Conteúdo do curso
Sumário do Curso de Pós Graduação em ABA
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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Módulo 13 – Farmacologia Aplicada ao Autismo
Aula de Conclusão
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Avaliação final do Curso
Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

Aula 6 – Estratégias de Extinção (Análise Clínica e Explosão de Extinção)

1. Introdução:

Olá alunos, tudo bem com vocês? Eu sou a professora Bárbara e, na aula de hoje, vamos trabalhar um dos procedimentos mais sensíveis, complexos e frequentemente mal aplicados na prática clínica: a extinção.

Se nas aulas anteriores aprendemos a fortalecer comportamentos por meio do reforçamento, agora vamos compreender como reduzir comportamentos que estão sendo mantidos por reforço. No entanto, é fundamental deixar claro desde o início: extinção não significa ignorar simplesmente, não significa abandonar a criança e muito menos deixar de intervir.

A extinção é um procedimento técnico, baseado na retirada sistemática do reforço que mantém um comportamento. E, como veremos, quando mal compreendida, pode produzir efeitos contrários ao esperado.

2. O que é extinção?

A extinção ocorre quando um comportamento que antes era reforçado deixa de receber esse reforço, levando à redução gradual de sua frequência. Ou seja, o comportamento deixa de produzir o efeito que o mantinha.

Por exemplo, se uma criança grita para obter atenção e o adulto passa a não responder mais ao grito, o comportamento tende a diminuir ao longo do tempo, desde que não seja reforçado de nenhuma outra forma.

Tabela 1 – Estrutura do processo de extinção
Elemento Descrição Exemplo
Comportamento Resposta que vinha sendo reforçada Gritar
Reforço anterior Consequência que mantinha o comportamento Atenção do adulto
Mudança Retirada do reforço Adulto não responde ao grito
Resultado esperado Redução do comportamento Menos gritos ao longo do tempo
Fonte: Princípios da Análise do Comportamento Aplicada.

3. Explosão de extinção

Um dos fenômenos mais importantes e, ao mesmo tempo, mais desafiadores da extinção é a chamada explosão de extinção.

Quando o comportamento deixa de ser reforçado, é comum que ele aumente temporariamente em intensidade, frequência ou duração antes de diminuir. Isso ocorre porque a criança “tenta mais forte” obter o reforço que anteriormente funcionava.

Por exemplo, se uma criança chorava baixo e conseguia atenção, ao não receber mais resposta, pode passar a chorar mais alto, gritar ou até apresentar novos comportamentos, como bater ou se jogar no chão.

Tabela 2 – Características da explosão de extinção
Aspecto Descrição
Aumento de intensidade Comportamento mais forte
Aumento de frequência Mais repetições
Variabilidade Novas formas de comportamento
Fonte: Literatura clássica da ABA sobre extinção.

Esse momento é crítico, pois muitos adultos interpretam esse aumento como falha da intervenção e acabam cedendo. Quando isso acontece, o comportamento se fortalece ainda mais, tornando-se mais resistente à extinção no futuro.

4. Estudo de caso

Luiza, 5 anos, diagnóstico de TEA nível 2, apresentava comportamento frequente de gritar e puxar o braço da mãe sempre que queria atenção durante atividades domésticas. A mãe relatava que, ao perceber o comportamento, interrompia imediatamente o que estava fazendo para atender a filha, buscando evitar escalada emocional.

A análise funcional indicou que o comportamento tinha função clara de obtenção de atenção. Sempre que Luiza gritava ou puxava, a mãe respondia rapidamente, reforçando o comportamento de forma consistente.

A intervenção foi estruturada em dois eixos principais: retirada do reforço para o comportamento inadequado (extinção) e ensino de um comportamento alternativo (pedir atenção de forma adequada, como chamar pelo nome ou tocar de forma leve).

Nos primeiros dias de intervenção, observou-se uma explosão de extinção significativa. Luiza passou a gritar mais alto, chorar por mais tempo e intensificar o comportamento. Esse momento gerou grande angústia na mãe, que sentia que a situação estava piorando.

Com orientação adequada, a mãe foi treinada para manter consistência: não responder ao comportamento inadequado, mas responder imediatamente quando Luiza utilizava a forma adequada de comunicação, mesmo que com ajuda inicial.

Após esse período crítico, houve redução progressiva dos comportamentos inadequados e aumento do comportamento funcional. Luiza passou a buscar atenção de forma mais organizada, e a relação mãe-filha tornou-se mais previsível e menos reativa.

Esse caso evidencia que a extinção não atua isoladamente. Ela precisa estar associada ao ensino de novas habilidades e ao suporte emocional da família.

5. Questões

1. Durante a aplicação de extinção, o comportamento da criança aumenta em intensidade. Como esse fenômeno deve ser interpretado?

Resposta comentada:
Esse aumento caracteriza a explosão de extinção, um fenômeno esperado quando o reforço é retirado. A criança intensifica o comportamento na tentativa de recuperar o reforço anteriormente disponível.

Clinicamente, esse momento exige consistência do adulto. Se houver retorno do reforço nesse momento, o comportamento será fortalecido ainda mais, tornando-se mais resistente. Por isso, a compreensão desse fenômeno é essencial para a manutenção da intervenção.

2. Por que a extinção não deve ser utilizada de forma isolada?

Resposta comentada:
Porque a extinção apenas reduz o comportamento, mas não ensina o que deve ser feito no lugar. Sem ensino de repertório alternativo, a criança pode desenvolver outros comportamentos inadequados.

A intervenção eficaz combina extinção com reforçamento positivo de comportamentos adequados, garantindo substituição funcional.

3. Quais são os riscos de interromper a extinção durante a explosão?

Resposta comentada:
Interromper a extinção durante a explosão pode reforçar comportamentos mais intensos. Isso ocorre porque o comportamento mais forte é justamente o que produz o reforço.

Esse processo gera comportamentos mais resistentes, aumentando a dificuldade de intervenção futura. Por isso, a consistência é um elemento crítico.

4. Em que situações a extinção deve ser aplicada com cautela?

Resposta comentada:
Deve ser aplicada com cautela em comportamentos que envolvem risco físico, como autoagressão ou agressão a outros. Nesses casos, estratégias adicionais devem ser utilizadas.

Além disso, deve-se considerar o impacto emocional e a capacidade da família de manter consistência no processo.

5. Qual o papel do ensino de comunicação funcional na extinção?

Resposta comentada:
O ensino de comunicação funcional é essencial para substituir o comportamento inadequado. Ele permite que a criança continue acessando suas necessidades, mas por meios mais adaptativos.

Sem esse ensino, a extinção pode gerar frustração, desorganização emocional e surgimento de novos comportamentos problema.

6. Fechamento:

Nesta aula, compreendemos que a extinção é um procedimento potente, mas que exige conhecimento técnico, planejamento e consistência. Vimos que a explosão de extinção é um fenômeno esperado e que o sucesso da intervenção depende da manutenção da estratégia mesmo diante do aumento inicial do comportamento.

Na próxima aula, avançaremos para o estudo da modelagem de comportamentos, compreendendo como construir novas habilidades por meio de aproximações sucessivas.