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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

Aula 5 – Estratégias de Ensino em Grupo

Seja muito bem-vindo à quinta aula deste módulo. É um prazer dar continuidade ao nosso percurso formativo, que vem se aprofundando progressivamente na prática do ensino e da intervenção. Após compreendermos o ensino individualizado, avançamos agora para outro eixo fundamental da aprendizagem: o ensino em grupo. Se, por um lado, o ensino individualizado reconhece a singularidade do sujeito, por outro, o ensino em grupo evidencia a importância da relação com o outro no processo de aprender.

Aprender não é um processo exclusivamente individual. A aprendizagem ocorre também por meio da interação, da troca, da observação, da cooperação e do confronto de ideias. O grupo, nesse sentido, não é apenas um conjunto de alunos reunidos no mesmo espaço, mas um ambiente de construção coletiva do conhecimento. É nesse espaço que o sujeito amplia sua compreensão, desenvolve habilidades sociais e aprende a se posicionar diante do outro.

As estratégias de ensino em grupo podem ser definidas como formas planejadas de organizar a aprendizagem por meio da interação entre os participantes. Diferentemente do ensino centrado exclusivamente no professor, o ensino em grupo promove a participação ativa dos alunos, incentivando o diálogo, a cooperação, a escuta e a construção conjunta de respostas.

Caixa explicativa 1 – Ideia central da aula

Estratégias de ensino em grupo organizam a aprendizagem a partir da interação entre os alunos. Elas favorecem troca de ideias, participação ativa, desenvolvimento de habilidades sociais e construção coletiva do conhecimento.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Cooper, Heron e Heward (2020) e Wolf (1978).

Fundamentos do ensino em grupo

Um dos principais benefícios do ensino em grupo é a possibilidade de troca de perspectivas. Cada aluno traz sua forma de pensar, sua experiência, seu repertório e sua compreensão do conteúdo. Ao compartilhar essas diferenças, o grupo enriquece o processo de aprendizagem. O conhecimento deixa de ser algo fixo, apresentado apenas pelo professor, e passa a ser construído também na relação entre os participantes.

Outro aspecto importante é o desenvolvimento de habilidades sociais. Ao participar de atividades em grupo, o aluno aprende a escutar, respeitar turnos, argumentar, negociar, cooperar, discordar de forma adequada e construir respostas em conjunto. Essas habilidades são fundamentais não apenas para o contexto escolar, mas para a vida em sociedade.

No entanto, é importante destacar que o ensino em grupo não acontece de forma espontânea. Ele precisa ser planejado e estruturado. Sem organização, o grupo pode se tornar disperso, desigual e pouco produtivo. Por isso, o papel do professor é fundamental como mediador desse processo, organizando as atividades, orientando os alunos e garantindo que todos tenham oportunidade de participação.

Tabela 1 – Principais estratégias de ensino em grupo

Estratégia Descrição Exemplo de Aplicação Objetivo
Discussão em grupo Troca de ideias sobre um tema previamente definido. Debater as possíveis soluções para uma situação-problema. Estimular argumentação e escuta.
Estudo de caso Análise coletiva de uma situação real ou simulada. Analisar um caso escolar envolvendo dificuldade de aprendizagem. Aproximar teoria e prática.
Aprendizagem colaborativa Construção coletiva do conhecimento com responsabilidade compartilhada. Produzir uma síntese em grupo, com cada aluno responsável por uma parte. Desenvolver cooperação e participação.
Seminários Apresentação e debate de conteúdo pelos alunos. Grupo apresenta um tema e responde perguntas da turma. Fortalecer comunicação e organização de ideias.
Problematização Resolução de problemas em grupo, com mediação do professor. Resolver uma situação matemática ou clínica em equipe. Desenvolver raciocínio e tomada de decisão.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Cooper, Heron e Heward (2020) e Wolf (1978).

O papel do professor no ensino em grupo

O papel do professor no ensino em grupo é diferente do ensino tradicional. Ele não é o centro absoluto da aula, mas um facilitador e mediador. Sua função é organizar as atividades, orientar os alunos, definir objetivos, garantir a participação de todos, intervir quando necessário e ajudar o grupo a manter o foco na tarefa.

Isso exige sensibilidade para perceber as dinâmicas do grupo. Alguns alunos podem assumir a liderança de forma excessiva, enquanto outros se mantêm passivos. Alguns podem apresentar dificuldade de escuta, outros podem evitar exposição. Cabe ao professor organizar a participação, distribuir papéis, estabelecer regras e criar condições para que o grupo seja um espaço de aprendizagem, e não apenas de convivência desorganizada.

Também é importante definir regras claras para o funcionamento do grupo. Respeito, escuta, participação, tempo de fala, cooperação e responsabilidade são elementos fundamentais para que a atividade seja produtiva. Além disso, a definição de papéis, como coordenador, relator, leitor, mediador ou apresentador, pode ajudar a organizar o trabalho e reduzir desigualdades de participação.

Caixa explicativa 2 – Grupo precisa de mediação

O ensino em grupo não se resume a colocar alunos juntos. Para que o grupo produza aprendizagem, é necessário planejamento, definição de papéis, regras claras, mediação do professor e avaliação da participação.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019) e Wolf (1978).

Tabela 2 – Organização do ensino em grupo

Elemento Função Exemplo Resultado Esperado
Objetivo claro Definir o que o grupo deve aprender ou produzir. Analisar um caso e propor duas estratégias de intervenção. Mais foco e direção.
Regras de participação Organizar escuta, fala e respeito entre os alunos. Cada aluno deve contribuir com pelo menos uma ideia. Maior equilíbrio na participação.
Definição de papéis Distribuir responsabilidades no grupo. Leitor, relator, mediador e apresentador. Organização do trabalho coletivo.
Mediação do professor Orientar, ajustar e manter o grupo na tarefa. Fazer perguntas, redirecionar e incentivar alunos silenciosos. Maior qualidade da aprendizagem.
Avaliação da participação Verificar se todos participaram e aprenderam. Registro individual após atividade em grupo. Evita que apenas alguns alunos realizem a tarefa.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Cooper, Heron e Heward (2020) e Wolf (1978).

Benefícios e desafios do ensino em grupo

Apesar dos desafios, os benefícios do ensino em grupo são significativos. Ele amplia a aprendizagem, desenvolve habilidades sociais, favorece comunicação, fortalece a argumentação e torna o processo mais dinâmico e significativo. O grupo permite que o aluno aprenda não apenas com o professor, mas também com os colegas.

Outro benefício importante é a diversidade de ideias. Quando diferentes alunos analisam uma mesma situação, surgem interpretações variadas, exemplos distintos e caminhos diversos de solução. Essa diversidade enriquece a aprendizagem e amplia a capacidade de pensar sobre o conteúdo.

Entretanto, um desafio comum é a desigualdade de participação. Alguns alunos tendem a participar mais, enquanto outros se mantêm passivos. Cabe ao professor criar estratégias para equilibrar essa participação, garantindo que todos tenham oportunidade de se envolver. Isso pode ser feito por meio de papéis definidos, perguntas direcionadas, tarefas individuais dentro do grupo e momentos de síntese pessoal.

Tabela 3 – Benefícios do ensino em grupo

Aspecto Resultado Exemplo Prático Impacto Esperado
Interação Ampliação do conhecimento. Alunos explicam diferentes formas de resolver um problema. Maior compreensão do conteúdo.
Cooperação Desenvolvimento social. Grupo divide tarefas para produzir uma apresentação. Melhora de responsabilidade compartilhada.
Participação Maior engajamento. Cada aluno contribui com uma ideia ou resposta. Redução da passividade.
Troca de ideias Construção coletiva. Debate sobre diferentes interpretações de um texto. Ampliação do pensamento crítico.
Diversidade Enriquecimento do aprendizado. Alunos trazem exemplos de suas experiências. Maior conexão entre conteúdo e realidade.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Cooper, Heron e Heward (2020) e Wolf (1978).

Caixa explicativa 3 – Participação precisa ser distribuída

Em atividades de grupo, alguns alunos podem dominar a fala, enquanto outros permanecem silenciosos. O professor precisa criar condições para que todos participem, aprendam e contribuam, evitando que o grupo esconda dificuldades individuais.

Fonte: Adaptado de Hattie (2009), Vygotsky (1978), Mayer et al. (2019) e Wolf (1978).

Estudo de caso clínico-pedagógico

Uma professora observa que seus alunos apresentam dificuldade em compreender um conteúdo teórico complexo. Inicialmente, ela utiliza apenas explicação expositiva, apresentando conceitos no quadro e solicitando que os alunos copiem as definições. Apesar de sua explicação ser clara, a turma demonstra baixo engajamento e pouca compreensão prática do conteúdo.

Durante as atividades, muitos alunos permanecem em silêncio, alguns copiam mecanicamente as respostas e outros demonstram dificuldade em relacionar a teoria com situações reais. A professora percebe que, embora os alunos estejam presentes fisicamente, poucos estão participando ativamente do processo de aprendizagem.

Ao modificar sua estratégia, a professora divide a turma em pequenos grupos e propõe a análise de um estudo de caso relacionado ao conteúdo. Cada grupo recebe uma situação concreta, discute possíveis explicações, organiza suas conclusões e apresenta para a turma. Durante a atividade, a professora circula entre os grupos, faz perguntas, incentiva alunos mais silenciosos e ajuda os grupos a manterem o foco.

A atividade também inclui papéis definidos: um aluno lê o caso, outro registra as ideias, outro organiza a apresentação e outro apresenta as conclusões. Essa divisão ajuda a equilibrar a participação e evita que apenas os alunos mais comunicativos assumam toda a tarefa.

Ao final, a professora percebe que os alunos compreenderam melhor o conteúdo e participaram de forma mais ativa. A discussão permitiu que os estudantes elaborassem respostas, ouvissem diferentes perspectivas e aplicassem a teoria a uma situação prática. O conteúdo deixou de ser apenas uma definição abstrata e passou a ser compreendido em contexto.

Esse caso demonstra que o ensino em grupo pode potencializar a aprendizagem quando bem estruturado. O grupo, por si só, não garante aprendizagem; mas, quando mediado com objetivos claros, papéis definidos e avaliação da participação, torna-se um recurso poderoso para ampliar repertórios acadêmicos, sociais e comunicativos.

Tabela 4 – Análise do estudo de caso

Situação Observada Limitação Inicial Estratégia Utilizada Resultado Esperado
Baixo engajamento durante explicação teórica. Aula centrada apenas na exposição do professor. Divisão da turma em grupos com estudo de caso. Maior participação ativa.
Dificuldade em aplicar conceitos. Conteúdo apresentado de forma abstrata. Análise de situações reais ou simuladas. Melhor conexão entre teoria e prática.
Participação desigual. Alguns alunos falavam mais que outros. Definição de papéis no grupo. Maior equilíbrio de participação.
Respostas copiadas e pouco elaboradas. Pouca oportunidade de construção coletiva. Discussão orientada e apresentação das conclusões. Maior elaboração e compreensão.

Fonte: Adaptado de Vygotsky (1978), Hattie (2009), Mayer et al. (2019), Cooper, Heron e Heward (2020) e Wolf (1978).

Avaliação

  1. O que são estratégias de ensino em grupo?
  2. Qual é a principal característica do ensino em grupo?
  3. Cite uma estratégia de ensino em grupo.
  4. Qual é o papel do professor nesse contexto?
  5. Quais habilidades são desenvolvidas no grupo?
  6. O ensino em grupo ocorre espontaneamente?
  7. Qual é um desafio comum dessa estratégia?
  8. Como organizar melhor o grupo?
  9. Qual é o principal benefício do ensino em grupo?
  10. O ensino em grupo substitui o individualizado?

Gabarito comentado

Na primeira questão, o aluno deve explicar que estratégias de ensino em grupo são formas planejadas de organizar a aprendizagem por meio da interação entre alunos. Elas envolvem troca de ideias, cooperação, participação e construção coletiva do conhecimento.

Na segunda questão, espera-se que o aluno destaque que a principal característica do ensino em grupo é a construção coletiva do conhecimento. O aluno aprende não apenas com o professor, mas também com os colegas e com as interações do grupo.

Na terceira questão, o aluno pode citar discussão em grupo, estudo de caso, aprendizagem colaborativa, seminário ou problematização como exemplos de estratégias de ensino em grupo.

Na quarta questão, espera-se que o aluno afirme que o professor atua como mediador e facilitador da aprendizagem. Ele organiza a atividade, define papéis, orienta os grupos, garante participação e intervém quando necessário.

Na quinta questão, o aluno deve indicar que o ensino em grupo desenvolve habilidades como comunicação, cooperação, escuta, argumentação, respeito, negociação e participação social.

Na sexta questão, espera-se que o aluno explique que o ensino em grupo não ocorre espontaneamente de forma eficaz. Ele precisa ser planejado, estruturado e mediado para que produza aprendizagem real.

Na sétima questão, o aluno deve identificar que um desafio comum é a desigualdade de participação, pois alguns alunos podem dominar a atividade enquanto outros permanecem passivos.

Na oitava questão, espera-se que o aluno afirme que o grupo pode ser melhor organizado por meio de regras claras, definição de papéis, objetivos bem delimitados, tempo de atividade e mediação do professor.

Na nona questão, o aluno deve explicar que o principal benefício do ensino em grupo é a ampliação da aprendizagem por meio da interação, da troca de ideias e da construção coletiva.

Na décima questão, espera-se que o aluno afirme que o ensino em grupo não substitui o ensino individualizado. Ele complementa, pois permite trabalhar participação social, comunicação e generalização em contexto coletivo.

Encerramento da aula

Assim, podemos concluir que as estratégias de ensino em grupo são fundamentais para o desenvolvimento do repertório escolar. Elas complementam o ensino individualizado, ampliando as possibilidades de aprendizagem e promovendo o desenvolvimento social, comunicativo e acadêmico.

O profissional que domina essas estratégias consegue criar ambientes de aprendizagem mais ricos, dinâmicos e participativos, contribuindo para uma formação mais completa do aluno. O grupo, quando bem mediado, torna-se um espaço potente de aprendizagem, convivência e construção compartilhada.

Na próxima aula, estudaremos as estratégias de ensino de habilidades acadêmicas, aprofundando como ensinar leitura, escrita e organização do pensamento de forma estruturada.

Referências Bibliográficas

Cooper, J. O.; Heron, T. E.; Heward, W. L. Applied behavior analysis. 3. ed. Hoboken: Pearson, 2020. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.pearson.com. Acesso em: 15 jun. 2026.

Hattie, J. Visible learning: a synthesis of over 800 meta-analyses relating to achievement. London: Routledge, 2009. DOI: 10.4324/9780203887332. Disponível em: https://doi.org/10.4324/9780203887332. Acesso em: 15 jun. 2026.

Mayer, R. E. et al. Applied behavior analysis. 3. ed. Upper Saddle River: Pearson, 2019. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.pearson.com. Acesso em: 15 jun. 2026.

Skinner, B. F. The technology of teaching. New York: Appleton-Century-Crofts, 1968. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.bfskinner.org. Acesso em: 15 jun. 2026.

Vygotsky, L. S. Mind in society: the development of higher psychological processes. Cambridge: Harvard University Press, 1978. DOI: não se aplica. Disponível em: https://www.hup.harvard.edu. Acesso em: 15 jun. 2026.

Wolf, M. M. Social validity: the case for subjective measurement or how applied behavior analysis is finding its heart. Journal of Applied Behavior Analysis, v. 11, n. 2, p. 203-214, 1978. DOI: 10.1901/jaba.1978.11-203. Disponível em: https://doi.org/10.1901/jaba.1978.11-203. Acesso em: 15 jun. 2026.

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