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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

 

Aula 3 – Tipos de Estratégias de Ensino

Seja muito bem-vindo à terceira aula deste módulo. É uma satisfação dar continuidade ao nosso percurso formativo, aprofundando agora um aspecto essencial da prática pedagógica e clínica: os diferentes tipos de estratégias de ensino. Após compreendermos o que são estratégias e por que elas são fundamentais, chegamos a um momento decisivo, no qual passamos a diferenciar e reconhecer as diversas formas pelas quais o ensino pode ser conduzido.

É importante destacar, desde o início, que não existe uma única estratégia correta ou superior às demais. O que existe são diferentes possibilidades, cada uma com sua função, seu contexto de aplicação e seus efeitos no processo de aprendizagem. O domínio dessas estratégias permite ao profissional atuar com maior flexibilidade, sensibilidade e eficácia, adaptando o ensino às necessidades do aluno e aos objetivos propostos.

As estratégias de ensino podem ser organizadas em categorias que ajudam a compreender suas características e aplicações. Entre as principais, destacam-se as estratégias expositivas, ativas, colaborativas, investigativas, experienciais, reflexivas e tecnológicas. Cada uma delas desempenha um papel específico no processo de ensino-aprendizagem.

Caixa explicativa 1 – Ideia central da aula

Conhecer diferentes tipos de estratégias de ensino permite ao professor ou terapeuta escolher formas mais adequadas de conduzir a aprendizagem. A estratégia deve ser selecionada conforme o objetivo, o conteúdo, o repertório do aluno e o contexto de aplicação.

Fonte: Adaptado de Skinner (1968), Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019) e Cooper, Heron e Heward (2020).

Estratégias expositivas e estratégias ativas

As estratégias expositivas são aquelas centradas no professor. Nelas, o conteúdo é apresentado de forma direta, organizada e sequencial. São muito utilizadas na introdução de conceitos, na explicação de conteúdos teóricos e na organização inicial do conhecimento. Embora muitas vezes sejam criticadas, essas estratégias continuam sendo importantes quando utilizadas de forma adequada, objetiva e combinadas com outras abordagens.

O problema não está na exposição em si, mas no uso exclusivo e prolongado da exposição sem participação do aluno. Uma boa estratégia expositiva deve ser clara, breve, organizada e acompanhada de exemplos, perguntas, retomadas e verificação de compreensão. Quando bem utilizada, ela oferece base para que o aluno avance para atividades mais práticas e participativas.

Já as estratégias ativas colocam o aluno no centro do processo. O aprendizado ocorre por meio da participação, da experimentação, da resolução de problemas e da construção de respostas. O aluno deixa de ser apenas receptor de informações e passa a agir sobre o conteúdo. Esse tipo de estratégia favorece autonomia, pensamento crítico, engajamento e aplicação prática.

Tabela 1 – Estratégias expositivas e ativas

Tipo Característica Principal Exemplo de Aplicação Cuidado Necessário
Expositiva Transmissão direta e organizada de conteúdo. Explicar um conceito antes de propor uma atividade. Evitar passividade e excesso de fala do professor.
Ativa Participação direta do aluno na construção da aprendizagem. Resolver problemas, manipular materiais ou produzir respostas. Garantir orientação, objetivo claro e feedback.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Skinner (1968) e Cooper, Heron e Heward (2020).

Estratégias colaborativas e investigativas

As estratégias colaborativas são baseadas na interação entre os alunos. Elas promovem troca de ideias, construção coletiva do conhecimento e desenvolvimento de habilidades sociais. Trabalhos em grupo, debates, seminários, atividades em dupla e projetos coletivos são exemplos desse tipo de estratégia.

No contexto educacional e clínico, as estratégias colaborativas podem favorecer comunicação, escuta, flexibilidade, cooperação e resolução de conflitos. No entanto, precisam ser planejadas. Colocar alunos em grupo não garante aprendizagem colaborativa. É necessário definir papéis, organizar tarefas, orientar interações e avaliar a participação de cada aluno.

As estratégias investigativas estimulam curiosidade, formulação de perguntas e busca ativa por conhecimento. O aluno é incentivado a levantar hipóteses, pesquisar, comparar informações, construir respostas e justificar conclusões. Esse tipo de abordagem é essencial para o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento científico.

Caixa explicativa 2 – Atividade em grupo precisa de direção

A aprendizagem colaborativa não acontece apenas porque os alunos estão juntos. Ela exige organização de papéis, objetivos claros, mediação do professor e critérios de participação. Sem direção, o grupo pode favorecer dispersão ou desigualdade na participação.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019) e Wolf (1978).

Tabela 2 – Estratégias colaborativas e investigativas

Tipo Característica Principal Exemplo de Aplicação Benefício Esperado
Colaborativa Interação e construção coletiva. Trabalho em dupla, debate ou projeto em grupo. Desenvolvimento de comunicação e cooperação.
Investigativa Busca, pesquisa e elaboração de hipóteses. Pesquisar soluções para um problema apresentado em aula. Autonomia intelectual e pensamento científico.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Vygotsky (1978) e Skinner (1968).

Estratégias experienciais, reflexivas e tecnológicas

As estratégias experienciais baseiam-se na vivência. O aluno aprende fazendo, experimentando e refletindo sobre a prática. Simulações, dramatizações, jogos, atividades práticas, treino de habilidades, experimentos e estudo de situações reais são exemplos dessa abordagem. Elas são muito utilizadas em contextos clínicos e educacionais porque aproximam o ensino da vida real.

As estratégias reflexivas promovem elaboração subjetiva do conhecimento. O aluno é levado a pensar, analisar, revisar, comparar e construir sentido sobre o que aprendeu. Produção de textos, autoavaliação, discussão orientada, diário de aprendizagem e análise de situações são exemplos dessa categoria.

Por fim, as estratégias tecnológicas utilizam recursos digitais para ampliar as possibilidades de ensino. Vídeos, plataformas online, jogos digitais, aplicativos, recursos interativos e ambientes virtuais podem tornar o aprendizado mais dinâmico, desde que utilizados de forma intencional. A tecnologia, por si só, não garante aprendizagem. Ela precisa estar integrada a objetivos claros e mediação adequada.

Tabela 3 – Estratégias experienciais, reflexivas e tecnológicas

Tipo Característica Principal Exemplo de Aplicação Cuidado Necessário
Experiencial Aprendizagem pela prática e pela vivência. Simulações, dramatizações ou atividades práticas. Relacionar a vivência ao objetivo de ensino.
Reflexiva Análise crítica e construção de sentido. Autoavaliação, produção de texto ou discussão orientada. Evitar reflexão vaga sem direcionamento.
Tecnológica Uso de recursos digitais e interativos. Vídeos, plataformas online, aplicativos e jogos pedagógicos. Usar tecnologia como meio, não como fim.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Skinner (1968), Vygotsky (1978) e Cooper, Heron e Heward (2020).

Escolha e combinação de estratégias

A escolha da estratégia depende de diversos fatores, como o objetivo da aula, o conteúdo, o perfil dos alunos, o repertório inicial, o tempo disponível, os recursos existentes e o contexto de aplicação. Por isso, o professor precisa desenvolver a capacidade de analisar a situação e selecionar a abordagem mais adequada.

Outro ponto fundamental é a combinação de estratégias. Uma aula eficaz raramente utiliza apenas um tipo de abordagem. Ao integrar diferentes estratégias, o ensino se torna mais rico, dinâmico e capaz de atender às diferentes formas de aprendizagem. Por exemplo, uma aula pode iniciar com breve exposição, avançar para atividade prática, incluir discussão em grupo e finalizar com reflexão individual.

Caixa explicativa 3 – Combinar estratégias amplia a aprendizagem

Uma mesma aula pode integrar exposição, prática, colaboração e reflexão. Essa combinação permite apresentar o conteúdo, favorecer participação, aplicar o conhecimento e consolidar a aprendizagem.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Cooper, Heron e Heward (2020) e Wolf (1978).

Tabela 4 – Combinação de estratégias em uma aula

Etapa da Aula Estratégia Sugerida Objetivo Exemplo
Introdução Expositiva Apresentar o conceito central. Explicar o tema com exemplos simples.
Desenvolvimento Ativa ou colaborativa Favorecer participação do aluno. Resolver atividade em dupla ou grupo.
Aplicação Experiencial Aplicar o conteúdo em situação prática. Simular uma situação ou resolver problema real.
Reflexão Reflexiva Consolidar aprendizagem e construir sentido. Produzir síntese ou autoavaliação.
Ampliação Tecnológica ou investigativa Expandir o estudo para outros recursos. Pesquisar, assistir a vídeo orientado ou usar aplicativo.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Skinner (1968), Vygotsky (1978) e Cooper, Heron e Heward (2020).

Estudo de caso clínico-pedagógico

Uma professora percebe que seus alunos apresentam dificuldade em compreender um conteúdo teórico de ciências. Inicialmente, ela utiliza apenas aula expositiva, explicando o conceito no quadro e solicitando que os alunos copiem a definição. Apesar da explicação, muitos estudantes demonstram dificuldade em aplicar o conceito em exemplos práticos.

Ao observar a turma, a professora percebe que os alunos conseguem repetir algumas frases, mas não conseguem explicar o conteúdo com as próprias palavras. Alguns permanecem passivos, outros se distraem e poucos fazem perguntas. A professora compreende que a estratégia expositiva, embora útil para introduzir o tema, não estava sendo suficiente para promover compreensão profunda.

Diante disso, decide combinar estratégias. Inicia a aula com uma breve exposição, depois apresenta um estudo de caso, organiza os alunos em pequenos grupos para discutir possíveis explicações, utiliza um vídeo curto para ilustrar o fenômeno e finaliza com uma atividade reflexiva em que cada aluno escreve uma síntese do que compreendeu.

Com essa mudança, os alunos passam a participar mais ativamente. A discussão em grupo favorece troca de ideias; o vídeo ajuda na visualização do conteúdo; o estudo de caso aproxima a teoria da prática; e a síntese final permite que a professora avalie a compreensão individual.

Esse caso demonstra que a combinação de estratégias amplia as possibilidades de aprendizagem e torna o ensino mais eficaz. A dificuldade não estava apenas no conteúdo, mas na forma limitada como ele estava sendo apresentado. Ao diversificar as estratégias, a professora criou diferentes caminhos para a aprendizagem.

Tabela 5 – Análise do estudo de caso

Situação Observada Limitação Inicial Estratégia Integrada Resultado Esperado
Alunos repetiam definições, mas não compreendiam. Uso exclusivo da aula expositiva. Exposição breve seguida de estudo de caso. Melhor relação entre teoria e prática.
Baixa participação dos alunos. Poucas oportunidades de resposta ativa. Discussão em pequenos grupos. Maior engajamento e interação.
Dificuldade em visualizar o fenômeno. Explicação abstrata e pouco concreta. Uso de vídeo curto e recurso visual. Facilitação da compreensão.
Ausência de avaliação individual da compreensão. A professora não sabia quem havia compreendido. Síntese reflexiva individual. Avaliação mais precisa da aprendizagem.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Skinner (1968), Vygotsky (1978) e Wolf (1978).

Avaliação

  1. O que são estratégias expositivas?
  2. Qual é a principal característica das estratégias ativas?
  3. O que são estratégias colaborativas?
  4. Para que servem as estratégias investigativas?
  5. Dê um exemplo de estratégia experiencial.
  6. O que caracteriza uma estratégia reflexiva?
  7. Como a tecnologia pode ser usada no ensino?
  8. Por que combinar estratégias é importante?
  9. Qual é o papel do professor nesse contexto?
  10. Qual é o principal benefício de conhecer diferentes estratégias?

Gabarito comentado

Na primeira questão, o aluno deve explicar que estratégias expositivas são aquelas centradas no professor, nas quais o conteúdo é apresentado de forma direta, organizada e sequencial. Elas são úteis para introduzir conceitos e organizar informações iniciais.

Na segunda questão, espera-se que o aluno destaque que a principal característica das estratégias ativas é a participação direta do aluno no processo de aprendizagem. O aluno deixa de apenas ouvir e passa a resolver, experimentar, responder e construir conhecimento.

Na terceira questão, o aluno deve afirmar que estratégias colaborativas são aquelas baseadas na interação entre alunos. Elas envolvem trabalho em grupo, debates, atividades em dupla e construção coletiva do conhecimento.

Na quarta questão, espera-se que o aluno explique que estratégias investigativas servem para estimular pesquisa, curiosidade, formulação de hipóteses e autonomia intelectual. Elas favorecem a busca ativa por respostas.

Na quinta questão, o aluno pode citar simulações, dramatizações, atividades práticas, experimentos ou treino de habilidades como exemplos de estratégias experienciais, pois todas envolvem aprendizagem pela prática.

Na sexta questão, o aluno deve explicar que uma estratégia reflexiva se caracteriza pela análise crítica, pela construção de sentido e pela elaboração do conhecimento. Exemplos incluem autoavaliação, produção de texto e discussão orientada.

Na sétima questão, espera-se que o aluno indique que a tecnologia pode ser usada como recurso interativo e facilitador da aprendizagem, por meio de vídeos, plataformas, aplicativos, jogos pedagógicos e recursos digitais, desde que tenha objetivo claro.

Na oitava questão, o aluno deve explicar que combinar estratégias é importante porque amplia as possibilidades de aprendizagem, favorece diferentes formas de participação e atende melhor à diversidade de alunos e objetivos.

Na nona questão, espera-se que o aluno afirme que o papel do professor é selecionar, organizar, aplicar e adaptar estratégias conforme o objetivo, o conteúdo, o aluno e o contexto. O professor atua como mediador da aprendizagem.

Na décima questão, o aluno deve afirmar que o principal benefício de conhecer diferentes estratégias é tornar o ensino mais eficaz, flexível, consciente e adaptado ao contexto. Esse conhecimento amplia a capacidade de intervenção do profissional.

Encerramento da aula

Assim, compreender os diferentes tipos de estratégias de ensino é fundamental para uma prática pedagógica e clínica consciente. O professor que domina essas possibilidades consegue adaptar sua prática, atender melhor às necessidades dos alunos e construir experiências de aprendizagem mais ricas, participativas e significativas.

Nesta aula, vimos que cada estratégia possui função própria e que a combinação entre elas amplia a potência do ensino. Estratégias expositivas, ativas, colaborativas, investigativas, experienciais, reflexivas e tecnológicas não devem ser vistas como concorrentes, mas como recursos complementares no processo de aprendizagem.

Na próxima aula, avançaremos para o estudo das estratégias de ensino individualizado, aprofundando a importância da adaptação do ensino às necessidades específicas do aluno.

Referências Bibliográficas

Cooper, J. O.; Heron, T. E.; Heward, W. L. Applied behavior analysis. 3. ed. Hoboken: Pearson, 2020. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.pearson.com. Acesso em: 15 jun. 2026.

Hattie, J. Visible learning: a synthesis of over 800 meta-analyses relating to achievement. London: Routledge, 2009. DOI: 10.4324/9780203887332. Disponível em: https://doi.org/10.4324/9780203887332. Acesso em: 15 jun. 2026.

Mayer, R. E. et al. Applied behavior analysis. 3. ed. Upper Saddle River: Pearson, 2019. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.pearson.com. Acesso em: 15 jun. 2026.

Skinner, B. F. The technology of teaching. New York: Appleton-Century-Crofts, 1968. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.bfskinner.org. Acesso em: 15 jun. 2026.

Vygotsky, L. S. Mind in society: the development of higher psychological processes. Cambridge: Harvard University Press, 1978. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.hup.harvard.edu. Acesso em: 15 jun. 2026.

Wolf, M. M. Social validity: the case for subjective measurement or how applied behavior analysis is finding its heart. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 11, n. 2, p. 203-214, 1978. DOI: 10.1901/jaba.1978.11-203. Disponível em: https://doi.org/10.1901/jaba.1978.11-203. Acesso em: 15 jun. 2026.

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