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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

Aula 5 – Esquemas de Reforçamento

Olá, aluno! Seja muito bem-vindo à Aula 5 do Módulo 3. Nesta aula, estudaremos os esquemas de reforçamento, um dos temas centrais da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Compreender esse conteúdo é fundamental, pois não basta saber que o reforço aumenta a probabilidade de um comportamento ocorrer novamente. É necessário compreender quando, como e com que frequência o reforço deve ser apresentado para favorecer aprendizagem, manutenção e generalização de habilidades.

De acordo com Skinner (1953), o reforço é uma consequência que aumenta a probabilidade futura de um comportamento. Quando uma criança pede ajuda de forma adequada e recebe apoio do terapeuta, essa consequência pode fortalecer o comportamento de pedir ajuda. No entanto, a forma como o reforço é entregue influencia diretamente a aquisição, a estabilidade e a resistência do comportamento à extinção.

Ferster e Skinner (1957) descreveram os esquemas de reforçamento como padrões organizados de apresentação do reforço. Esses esquemas ajudam o profissional a decidir se todas as respostas corretas serão reforçadas, se apenas algumas respostas receberão reforço ou se o reforço será liberado após determinado intervalo de tempo.

1. O que são esquemas de reforçamento?

Os esquemas de reforçamento são formas planejadas de organizar a entrega do reforço após a emissão de determinado comportamento. Eles indicam a relação entre a resposta emitida e a consequência reforçadora apresentada.

Na prática clínica e educacional, esses esquemas permitem ensinar novas habilidades, manter comportamentos já aprendidos e aproximar o processo de ensino das condições naturais da vida cotidiana. Por isso, sua escolha deve ser feita com cuidado, considerando o repertório do indivíduo, o objetivo da intervenção e o momento do processo terapêutico.

Caixa explicativa 1 – Por que estudar esquemas de reforçamento?

Os esquemas de reforçamento ajudam o profissional a planejar a entrega do reforço de forma mais eficiente. Eles favorecem a aprendizagem inicial, a manutenção de habilidades e a generalização dos comportamentos para contextos naturais.

Fonte: Adaptado de Ferster e Skinner (1957); Cooper, Heron e Heward (2020).

2. Reforço contínuo

O reforço contínuo ocorre quando cada ocorrência do comportamento desejado é reforçada. Esse esquema é especialmente útil no início do ensino, quando o objetivo é estabelecer uma nova habilidade.

Por exemplo, se uma criança está aprendendo a dizer “água” para solicitar água, o terapeuta pode reforçar todas as tentativas adequadas. Isso ajuda a criança a compreender rapidamente a relação entre a resposta emitida e a consequência obtida.

Embora seja muito importante na fase inicial da aprendizagem, o reforço contínuo não deve ser mantido indefinidamente. Quando o comportamento já estiver estabelecido, é necessário planejar a transição gradual para esquemas intermitentes.

3. Reforço intermitente

No reforço intermitente, nem todas as respostas corretas são reforçadas. O reforço ocorre apenas em algumas ocasiões, de acordo com critérios previamente definidos.

Esse tipo de esquema tende a tornar o comportamento mais resistente à extinção, pois o indivíduo aprende que nem sempre receberá reforço imediato, mas que continuar emitindo o comportamento ainda pode produzir consequências positivas.

Lattal (1996) destaca que os esquemas de reforçamento possuem grande relevância para a prática aplicada, especialmente porque influenciam a manutenção do comportamento em contextos naturais.

Tabela 1 – Principais esquemas de reforçamento

Esquema Descrição Exemplo clínico
Reforço contínuo Toda resposta correta é reforçada. A criança recebe elogio sempre que pede ajuda adequadamente.
Reforço intermitente Apenas algumas respostas são reforçadas. A criança recebe reforço em algumas ocasiões em que pede ajuda.
Razão fixa O reforço ocorre após número fixo de respostas. A cada cinco respostas corretas, a criança recebe reforço.
Razão variável O reforço ocorre após número variável de respostas. A criança recebe reforço após quantidades diferentes de respostas corretas.
Intervalo fixo O reforço ocorre após intervalo de tempo fixo. O reforço é disponibilizado após cinco minutos de participação.
Intervalo variável O reforço ocorre após intervalos de tempo variáveis. O reforço é entregue em tempos diferentes durante a atividade.

Fonte: Adaptado de Ferster e Skinner (1957); Cooper, Heron e Heward (2020).

4. Esquemas de razão

Os esquemas de razão são organizados com base no número de respostas emitidas. No esquema de razão fixa, o reforço é apresentado após uma quantidade definida de respostas.

Por exemplo, uma criança pode receber acesso a um brinquedo após realizar cinco tentativas corretas. Esse tipo de esquema pode produzir alta taxa de respostas, mas também pode gerar pequenas pausas logo após o recebimento do reforço.

No esquema de razão variável, o reforço é apresentado após um número variável de respostas. Esse modelo costuma produzir respostas mais persistentes, pois o indivíduo não sabe exatamente quando o reforço será entregue. Costa et al. (2024) ressaltam que os esquemas de reforçamento são fundamentais para compreender tanto comportamentos simples quanto padrões complexos de interação com o ambiente.

5. Esquemas de intervalo

Os esquemas de intervalo são organizados com base na passagem do tempo. No intervalo fixo, o reforço fica disponível após determinado período. Por exemplo, uma criança pode receber reforço pela participação adequada após cinco minutos de atividade.

No intervalo variável, o tempo necessário para a liberação do reforço muda de uma ocasião para outra. Esse esquema pode favorecer maior estabilidade do comportamento, pois o indivíduo continua respondendo ao longo do tempo sem depender de uma previsão exata sobre quando o reforço será apresentado.

Caixa explicativa 2 – Reforçar menos não significa abandonar

A transição do reforço contínuo para o intermitente deve ser gradual e planejada. O objetivo não é retirar o apoio de forma brusca, mas ensinar o indivíduo a manter o comportamento em condições mais próximas da vida cotidiana.

Fonte: Adaptado de Cooper, Heron e Heward (2020).

6. Esquemas de reforçamento no TEA

Na prática clínica com crianças com TEA, os esquemas de reforçamento precisam ser utilizados de maneira individualizada. No início do ensino de uma habilidade nova, o reforço contínuo costuma ser mais adequado, pois ajuda a estabelecer a relação entre comportamento e consequência.

Depois que a habilidade é adquirida, a equipe pode reduzir gradualmente a frequência do reforço, aproximando o ensino das condições naturais. Esse processo favorece a manutenção do comportamento e reduz a dependência de reforçadores artificiais.

Por exemplo, uma criança que está aprendendo a solicitar ajuda verbalmente pode receber reforço toda vez que pede ajuda de maneira funcional. Após a aquisição da habilidade, o reforço passa a ocorrer de forma intermitente, permitindo que o comportamento seja mantido em diferentes contextos.

Tabela 2 – Uso clínico dos esquemas de reforçamento

Objetivo terapêutico Esquema mais indicado Justificativa
Ensinar novo comportamento Reforço contínuo Facilita a aquisição inicial da habilidade.
Manter comportamento aprendido Reforço intermitente Aumenta a resistência à extinção.
Aumentar frequência de respostas Razão fixa ou variável Relaciona o reforço à quantidade de respostas.
Manter participação ao longo do tempo Intervalo fixo ou variável Relaciona o reforço à passagem do tempo.

Fonte: Adaptado de Lattal (1996); Cooper, Heron e Heward (2020).

7. Estudo de caso

Durante uma intervenção com uma criança com diagnóstico de TEA, a equipe iniciou o ensino da habilidade de pedir ajuda durante atividades pedagógicas. No início, toda tentativa adequada de pedir ajuda era imediatamente reforçada com atenção, apoio e elogio.

Após algumas semanas, a criança passou a pedir ajuda de forma mais consistente. Nesse momento, a equipe iniciou uma transição gradual para reforço intermitente. O comportamento continuava sendo valorizado, mas o reforço social passou a ocorrer de forma mais natural, semelhante ao que acontece em casa e na escola.

Com o tempo, a criança passou a solicitar ajuda em diferentes ambientes e com diferentes pessoas, demonstrando manutenção e generalização da habilidade. Esse caso mostra como os esquemas de reforçamento podem ser planejados para favorecer aprendizagem real e funcional.

8. Questões

  1. O que são esquemas de reforçamento?
  2. O que é reforço contínuo?
  3. Quando o reforço contínuo é mais indicado?
  4. O que é reforço intermitente?
  5. Por que o reforço intermitente aumenta a resistência à extinção?
  6. O que caracteriza um esquema de razão fixa?
  7. O que caracteriza um esquema de razão variável?
  8. Qual a diferença entre intervalo fixo e intervalo variável?
  9. Por que é importante reduzir gradualmente a frequência do reforço?
  10. Como os esquemas de reforçamento podem favorecer a generalização?

Gabarito comentado

Esquemas de reforçamento são formas planejadas de organizar quando e como o reforço será apresentado após determinado comportamento.

Reforço contínuo ocorre quando toda resposta correta é reforçada.

O reforço contínuo é mais indicado no início do ensino de uma nova habilidade.

Reforço intermitente ocorre quando apenas algumas respostas são reforçadas.

O reforço intermitente aumenta a resistência à extinção porque o indivíduo aprende que o reforço pode não ocorrer sempre, mas ainda pode acontecer.

Razão fixa é o esquema em que o reforço ocorre após um número determinado de respostas.

Razão variável é o esquema em que o reforço ocorre após um número variável de respostas.

No intervalo fixo, o reforço fica disponível após um tempo definido. No intervalo variável, esse tempo muda entre as ocasiões.

Reduzir gradualmente a frequência do reforço ajuda a evitar dependência de reforçadores contínuos e favorece a manutenção do comportamento.

Os esquemas de reforçamento favorecem a generalização ao aproximar o ensino das condições naturais da vida cotidiana.

9. Fechamento

Nesta aula, estudamos os principais esquemas de reforçamento utilizados na ABA. Compreendemos a diferença entre reforço contínuo e intermitente, além dos esquemas de razão fixa, razão variável, intervalo fixo e intervalo variável.

Também vimos que a escolha do esquema de reforçamento deve considerar o objetivo terapêutico, o momento da intervenção e as necessidades individuais da pessoa atendida. Quando utilizados de maneira ética, técnica e planejada, os esquemas de reforçamento favorecem aprendizagem, manutenção e generalização de habilidades.

Na próxima aula, estudaremos o reforçamento positivo em maior profundidade, compreendendo como ele pode ser utilizado para fortalecer comportamentos socialmente relevantes e promover aprendizagens significativas.

Referências Bibliográficas

Cooper, J. O.; Heron, T. E.; Heward, W. L. Applied behavior analysis. 3. ed. Hoboken: Pearson, 2020.

Costa, C. E.; Banaco, R. A.; Becker, R. M.; Luiz, A. C. M. Description, importance and research on schedules of reinforcement: explaining personality, ordering behaviors and clarifying feelings. Perspectivas em Análise do Comportamento, v. 15, n. 1, p. 125-145, 2024. DOI: 10.18761/pac7827927.

Ferster, C. B.; Skinner, B. F. Schedules of reinforcement. New York: Appleton-Century-Crofts, 1957.

Lattal, K. A. Recent reinforcement-schedule research and applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 29, n. 2, p. 213-230, 1996. DOI: 10.1901/jaba.1996.29-213.

Skinner, B. F. Science and human behavior. New York: Macmillan, 1953.