Conteúdo do curso
Sumário do Curso de Pós Graduação em ABA
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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Módulo 13 – Farmacologia Aplicada ao Autismo
Aula de Conclusão
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Avaliação final do Curso
Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

Aula 11 – Conclusão do Módulo: Percurso Clínico entre VB-MAPP e ABLLS-R

1. Encerramento e retomada do percurso:

Olá alunos,  chegamos ao final deste módulo. Mais do que encerrar um conteúdo, este é um momento de organizar tudo aquilo que construímos juntos. Ao longo das aulas, percorremos um caminho que começa na avaliação e termina na intervenção, mas, sobretudo, aprendemos a pensar clinicamente.

Quando iniciamos este módulo, a primeira ideia que trabalhamos foi fundamental: avaliar não é apenas aplicar um protocolo. Avaliar é compreender o sujeito. É olhar para a criança não como um conjunto de respostas certas ou erradas, mas como alguém que está em processo de desenvolvimento, com habilidades, dificuldades e possibilidades de aprendizagem.

A partir desse ponto, entramos no VB-MAPP. E ali começamos a entender algo que muda completamente a forma de olhar para a linguagem: não basta a criança falar, é preciso compreender a função da fala. Trabalhamos os operantes verbais, diferenciando mando, tato, comportamento de ouvinte e intraverbal. Isso foi essencial para perceber que linguagem não é apenas repetir palavras, mas agir no mundo por meio delas.

Na sequência, exploramos a estrutura do VB-MAPP. Compreendemos que ele não é apenas um protocolo de avaliação, mas um sistema organizado que inclui marcos do desenvolvimento, barreiras, transição, análise de tarefas e planejamento. Essa organização nos mostrou que o instrumento já aponta caminhos, não apenas diagnósticos.

Quando avançamos para a interpretação dos resultados, entramos em um dos pontos mais importantes de todo o módulo. Porque interpretar não é olhar para números. Interpretar é identificar padrões, reconhecer lacunas, perceber o que está emergindo e o que ainda não está estabelecido. É nesse momento que o profissional deixa de ser um aplicador de protocolo e passa a ser um clínico.

Depois disso, trabalhamos o planejamento com base no VB-MAPP. E aqui ocorreu uma mudança importante: os dados deixaram de ser apenas informações e passaram a ser decisões. Aprendemos a definir prioridades, escolher o que ensinar primeiro, organizar objetivos e estruturar o ensino de forma progressiva. Esse movimento é essencial na prática em ABA.

Em seguida, ampliamos o olhar com o ABLLS-R. E essa foi uma transição muito importante dentro do módulo. Porque, até então, estávamos muito focados na linguagem. Com o ABLLS-R, passamos a olhar para a criança de forma mais ampla, incluindo autonomia, habilidades acadêmicas, comportamento de aprendizagem e vida diária.

Compreendemos que uma criança pode falar, mas ainda assim não ser independente. Pode responder perguntas, mas não conseguir se organizar, seguir instruções ou participar de atividades do cotidiano. Esse foi um ponto fundamental do módulo: diferenciar desempenho verbal de funcionalidade.

Ao estudar a estrutura do ABLLS-R, percebemos que ele oferece um nível de detalhamento maior. Ele nos permite olhar para pequenas habilidades que, muitas vezes, passam despercebidas, mas que fazem toda a diferença no dia a dia da criança. Isso nos levou a um planejamento mais preciso, mais concreto e mais conectado com a realidade.

Quando avançamos para a interpretação do ABLLS-R, retomamos algo que já havia aparecido no VB-MAPP, mas agora com mais complexidade: a necessidade de análise clínica. Porque o ABLLS-R não aponta barreiras de forma explícita. Ele exige que o profissional observe o desempenho, identifique padrões e compreenda o que está impedindo a aprendizagem.

Depois disso, entramos no planejamento com base no ABLLS-R. E aqui o foco se desloca ainda mais para a funcionalidade. Passamos a pensar em autonomia, rotina, participação social, comportamento de estudante. O planejamento deixa de ser apenas ensinar respostas e passa a ser ensinar a criança a viver com mais independência.

No aprofundamento prático, trabalhamos a organização da intervenção no dia a dia. Falamos sobre como distribuir objetivos, como equilibrar habilidades novas e já adquiridas, como observar sinais de dificuldade e como ajustar o ensino. Esse momento foi essencial para aproximar teoria e prática.

E então chegamos a um dos pontos mais importantes de todo o módulo: a integração entre VB-MAPP e ABLLS-R. Aqui, a pergunta deixou de ser “qual protocolo usar” e passou a ser “como utilizar os dois de forma complementar”. Compreendemos que o VB-MAPP nos ajuda a entender o início do desenvolvimento, especialmente na linguagem, enquanto o ABLLS-R nos ajuda a expandir esse desenvolvimento para a vida real.

Essa integração é o que permite uma prática mais completa. Porque uma criança não é apenas linguagem, nem apenas autonomia. Ela é um conjunto de repertórios que precisam ser desenvolvidos de forma articulada.

Ao longo dos estudos de caso, vimos situações muito comuns na clínica: crianças que falam, mas não utilizam a linguagem de forma funcional; crianças que respondem bem em sessão, mas não generalizam; crianças que apresentam avanços em um instrumento, mas dificuldades importantes em outro. Esses casos nos ensinaram a não confiar apenas em um recorte, mas a olhar para o todo.

E esse talvez seja o maior aprendizado deste módulo: o protocolo não substitui o clínico. Ele auxilia, organiza, orienta, mas quem interpreta, decide e conduz a intervenção é o profissional.

Ao chegar aqui, vocês não são mais apenas aplicadores de instrumentos. Vocês estão em processo de se tornarem profissionais capazes de analisar dados, construir planejamento e tomar decisões com base no repertório real da criança.

E é exatamente a partir desse ponto que avançamos para o próximo módulo.

2. Apresentação do próximo módulo:

No Módulo 6, entraremos em um tema central da prática clínica: a Gestão de Comportamentos Interferentes. Se neste módulo aprendemos a avaliar e planejar o ensino, no próximo vamos aprender a lidar com aquilo que muitas vezes impede esse ensino de acontecer.

Vamos compreender por que certos comportamentos surgem, qual função eles exercem e como podemos intervir de forma ética, técnica e eficaz. Trabalharemos análise funcional, estratégias de prevenção, ensino de comportamentos alternativos e organização do ambiente.

Porque não basta ensinar habilidades. É preciso também criar condições para que a aprendizagem aconteça.

Eu agradeço a presença de vocês ao longo deste módulo e espero que vocês levem esse aprendizado para a prática, para a clínica e para a vida. Nos vemos no próximo módulo.