Conteúdo do curso
Sumário do Curso de Pós Graduação em ABA
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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Módulo 13 – Farmacologia Aplicada ao Autismo
Aula de Conclusão
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Avaliação final do Curso
Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

Aula Extra – Manejo Prático de Comportamentos Interferentes no Cotidiano

1. Introdução:

Olá alunos,  nesta aula extra vamos trabalhar um material extremamente importante para a prática clínica: o manejo de comportamentos interferentes no cotidiano da criança, com foco em aplicação prática.

Diferente das aulas anteriores, que aprofundaram conceitos e técnicas, aqui vamos organizar o conhecimento em forma de orientação prática, voltada especialmente para pais, professores e profissionais que atuam diretamente com a criança no dia a dia.

O objetivo é simples, mas profundo: transformar conhecimento técnico em ação concreta.

2. Compreendendo o comportamento da criança

O primeiro ponto fundamental é compreender que todo comportamento tem uma função. Essa é uma das bases da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que orienta toda a prática clínica.

De acordo com a cartilha, antes de agir, o adulto deve se perguntar: “o que a criança quer com esse comportamento?” :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Tabela 1 – Funções dos comportamentos
Função Descrição
Atenção Busca interação ou resposta do outro
Fuga Evitar algo desagradável
Ganho de item Obter algo desejado
Sensorial Buscar ou regular estímulos
Fonte: Cartilha de comportamentos interferentes

Sem compreender a função, qualquer intervenção se torna superficial e ineficaz.

3. Estratégia central: Reforçamento positivo

A cartilha destaca o reforço positivo como uma das estratégias mais poderosas da ABA. Trata-se de oferecer algo valorizado pela criança imediatamente após um comportamento adequado.

Esse reforço pode ser material, social ou simbólico — e nem sempre precisa ser um objeto. Um elogio, um sorriso ou um abraço também são reforçadores eficazes. 

O ponto central aqui é a contingência: comportamento adequado seguido de consequência positiva aumenta a probabilidade de repetição.

4. Estruturação do ambiente: quadros de rotina

Outro ponto fundamental apresentado na cartilha é a organização do ambiente por meio de rotinas visuais. Crianças precisam de previsibilidade para se sentirem seguras.

Quadros de rotina ajudam a reduzir ansiedade, organizar o dia e diminuir comportamentos interferentes associados à imprevisibilidade.

Além disso, o uso de reforçadores ao final da rotina fortalece o comportamento de seguir atividades de forma estruturada.

5. Comunicação alternativa como prevenção de comportamento

A cartilha aponta que muitos comportamentos inadequados surgem por dificuldade de comunicação. Quando a criança não consegue pedir, ela reage.

O uso de sistemas como PECS permite que a criança substitua o comportamento problema por uma forma funcional de comunicação.

Isso muda completamente o cenário clínico: a criança deixa de reagir e passa a se comunicar.

6. Reforço diferencial como estratégia de substituição

Tabela 2 – Tipos de reforço diferencial
Técnica Definição
DRO Reforça ausência do comportamento problema
DRI Reforça comportamento incompatível
DRA Reforça comportamento alternativo
Fonte: Cartilha de comportamentos interferentes

Essas estratégias mostram que o foco não é eliminar comportamento, mas substituí-lo por algo funcional.

7. Extinção e consistência

A cartilha apresenta a extinção como a retirada do reforço do comportamento inadequado. Porém, destaca um ponto crucial: no início, o comportamento pode aumentar — fenômeno conhecido como explosão de extinção. 

Sem consistência, o processo falha. Com consistência, o comportamento enfraquece.

8. Ensino de habilidades funcionais

Por fim, a cartilha reforça que muitos comportamentos interferentes existem porque a criança não sabe o que fazer no lugar.

Ensinar habilidades como pedir ajuda, esperar, compartilhar ou lidar com frustração é essencial para reduzir comportamentos inadequados.

Esse é o ponto mais clínico de todos: comportamento não se elimina — se substitui.

9. Estudo de caso (integrado e ampliado)

Lucas, 4 anos, apresentava comportamento de jogar-se no chão sempre que queria um brinquedo. Os pais, diante da intensidade da reação, cediam rapidamente.

A análise indicou função de acesso ao item. A intervenção seguiu três passos:

  • Extinção do comportamento de birra (não ceder)
  • Ensino de pedido funcional
  • Reforçamento imediato do comportamento adequado

Inicialmente, houve aumento do comportamento (explosão de extinção). Com consistência, o comportamento reduziu e foi substituído por comunicação adequada.

Esse caso sintetiza toda a lógica da ABA aplicada ao cotidiano.

10. Questões (estilo ENEM – aprofundadas)

1. Por que compreender a função do comportamento é essencial antes de intervir?

Resposta comentada:
Porque o comportamento não ocorre ao acaso. Ele é mantido por consequências específicas. Intervir sem compreender a função pode reforçar ainda mais o comportamento.

2. Por que o reforço positivo é considerado uma estratégia central?

Resposta comentada:
Porque fortalece comportamentos adequados, aumentando sua frequência. A intervenção eficaz constrói repertório, não apenas reduz problemas.

3. Qual a relação entre comunicação e comportamento interferente?

Resposta comentada:
Quando a criança não consegue se comunicar, ela utiliza o comportamento como forma de expressão. Ensinar comunicação reduz comportamentos inadequados.

4. Por que a extinção pode gerar aumento inicial do comportamento?

Resposta comentada:
Porque a criança tenta recuperar o reforço perdido. Esse aumento é esperado e não indica falha, mas sim processo.

5. Qual o objetivo do ensino de habilidades substitutivas?

Resposta comentada:
Oferecer alternativas funcionais ao comportamento problema. Sem isso, o comportamento tende a reaparecer ou ser substituído por outro.

11. Fechamento:

Esta aula extra nos mostra que a ABA não é apenas técnica, mas prática aplicada à vida real. O comportamento da criança não muda apenas com intervenção clínica, mas com organização do ambiente, consistência e ensino funcional.

E é exatamente isso que transforma teoria em resultado.

Encerramos este módulo compreendendo que o treino parental é um dos pilares da intervenção em ABA. Ele garante consistência, generalização e continuidade do processo terapêutico.

A partir daqui, vocês estarão preparados para avançar no próximo módulo: intervençao precoce de forma mais aplicada e estratégica.