.
Nessa situação, ao retirar a atenção, que funciona como reforçador, os pais desencorajam o comportamento disruptivo. É importante, porém, que essa retirada seja breve, planejada e acompanhada posteriormente do reforço de comportamentos adequados.
Compreender o funcionamento das contingências é essencial para o trabalho em ABA. Saber identificar antecedentes, analisar consequências e ajustar intervenções permite promover comportamentos desejados e reduzir comportamentos inadequados com ética, segurança e eficácia.
