Peculiaridades do Transtorno do Espectro Autista em mulheres
Bem-vindos a mais uma aula do nosso curso de pós-graduação em Análise do Comportamento Aplicada. Eu sou o professor Márcio Gomes da Costa e, nesta aula, iremos aprofundar a compreensão das peculiaridades do Transtorno do Espectro Autista em mulheres. Este é um tema de grande relevância clínica, pois historicamente o diagnóstico do TEA esteve centrado em estudos realizados predominantemente com meninos, o que contribuiu para a subidentificação de muitas meninas, adolescentes e mulheres adultas dentro do espectro.
Compreender o TEA em mulheres não significa afirmar que existe um transtorno diferente, mas reconhecer que a manifestação clínica pode apresentar características específicas. Em muitos casos, os sinais aparecem de modo mais sutil, com maior uso de estratégias compensatórias, interesses restritos socialmente mais aceitos e dificuldades internas que nem sempre são percebidas por familiares, professores e profissionais.
Esse fenômeno tem impacto direto no atraso diagnóstico, no sofrimento emocional, no acesso tardio a intervenções e na construção da identidade. Muitas mulheres autistas relatam que passaram anos sendo vistas apenas como tímidas, sensíveis, ansiosas, perfeccionistas ou socialmente estranhas, sem que suas dificuldades fossem compreendidas como parte de uma condição do neurodesenvolvimento.
Na prática da ABA, reconhecer essas peculiaridades é essencial para não reduzir a avaliação apenas aos sinais mais evidentes. O profissional precisa observar o comportamento, mas também considerar o esforço de adaptação, os custos emocionais, a história de desenvolvimento, a presença de camuflagem social, os repertórios de enfrentamento e as dificuldades funcionais que podem não aparecer em observações breves.
Caixa explicativa 1 – Ideia central da aula
O TEA em mulheres pode apresentar sinais mais sutis, maior camuflagem social e interesses restritos menos reconhecidos como atípicos. Por isso, muitas meninas e mulheres recebem diagnóstico tardio ou passam anos sem suporte adequado.
Fonte: Adaptado de Lai et al. (2015), Loomes, Hull e Mandy (2017) e Hull et al. (2020).
Diferenças na apresentação clínica
As mulheres com TEA frequentemente apresentam um perfil clínico que pode ser menos evidente quando comparado ao observado em meninos. Os déficits na comunicação social podem estar presentes, mas muitas vezes são compensados por estratégias aprendidas, como imitação de comportamentos sociais, observação cuidadosa de colegas e ensaio de respostas esperadas.
A interação social pode parecer adequada em um primeiro contato, especialmente em ambientes estruturados. No entanto, ao longo do tempo, podem aparecer dificuldades para sustentar relações mais profundas, interpretar nuances sociais, lidar com conflitos, compreender intenções implícitas ou manter vínculos sem grande esforço emocional.
Os interesses restritos também podem ser menos reconhecidos. Enquanto alguns meninos apresentam interesses por temas considerados mais incomuns, algumas meninas podem desenvolver interesses intensos por literatura, animais, personagens, celebridades, arte, moda, psicologia, séries, histórias ou temas socialmente aceitos. O caráter restrito não está no tema em si, mas na intensidade, rigidez, frequência e impacto funcional desse interesse.
Tabela 1 – Peculiaridades clínicas do TEA em mulheres
| Aspecto clínico | Manifestação possível em mulheres | Risco diagnóstico | Implicação para avaliação |
|---|---|---|---|
| Comunicação social | Dificuldades sutis, mascaradas por imitação e esforço consciente. | Ser interpretada apenas como timidez ou introversão. | Investigar esforço social, exaustão após interações e histórico de dificuldades com pares. |
| Interesses restritos | Interesses intensos por temas socialmente aceitos. | O interesse pode não ser reconhecido como restrito ou rígido. | Avaliar intensidade, rigidez, frequência e impacto funcional do interesse. |
| Comportamentos repetitivos | Podem ser discretos, internalizados ou socialmente camuflados. | Passarem despercebidos em observações rápidas. | Investigar rotinas rígidas, padrões de controle e sofrimento diante de mudanças. |
| Sofrimento emocional | Ansiedade, exaustão social, isolamento e baixa autoestima. | Receber apenas diagnóstico de ansiedade ou depressão. | Investigar se os sintomas emocionais estão associados a dificuldades autísticas não reconhecidas. |
Fonte: Adaptado de Lai et al. (2015), Hull et al. (2020), Bargiela, Steward e Mandy (2016) e Loomes, Hull e Mandy (2017).
Camuflagem social
Um dos aspectos mais importantes na compreensão do TEA em mulheres é a camuflagem social. A camuflagem envolve estratégias utilizadas de forma consciente ou inconsciente para esconder, compensar ou minimizar dificuldades sociais. Essas estratégias podem incluir imitar colegas, ensaiar falas, copiar expressões faciais, forçar contato visual, memorizar roteiros sociais e observar cuidadosamente como outras pessoas se comportam.
A camuflagem pode permitir que a pessoa seja percebida como socialmente adaptada em situações superficiais. No entanto, geralmente possui alto custo emocional. Muitas mulheres relatam exaustão após interações, sensação de atuar constantemente, medo de errar socialmente e dificuldade para manter vínculos sem sobrecarga.
Do ponto de vista clínico, a camuflagem representa um desafio diagnóstico, pois pode ocultar sinais importantes do TEA. Por isso, a avaliação deve considerar não apenas o comportamento visível, mas também o esforço necessário para produzir aquele comportamento. Uma menina pode parecer socialmente funcional na escola e, ao chegar em casa, apresentar crises, esgotamento ou isolamento.
Caixa explicativa 2 – Camuflagem não é ausência de dificuldade
Quando uma mulher autista consegue parecer socialmente adequada, isso não significa que ela não tenha dificuldades. Muitas vezes, esse funcionamento aparente exige esforço intenso, vigilância constante e alto custo emocional. A avaliação clínica precisa considerar o que acontece antes, durante e depois das interações sociais.
Fonte: Adaptado de Hull et al. (2020), Lai et al. (2017) e Cage, Di Monaco e Newell (2018).
Tabela 2 – Estratégias de camuflagem social e impactos clínicos
| Estratégia de camuflagem | Descrição | Possível impacto emocional | Cuidados na avaliação |
|---|---|---|---|
| Imitação social | Copiar gestos, falas, expressões e comportamentos de colegas. | Sensação de atuar ou não ser autêntica. | Investigar se o comportamento social é espontâneo ou aprendido por esforço. |
| Ensaio de falas | Preparar previamente respostas, frases ou diálogos. | Ansiedade antecipatória e medo de errar. | Perguntar sobre preparação mental antes de situações sociais. |
| Forçar contato visual | Manter contato visual porque aprendeu que isso é esperado socialmente. | Desconforto, tensão e fadiga social. | Avaliar qualidade funcional do contato visual e não apenas sua presença. |
| Controle de expressões | Monitorar constantemente o rosto, o tom de voz e a postura. | Exaustão após interações e sensação de artificialidade. | Investigar cansaço posterior e necessidade de isolamento para recuperação. |
Fonte: Adaptado de Hull et al. (2020), Cage, Di Monaco e Newell (2018), Lai et al. (2017) e Bargiela, Steward e Mandy (2016).
Atraso no diagnóstico
O atraso no diagnóstico é uma das principais consequências das peculiaridades do TEA em mulheres. Muitas meninas passam pela infância sem receber uma avaliação adequada, sendo frequentemente descritas como quietas, obedientes, tímidas, sensíveis, maduras, perfeccionistas ou ansiosas. Essas descrições podem esconder dificuldades reais de comunicação social, flexibilidade e autorregulação.
Em alguns casos, meninas e mulheres recebem diagnósticos de ansiedade, depressão, transtornos alimentares ou transtornos de personalidade antes que o TEA seja considerado. Isso não significa que essas condições não possam existir. Pelo contrário, comorbidades são frequentes. O problema ocorre quando o quadro autístico de base permanece invisível, impedindo intervenções mais adequadas.
O diagnóstico tardio pode gerar sofrimento psíquico importante. Muitas mulheres relatam uma longa trajetória de sensação de inadequação, dificuldade em compreender suas próprias necessidades, baixa autoestima e tentativas constantes de se ajustar a expectativas sociais incompatíveis com seu funcionamento.
Tabela 3 – Fatores associados ao diagnóstico tardio em mulheres
| Fator | Como contribui para o atraso diagnóstico | Consequência clínica | Conduta profissional |
|---|---|---|---|
| Camuflagem social | Mascara dificuldades em contextos escolares e sociais. | Sinais podem não ser percebidos por adultos e profissionais. | Investigar esforço social, fadiga e histórico de adaptação forçada. |
| Interesses socialmente aceitos | Interesses intensos podem parecer comuns para idade e gênero. | O padrão restritivo pode ser negligenciado. | Avaliar intensidade, rigidez e impacto funcional. |
| Diagnósticos emocionais prévios | Ansiedade e depressão podem ocupar o centro da avaliação. | O TEA pode permanecer não reconhecido. | Investigar se sintomas emocionais decorrem de sobrecarga social e sensorial. |
| Expectativas sociais de gênero | Meninas podem ser mais pressionadas a se adaptar socialmente. | A dificuldade é interpretada como traço de personalidade. | Considerar história de desenvolvimento e relatos subjetivos. |
Fonte: Adaptado de Loomes, Hull e Mandy (2017), Bargiela, Steward e Mandy (2016), Hull et al. (2020) e Lai et al. (2015).
Aspectos emocionais e psicossociais
Mulheres com TEA frequentemente apresentam maior vulnerabilidade a sofrimento emocional. A dificuldade em compreender situações sociais, associada à tentativa contínua de adaptação, pode gerar ansiedade, isolamento, baixa autoestima, exaustão e sensação persistente de inadequação.
A camuflagem social pode intensificar esse sofrimento. O esforço para parecer socialmente adequada pode produzir sobrecarga emocional, especialmente quando a pessoa não recebe reconhecimento de suas dificuldades. Assim, a mulher pode funcionar aparentemente bem em ambientes externos e apresentar colapsos emocionais em casa ou em contextos seguros.
Outro aspecto relevante é a presença de comorbidades. Pesquisas indicam que mulheres autistas podem apresentar maior risco de ansiedade, depressão, transtornos alimentares e sofrimento relacionado à identidade. A avaliação clínica deve evitar abordagens fragmentadas, considerando o conjunto do funcionamento neurodesenvolvimental, emocional e social.
Caixa explicativa 3 – O sofrimento emocional pode esconder o TEA
Ansiedade, depressão e isolamento podem ser consequências de anos de camuflagem, incompreensão social e ausência de suporte. Em meninas e mulheres, é importante investigar se o sofrimento emocional está associado a dificuldades autísticas não reconhecidas.
Fonte: Adaptado de Cage, Di Monaco e Newell (2018), Hull et al. (2020) e Lai et al. (2015).
Tabela 4 – Aspectos emocionais e psicossociais em mulheres com TEA
| Aspecto | Manifestação possível | Risco clínico | Intervenção possível |
|---|---|---|---|
| Ansiedade social | Medo de errar, preocupação com julgamento e dificuldade em interações imprevisíveis. | Evitação social e isolamento. | Ensino de habilidades sociais, previsibilidade, autorregulação e suporte emocional. |
| Exaustão social | Cansaço intenso após interações sociais prolongadas. | Crises, retraimento ou queda de desempenho. | Planejamento de pausas, adaptação de demandas e ensino de autodefesa. |
| Baixa autoestima | Sensação de inadequação e comparação constante com pares. | Depressão e autocrítica intensa. | Psicoeducação, fortalecimento de identidade e metas funcionais realistas. |
| Comorbidades | Ansiedade, depressão ou transtornos alimentares associados. | Diagnóstico fragmentado e atraso no reconhecimento do TEA. | Avaliação interdisciplinar e plano integrado de cuidado. |
Fonte: Adaptado de Lai et al. (2015), Hull et al. (2020), Cage, Di Monaco e Newell (2018) e Hyman, Levy e Myers (2020).
Implicações para a ABA
Na ABA, o trabalho com meninas e mulheres autistas deve ser conduzido com sensibilidade clínica. O objetivo não deve ser ensinar a pessoa a camuflar ainda mais suas características, mas ampliar repertórios funcionais, favorecer comunicação, autonomia, autorregulação, autodefesa e qualidade de vida.
É importante diferenciar habilidade social de mascaramento. Ensinar habilidades sociais não deve significar obrigar a pessoa a parecer neurotípica o tempo todo. A intervenção ética busca ampliar possibilidades de participação social, respeitando limites sensoriais, necessidades de descanso, preferências individuais e formas próprias de comunicação.
Também é fundamental incluir psicoeducação, treino de identificação de emoções, reconhecimento de sobrecarga, planejamento de pausas, organização de rotinas, habilidades de comunicação assertiva e construção de estratégias para ambientes sociais e escolares. Em adolescentes e mulheres adultas, a escuta da experiência subjetiva é indispensável.
Tabela 5 – Cuidados em ABA no atendimento de meninas e mulheres com TEA
| Área de intervenção | Cuidado necessário | Exemplo de objetivo | Risco a evitar |
|---|---|---|---|
| Habilidades sociais | Ensinar participação social sem reforçar mascaramento excessivo. | Pedir pausa, iniciar conversa de interesse e reconhecer sinais de desconforto. | Treinar apenas aparência social neurotípica. |
| Autorregulação | Identificar sobrecarga sensorial e emocional. | Usar cartões de pausa ou estratégias de descanso após interação intensa. | Ignorar fadiga social e exigir desempenho contínuo. |
| Autodefesa | Ensinar a comunicar necessidades e limites. | Dizer “preciso de silêncio”, “não entendi” ou “quero ficar sozinha um pouco”. | Reforçar obediência social sem expressão de necessidades. |
| Identidade e psicoeducação | Ajudar a compreender o diagnóstico sem culpa ou vergonha. | Reconhecer pontos fortes, dificuldades e estratégias de suporte. | Tratar o TEA como defeito a ser escondido. |
Fonte: Adaptado de Cooper, Heron e Heward (2020), Hyman, Levy e Myers (2020), Hull et al. (2020) e Schreibman et al. (2015).
Estudo de caso
Mariana, 14 anos, apresenta bom desempenho escolar, leitura avançada e grande interesse por literatura, personagens de ficção e temas psicológicos. Na escola, mantém algumas amizades superficiais e costuma ser descrita como educada, reservada e responsável. Apesar disso, relata sentir grande dificuldade em compreender situações sociais mais complexas, principalmente quando há ironias, indiretas, conflitos entre amigas ou mudanças inesperadas nos planos.
Mariana conta que costuma ensaiar mentalmente suas falas antes de conversar com colegas, observa como outras meninas se vestem e se comportam e tenta copiar expressões faciais para parecer mais natural. Depois de dias com muitas interações sociais, chega em casa exausta, evita conversar com familiares e passa horas isolada no quarto. Recentemente, apresentou aumento de ansiedade, crises de choro e isolamento.
A família relata que Mariana sempre foi considerada “madura para a idade”, mas também muito sensível a críticas, seletiva em amizades e rígida em relação a mudanças. Quando suas rotinas de estudo ou descanso são alteradas, fica irritada e angustiada. Apesar de ter bom desempenho acadêmico, apresenta sofrimento intenso em trabalhos em grupo e eventos escolares.
Tabela 6 – Análise didática do estudo de caso
| Elemento do caso | Possível interpretação clínica | Relação com TEA em mulheres | Conduta em ABA |
|---|---|---|---|
| Bom desempenho escolar | Pode mascarar dificuldades sociais e adaptativas. | Meninas podem ser subidentificadas quando têm bom rendimento acadêmico. | Avaliar funcionamento social, emocional e adaptativo, não apenas notas. |
| Ensaiar falas e copiar colegas | Indica camuflagem social. | Estratégia frequente em meninas e mulheres autistas. | Ensinar habilidades sociais funcionais sem aumentar mascaramento prejudicial. |
| Exaustão após interações | Sugere alto custo emocional da adaptação social. | A camuflagem pode gerar fadiga, ansiedade e isolamento. | Planejar pausas, autorregulação e comunicação de limites. |
| Interesse intenso por literatura e personagens | Pode representar interesse restrito socialmente aceito. | Interesses femininos podem ser menos reconhecidos como restritos. | Usar interesses como motivadores e avaliar rigidez e impacto funcional. |
| Ansiedade e isolamento | Podem estar associados à sobrecarga social e à falta de suporte. | Comorbidades podem mascarar o TEA. | Integrar intervenção comportamental, psicoeducação e acompanhamento interdisciplinar. |
Fonte: Adaptado de Bargiela, Steward e Mandy (2016), Hull et al. (2020), Lai et al. (2015), Loomes, Hull e Mandy (2017) e Cooper, Heron e Heward (2020).
Questões reflexivas
- Quais características sugerem TEA no caso de Mariana?
- Qual é o papel da camuflagem social no caso?
- Por que o diagnóstico pode ter sido tardio?
- Quais aspectos emocionais devem ser considerados?
- Como a ABA pode contribuir sem reforçar mascaramento excessivo?
Gabarito comentado
Na primeira questão, as características que sugerem TEA incluem dificuldade em compreender situações sociais complexas, sofrimento em interações, rigidez diante de mudanças, interesses intensos, exaustão social e necessidade de ensaiar comportamentos sociais. Embora Mariana tenha bom desempenho escolar, há sinais importantes de dificuldade social, emocional e adaptativa.
Na segunda questão, a camuflagem social aparece quando Mariana ensaia falas, observa colegas, copia expressões e tenta parecer natural. Essas estratégias podem fazer com que suas dificuldades passem despercebidas, mas geram grande custo emocional, como fadiga, ansiedade e isolamento após interações.
Na terceira questão, o diagnóstico pode ter sido tardio porque Mariana apresenta bom desempenho acadêmico, mantém algumas relações superficiais e possui interesses socialmente aceitos. Esses fatores podem mascarar as dificuldades autísticas, levando adultos a interpretarem seu funcionamento como timidez, sensibilidade ou ansiedade.
Na quarta questão, devem ser considerados ansiedade, exaustão social, baixa autoestima, sensação de inadequação, isolamento e possível sofrimento decorrente de anos de adaptação forçada. Esses aspectos não devem ser tratados isoladamente, mas dentro de uma compreensão ampla do neurodesenvolvimento.
Na quinta questão, a ABA pode contribuir ensinando habilidades funcionais, comunicação assertiva, autodefesa, reconhecimento de emoções, planejamento de pausas, organização de rotinas e estratégias de participação social respeitosas. A intervenção não deve ensinar Mariana apenas a parecer “normal”, mas ajudá-la a funcionar melhor com menos sofrimento e mais autonomia.
Encerramento da aula
Encerramos esta aula destacando que reconhecer as peculiaridades do Transtorno do Espectro Autista em mulheres é fundamental para promover diagnósticos mais precisos, acolhimento adequado e intervenções realmente eficazes. A apresentação feminina do TEA pode ser mais sutil, marcada por camuflagem social, interesses socialmente aceitos e sofrimento emocional muitas vezes invisível.
Compreendemos que o atraso diagnóstico pode gerar impactos importantes na autoestima, na saúde emocional, nas relações sociais e no acesso a suportes. Por isso, o profissional precisa ampliar seu olhar clínico, considerando relatos subjetivos, história de desenvolvimento, fadiga social e estratégias compensatórias.
Para a ABA, o desafio é construir intervenções éticas, individualizadas e respeitosas, que ampliem habilidades sem reforçar mascaramento excessivo. O foco deve estar na comunicação funcional, na autonomia, na autorregulação, na autodefesa e na qualidade de vida.
Na próxima aula, abordaremos as alterações sensoriais no TEA, aprofundando a compreensão sobre a relação entre percepção, ambiente, comportamento e planejamento de intervenções.
Referências Bibliográficas
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