Autor: Camila Soares Pinheiro
Psicóloga e Analista do Comportamento
Aula 12 – Ensino por Tentativa Discreta (DTT)
Introdução
Olá a todos! Bem-vindos à aula 12 do curso de Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
Na aula anterior, exploramos as Atividades da Vida Diária (AVDs). Nesta aula,
aprenderemos sobre o Ensino por Tentativa Discreta, conhecido como DTT.
O DTT é amplamente utilizado para ensinar novas habilidades de forma estruturada,
especialmente em indivíduos com dificuldades de aprendizagem, como pessoas com
Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Trata-se de uma metodologia que fragmenta habilidades complexas em pequenas unidades,
facilitando o aprendizado. Cada tentativa possui início, meio e fim claramente definidos,
permitindo que o foco seja direcionado a uma habilidade específica por vez.
Ao longo desta aula, compreenderemos os fundamentos do DTT, suas aplicações práticas
e os benefícios dessa abordagem no processo de ensino.
Desenvolvimento
1. Fundamentos do Ensino por Tentativa Discreta
O DTT baseia-se em sessões estruturadas e repetitivas, que promovem o aprendizado por meio
de reforços, correções e feedback imediato. Um elemento essencial é o intervalo entre as
tentativas, que deve ser adequado para permitir que o aprendiz processe as informações
antes de prosseguir.
Esse método pode ser utilizado para ensinar habilidades em três domínios principais:
novas topografias de resposta, introdução de novos estímulos e respostas a estímulos
previamente treinados.
2. Novas topografias de resposta
Ensinar novas topografias de resposta no DTT significa introduzir formas inéditas de
comportamento, ampliando o repertório do aprendiz e favorecendo seu desenvolvimento global.
Exemplo: identificação de letras do alfabeto. O terapeuta apresenta
uma carta com a letra “A” e pergunta: “Qual é esta letra?”. Se a criança responder
corretamente, recebe reforço positivo, como elogios ou adesivos.
Após a consolidação da letra “A”, o processo é repetido com a letra “B” e assim
sucessivamente. Esse mesmo princípio pode ser aplicado ao ensino de habilidades
motoras, acadêmicas ou sociais.
3. Introdução de novos estímulos
A introdução de novos estímulos é fundamental para ampliar o repertório comportamental
e favorecer a generalização do aprendizado.
Exemplo: identificação de animais e sons. O terapeuta apresenta a
imagem de um gato e modela a resposta: “O som do gato é miau”. A criança é incentivada
a reproduzir o som e, ao acertar, recebe reforço positivo.
Caso a criança erre, o terapeuta oferece feedback corretivo e repete o procedimento
até que o aprendizado seja consolidado. Essa estratégia pode ser aplicada ao ensino
de cores, números, formas e habilidades sociais.
4. Respostas a estímulos já treinados
Ensinar respostas a estímulos já aprendidos em novos contextos é essencial para promover
a generalização e a flexibilidade do comportamento.
Exemplo: identificação da cor azul. A criança que já reconhece a cor
azul em cartões passa a identificar objetos azuis no ambiente. O terapeuta solicita:
“Encontre o objeto azul e coloque ao lado deste cartão”.
Ao realizar a tarefa corretamente, a criança recebe reforço positivo. Se errar,
o terapeuta repete a instrução com apoio corretivo. Essa prática favorece a aplicação
do conhecimento em situações reais.
5. Benefícios do DTT
O Ensino por Tentativa Discreta oferece diversos benefícios, como a estruturação clara
do ensino, feedback imediato, promoção da generalização das habilidades e aumento da
independência do aprendiz.
Conclusão
O Ensino por Tentativa Discreta (DTT) é uma ferramenta fundamental na Análise do
Comportamento Aplicada. Ao fragmentar habilidades complexas em unidades menores,
essa metodologia facilita o ensino e a consolidação de novas aprendizagens.
Com uma estrutura clara e uso adequado do reforço positivo, o DTT contribui
significativamente para o desenvolvimento de habilidades essenciais à vida diária.
Na próxima aula, abordaremos o Ensino Naturalístico, que complementa o DTT ao integrar
o aprendizado em contextos mais naturais.
