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Curriculo do curso
VB-MAPP: Avaliação no Autismo com ABA – Protocolo Completo Este curso foi desenvolvido para capacitar o aluno na compreensão, aplicação e utilização clínica do VB-MAPP (Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program), uma das principais ferramentas de avaliação no contexto do autismo e da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Ao longo da formação, o participante será conduzido desde os fundamentos teóricos até a prática estruturada de avaliação, interpretação de dados e construção de programas de intervenção individualizados. Módulo 1 – Fundamentos da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) Princípios básicos da ABA aplicados ao autismo Comportamento verbal segundo B. F. Skinner Operantes verbais: mando, tato, ecoico e intraverbal Relação entre linguagem e aprendizagem Importância da avaliação comportamental no planejamento clínico Módulo 2 – Introdução ao VB-MAPP O que é o VB-MAPP e para que serve Diferença entre avaliação diagnóstica e avaliação funcional Estrutura geral do protocolo Aplicabilidade no autismo e no desenvolvimento infantil Validação e adaptação para o contexto brasileiro Módulo 3 – Estrutura e Organização do VB-MAPP Componentes do VB-MAPP Lógica dos níveis de desenvolvimento Diferença entre idade cronológica e idade de desenvolvimento Organização dos domínios comportamentais Integração entre avaliação, ensino e acompanhamento Módulo 4 – Avaliação de Marcos do Desenvolvimento Estrutura dos 170 marcos de aprendizagem Nível 1: 0 a 18 meses (habilidades iniciais) Nível 2: 18 a 30 meses (expansão do repertório verbal) Nível 3: 30 a 48 meses (complexidade e generalização) Avaliação dos principais domínios: Mandos (pedidos) Tatos (nomeação) Ecoico Intraverbal Comportamento de ouvinte Imitação motora Brincar independente Interação social Percepção visual e pareamento Habilidades acadêmicas iniciais Módulo 5 – Avaliação de Barreiras à Aprendizagem Identificação de obstáculos no desenvolvimento Principais barreiras avaliadas: Problemas de comportamento Dependência de ajuda e dicas Déficits de linguagem Baixa motivação Falhas de generalização Dificuldades sociais Comportamentos repetitivos e autoestimulação Sensibilidade sensorial Impacto das barreiras no processo de ensino Estratégias iniciais de intervenção Módulo 6 – Avaliação de Transição Critérios para progressão no desenvolvimento Preparação para ambientes educacionais menos restritivos Avaliação de: Habilidades sociais Participação em grupo Independência acadêmica Generalização de habilidades Adaptação a mudanças Uso do VB-MAPP no contexto escolar e no PEI Módulo 7 – Análise de Tarefas e Habilidades de Apoio Decomposição de habilidades complexas Sequenciamento de ensino Diferença entre habilidades de pré-requisito e habilidades de apoio Construção de repertórios funcionais Integração entre linguagem, cognição e interação social Módulo 8 – Procedimentos de Aplicação do VB-MAPP Preparação do ambiente de avaliação Observação direta e avaliação estruturada Uso de situações naturais e controle de variáveis Registro de dados baseado em evidências Organização das sessões de avaliação Cuidados éticos na aplicação Módulo 9 – Interpretação dos Resultados Leitura integrada dos dados Identificação de: Habilidades adquiridas Déficits e lacunas Áreas de maior potencial Barreiras que interferem na aprendizagem Construção do perfil comportamental do indivíduo Módulo 10 – Planejamento de Intervenção em ABA Definição de objetivos terapêuticos Construção de programas individualizados Priorização de habilidades funcionais Uso de reforçamento, modelagem e encadeamento Planejamento baseado em dados do VB-MAPP Módulo 11 – Uso Clínico e Tomada de Decisão Como utilizar os dados na prática clínica Ajustes no plano de intervenção Monitoramento da evolução Reavaliação e acompanhamento contínuo Integração com equipe multiprofissional Módulo 12 – Formação Profissional e Aplicação Prática Quem pode aplicar o VB-MAPP Importância da capacitação técnica Supervisão clínica Erros comuns na aplicação Ética na avaliação e intervenção Módulo 13 – VB-MAPP na Intervenção Precoce no Autismo Importância da avaliação precoce Desenvolvimento da linguagem e comportamento verbal Impacto da intervenção baseada em evidências Organização de programas terapêuticos eficazes Módulo 14 – Integração com Formação em ABA Relação entre VB-MAPP e prática clínica em ABA Articulação com programas de ensino Continuidade formativa Apresentação do Curso ABA 180 horas: Formação completa em Análise do Comportamento Aplicada Aplicação prática em intervenção no autismo Desenvolvimento profissional na área Resultado Esperado ao Final do Curso Ao concluir o curso, o aluno será capaz de: Aplicar o VB-MAPP de forma estruturada e segura Avaliar linguagem e comportamento verbal no autismo Identificar marcos do desenvolvimento e barreiras Interpretar dados de forma clínica e funcional Construir programas de intervenção individualizados Tomar decisões baseadas em evidências dentro da ABA
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Seja Bem-vindo ao Curso VB-MAPP
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Modulo 1
Este módulo introduz os princípios fundamentais da análise do comportamento, abordando conceitos como reforçamento, extinção, controle de estímulos e análise funcional. O aluno compreenderá o comportamento como resultado de contingências ambientais e será introduzido ao comportamento verbal conforme a proposta de Skinner.
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Protocolo VB-MAPP: Avaliação Comportamental Estruturada

O planejamento da intervenção a partir do VB-MAPP representa a transição entre a avaliação e a prática clínica propriamente dita. Após a identificação do repertório da criança, das lacunas de desenvolvimento e das barreiras à aprendizagem, torna-se necessário organizar essas informações em um plano de ensino estruturado, funcional e individualizado. Esse processo exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade clínica para priorizar objetivos que façam sentido na vida da criança.

Diferente de abordagens generalistas, o planejamento baseado no VB-MAPP se ancora em dados objetivos. Cada habilidade ensinada deve ter uma justificativa funcional, relacionada ao desenvolvimento da comunicação, da autonomia e da interação social. Isso garante que a intervenção não seja apenas uma sequência de exercícios, mas um processo de construção de repertórios significativos.

Nesse sentido, o planejamento não é um documento estático. Ele deve ser constantemente revisado, ajustado e reorganizado conforme a criança avança. A intervenção eficaz é aquela que acompanha o desenvolvimento e se adapta às mudanças observadas no repertório comportamental.

1. Definição de objetivos de ensino

A primeira etapa do planejamento consiste na definição dos objetivos de ensino. Esses objetivos devem ser derivados diretamente da avaliação realizada no VB-MAPP, considerando as habilidades ausentes ou em desenvolvimento. É fundamental que sejam claros, mensuráveis e funcionalmente relevantes.

Um erro comum na prática clínica é selecionar objetivos com base em listas genéricas ou sequências padronizadas, sem considerar o perfil individual da criança. O VB-MAPP permite evitar esse tipo de equívoco, pois organiza os marcos de desenvolvimento de forma hierárquica, facilitando a escolha de habilidades adequadas ao nível atual do indivíduo.

Além disso, os objetivos devem priorizar comportamentos que ampliem a comunicação funcional. Ensinar a criança a pedir, responder, nomear e interagir tem impacto direto na redução de comportamentos-problema e no aumento da autonomia.

Tabela 1 – Critérios para definição de objetivos Aplicação clínica
Clareza Objetivos descritos de forma objetiva e observável.
Mensurabilidade Possibilidade de avaliar progresso com dados.
Funcionalidade Relevância para o cotidiano da criança.

Fonte: elaborado com base em Sundberg (2008) e Martone (2017).

2. Organização dos programas de ensino

Após a definição dos objetivos, o próximo passo é organizar os programas de ensino. Cada programa deve detalhar como a habilidade será ensinada, incluindo os estímulos utilizados, as respostas esperadas, os critérios de acerto e os procedimentos de ensino.

A estruturação dos programas deve considerar o nível de suporte necessário para a criança. Em fases iniciais, pode ser necessário utilizar maior quantidade de ajuda, como prompts físicos ou modelagem. Com o avanço do repertório, esses auxílios devem ser gradualmente retirados, favorecendo a independência.

É importante também variar os contextos de ensino, garantindo que a habilidade não fique restrita a uma situação específica. A generalização é um dos principais objetivos da intervenção.

Tabela 2 – Componentes do programa de ensino Descrição
Estímulo antecedente Situação ou instrução apresentada à criança.
Resposta esperada Comportamento alvo a ser emitido.
Consequência Reforço ou correção após a resposta.

Fonte: elaborado com base em Skinner (1957) e Sundberg (2008).

3. Seleção de estratégias de ensino

A escolha das estratégias de ensino deve considerar o perfil da criança e os objetivos definidos. Diferentes estratégias podem ser utilizadas, como ensino por tentativas discretas, ensino naturalístico, modelagem, encadeamento e ensino incidental.

Não existe uma única estratégia correta. O mais importante é que o procedimento escolhido seja eficaz para aquela criança específica. Em muitos casos, a combinação de diferentes estratégias produz melhores resultados, permitindo maior flexibilidade na intervenção.

Além disso, a motivação deve ser constantemente considerada. O uso de reforçadores adequados aumenta a probabilidade de aprendizagem e favorece o engajamento da criança nas atividades propostas.

Tabela 3 – Estratégias de ensino em ABA Aplicação
Tentativas discretas Ensino estruturado com repetição e controle de estímulos.
Ensino naturalístico Aprendizagem em contextos naturais e funcionais.
Modelagem Reforço de aproximações sucessivas do comportamento alvo.

Fonte: elaborado com base em Cooper, Heron e Heward (2020).

4. Monitoramento e ajuste da intervenção

O planejamento da intervenção não se encerra com a definição dos programas. É fundamental monitorar continuamente o progresso da criança, registrando dados e avaliando a eficácia das estratégias utilizadas. O acompanhamento sistemático permite identificar avanços, dificuldades e necessidades de ajuste.

Quando a criança não apresenta progresso esperado, é necessário revisar o planejamento. Isso pode envolver a modificação de objetivos, a alteração de estratégias de ensino ou a introdução de novos reforçadores. A flexibilidade é uma característica essencial da prática baseada em evidências.

Esse processo garante que a intervenção permaneça eficaz e alinhada às necessidades da criança, evitando estagnação e promovendo avanços contínuos.

Tabela 4 – Monitoramento da intervenção Função
Registro de dados Avaliar desempenho ao longo do tempo.
Análise de progresso Identificar evolução ou dificuldades.
Ajustes no plano Modificar estratégias conforme necessidade.

Fonte: elaborado com base em Cooper, Heron e Heward (2020).

Referências

ANICETO, Gabriela; LAZZARINI, Fernanda Squassoni; GIL, Maria Stella Coutinho de Alcântara. VB-MAPP: levantamento do repertório de linguagem de quatro crianças pequenas com síndrome de down. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, 8., 2018. Anais […]. São Carlos: UFSCar, 2018.

COOPER, John O.; HERON, Timothy E.; HEWARD, William L. Applied behavior analysis. 3. ed. Hoboken: Pearson, 2020.

MARTONE, Maria Carolina Correa. Tradução e adaptação do Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program (VB-MAPP) para a língua portuguesa. 2017. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2017.

SKINNER, B. F. Verbal behavior. New York: Appleton-Century-Crofts, 1957.

SUNDBERG, Mark L. VB-MAPP: Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program. Concord: AVB Press, 2008.