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Aula Introdutória da Pós-graduação em ABA
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Pós-Graduação em ABA 360h – Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

A História do Autismo

Aula 2 – Epistemologia Histórica e Evolução do Constructo do TEA

A reconstrução histórica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) não se reduz a uma mera cronologia de publicações nosológicas; consubstancia-se como a arqueologia de um constructo clínico cuja delimitação epistemológica migrou progressivamente de eixos psicanalíticos e mentalistas para o paradigma das neurociências e da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Compreender as rupturas paradigmáticas que balizaram a transição entre o isolamento conceitual do autismo — outrora amalgamado às psicoses e esquizofrenias infantis — e a moderna concepção de uma condição dimensional do neurodesenvolvimento é imperativo para o analista do comportamento. Este domínio histórico resguarda a prática clínica contemporânea de retrocessos explicativos, extirpando a adoção de variáveis organocêntricas ou de hipóteses etiológicas desprovidas de sustentação empírica (American Psychiatric Association, 2022; Lai et al., 2014).

Sejam bem-vindos à nossa segunda unidade de aprofundamento científico. Neste módulo do programa de pós-graduação em ABA, esmiuçaremos as engrenagens históricas que moldaram os critérios de elegibilidade diagnóstica e as consequentes contingências de intervenção. A leitura crítica do passado revela como teorias etiológicas falaciosas — a exemplo da culpabilização parental — operaram como barreiras severas ao avanço de tecnologias de ensino eficazes, perpetuando o isolamento e o sofrimento ético de famílias inteiras. Ao mapear a evolução dos manuais diagnósticos (DSM e CID), o pós-graduando capacita-se a estruturar avaliações e intervenções transdisciplinares sob o ecossistema da prática baseada em evidências, operando com o rigor metodológico exortado pela ciência do comportamento (Hyman, Levy e Myers, 2020; Lord et al., 2020).

Caixa explicativa 1 – Ideia central da aula

A evolução do conceito de autismo demonstra que o refinamento das topografias comportamentais observadas — do “autismo infantil precoce” de Kanner à dimensionalidade do DSM-5-TR — redefiniu as contingências de controle ambiental. Superar as explicações psicodinâmicas permitiu que a ciência ABA operasse na manipulação direta de variáveis ambientais e funcionais, consolidando o autismo como uma ontogênese do neurodesenvolvimento responsiva a intervenções estruturadas.

Fonte: Adaptado de American Psychiatric Association (2022), Asperger (1944), Kanner (1943) e Lord et al. (2020).

Divergências seminais: As matrizes clínicas de Kanner e Asperger

A autonomização clínica do autismo operou-se na década de 1940 por meio de dois estudos independentes que, malgrado o isolamento geográfico e contextual de seus autores, convergiram na identificação de um padrão comportamental sindrômico inédito. Em 1943, o psiquiatra austro-americano Leo Kanner publicou seu célebre estudo descritivo de uma coorte de onze crianças, cunhando o termo “autismo infantil precoce”. Kanner isolou topografias marcadas por uma “extrema solidão autística” (autistic aloneness), uma “insistência obsessiva na mesmice” (anxiously obsessive desire for the preservation of sameness) e mutismo ou linguagem ecólica desprovida de intenção comunicativa social, hipotetizando uma incapacidade inata para o estabelecimento de contato afetivo biológico (Kanner, 1943; Lord et al., 2020).

Simultaneamente, em 1944, o pediatra austríaco Hans Asperger descreveu, sob a designação de “psicopatia autística”, um grupo de jovens que compartilhavam do isolamento interacional kanneriano, porém manifestavam uma preservação dos aspectos estruturais da linguagem e, frequentemente, escores cognitivos normais ou superiores à média, acompanhados de interesses idiossincráticos e circunscritos de altíssima intensidade (hiperfocos). Essa dicotomia histórica — que posteriormente cimentaria a distinção nosológica entre o Autismo de Kanner e a Síndrome de Asperger — gerou debates taxonômicos extensos ao longo de décadas, alimentando a falsa premissa de que tais manifestações constituíam entidades nosológicas qualitativamente distintas, em vez de polos de um mesmo continuum fenotípico (Asperger, 1944; Lai et al., 2014).

Tabela 1 – Matriz evolutiva dos marcos históricos e mutações conceituais do TEA

Período / Ano Marco Taxonômico e Científico Modelo Explicativo Dominante Impacto no Arranjo de Contingências Interventivas
1943 – 1944 Publicações seminais de Leo Kanner e Hans Asperger isolando o autismo da esquizofrenia. Incapacidade inata de base biológica para o contato afetivo e interacional. Institucionalização precoce, descrição estática de sintomas e ausência de propostas de reabilitação.
1950 – 1970 Ascensão da hipótese psicodinâmica da “Mãe-Geladeira” (Bettelheim). Mentalista/Psicogênico: O autismo como mecanismo de defesa contra a rejeição materna maternal. Psicoterapia não estruturada, culpabilização e punição social das famílias; atraso severo no avanço de tecnologias científicas.
1980 (DSM-III) Inclusão oficial do “Autismo Infantil” na categoria de Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. Neurobiológico / Descritivo Inicial: Reconhecimento do desvio crônico do desenvolvimento. Início da padronização de diagnósticos; emergência dos primeiros protocolos de modificação de comportamento (Lovaas).
1994 (DSM-IV) Fragmentação categorial: Transtorno Autista, Síndrome de Asperger, TGD Sem Outra Especificação. Neurobiológico Categorial: Tentativa de subdividir a variabilidade fenotípica em caixas nosológicas discretas. Expansão dos critérios de elegibilidade; dificuldades clínicas em delimitar as fronteiras entre as subcategorias.
2013 – 2022 (DSM-5 / TR) Unificação sob o constructo dimensional de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Neurobiológico Dimensional / Etiologia Multifatorial: Espectro contínuo com gradação por níveis de suporte. Planejamento individualizado centrado na avaliação funcional de habilidades e no manejo de níveis de suporte (1, 2 e 3) via ABA.

Fonte: Adaptado de American Psychiatric Association (1980, 1994, 2022), Asperger (1944), Bosa (2006) e Kanner (1943).

A derrocada do mentalismo psicodinâmico e a virada neurobiológica

O período subsequente às descrições seminais testemunhou um dos desvios mais deletérios da história da psicopatologia do desenvolvimento: a hegemonia do modelo psicogenético de matiz psicanalítica, popularizado por figuras como Bruno Bettelheim. Sob esse viés mentalista, formulou-se a nefasta teoria da “mãe-geladeira”, que asseverava que o autismo constituía um mecanismo de defesa psíquico ou uma resposta de esquiva ativa do infante face à suposta frieza emocional, rejeição inconsciente ou hostilidade de seus cuidadores primários. Essa conceituação espúria, desprovida de qualquer validação empírica ou controle metodológico, imputou uma pesada carga de culpabilização e estigmatização social sobre as famílias, desviando o foco investigativo do mapeamento de contingências ambientais e biológicas por quase três décadas (Bosa, 2006; Hyman, Levy e Myers, 2020).

A superação definitiva desse retrocesso científico operou-se mediante a convergência de dois movimentos robustos: a consolidação das pesquisas em genética do comportamento e neuroimagem — que demonstraram de forma inequívoca a etiologia multifatorial e neurobiológica do TEA — e o advento da Análise do Comportamento Aplicada. Ao rejeitar constructos internos inacessíveis e focar na relação funcional entre o organismo e seu ambiente, os pioneiros da ABA demonstraram experimentalmente que os déficits interacionais e os excessos comportamentais do espectro eram passíveis de modificação por meio da manipulação direta do arranjo de antecedentes e consequentes, inaugurando a era das práticas baseadas em evidências (Baer, Wolf e Risley, 1968; Dawson et al., 2010).

Caixa explicativa 2 – A perspectiva ético-histórica da neurodiversidade

A transição conceitual contemporânea incorporou o paradigma da neurodiversidade, que reposiciona o TEA não como um desvio absoluto da natureza humana a ser extirpado, mas como uma variação neurobiológica singular com modos próprios de processamento e existência. Sob o código de ética do analista do comportamento, essa mudança de mentalidade impõe que as metas interventivas sejam direcionadas à ampliação da autonomia, comunicação funcional e redução de comportamentos que acarretem dano físico ou exclusão social, rejeitando a imposição de uma normalização artificial baseada em estereótipos neurotípicos.

Fonte: Adaptado de Bosa (2006), Lord et al. (2020), Schreibman et al. (2015) e Wolf (1978).

Estudo de caso histórico-pedagógico

No início da década de 2010, Henrique, um infante de 5 anos de idade cronológica, foi submetido a um processo de avaliação diagnóstica em um centro clínico de orientação estritamente psicodinâmica tradicional. À época, Henrique exibia um atraso severo no desenvolvimento do operante ecoico e intraverbal, ausência total de iniciativa para engajar-se em atenção compartilhada ou brincar cooperativo com pares, e episódios frequentes de estereotipias motoras de alta frequência (flapping de mãos e balanço de tronco), acompanhados de desorganizações comportamentais disruptivas severas diante de mudanças na rotina. A equipe avaliadora, amparada por conceitos mentalistas, emitiu um diagnóstico de “psicose infantil com bloqueio afetivo por falha na simbiose materna”. Os profissionais justificaram as manifestações assinalando que os comportamentos de Henrique derivavam de um “mecanismo de defesa contra a ansiedade aniquiladora produzida por uma dinâmica familiar disfuncional e por uma postura materna excessivamente controladora e fria”. Com base nessa premissa, a família foi orientada a afastar Henrique de qualquer ambiente escolar estruturado e a submetê-lo a sessões de ludoterapia não diretiva de base psicanalítica duas vezes por semana, enquanto a mãe foi encaminhada para psicoterapia reparatória.

Decorridos três anos sob esse arranjo interventivo, os dados longitudinais revelaram um agravamento severo no perfil comportamental de Henrique: as barreiras de comunicação se cristalizaram, a taxa de respostas disruptivas evoluiu para heteroagressões direcionadas e os cuidadores encontravam-se em estado crônico de exaustão e sofrimento moral devido à culpabilização sistemática. Em 2015, já sob a vigência dos critérios operacionais unificados do DSM-5, a família buscou uma segunda opinião clínica em um núcleo especializado em ciências do comportamento. A equipe de analistas descartou imediatamente os constructos hipotéticos de “bloqueio afetivo” e “ansiedade aniquiladora”, submetendo Henrique a uma avaliação funcional experimental direta das topografias apresentadas.

A análise funcional comportamental demonstrou que o isolamento e as estereotipias de Henrique operavam sob controle de reforçamento automático positivo (regulação sensorial homeostática). As crises disruptivas diárias não eram sintomas de uma “psicose”, mas sim comportamentos mantidos por reforçamento negativo (fuga de demandas acadêmicas e ambientais aversivas) combinados com reforçamento positivo tangível (acesso a itens de preferência concedidos pelos pais para aplacar o choro). O atraso verbal foi identificado como um déficit severo na topografia de mands, mantido pela ausência de um ambiente que exigisse operantes vocais ou alternativos funcionais. Diante disso, Henrique foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista – Nível 3 de Suporte (Requerendo apoio muito substancial), eliminando-se qualquer atribuição de culpa à conduta emocional da mãe.

A reestruturação do plano terapêutico foi imediata e intensiva, totalizando 25 horas semanais de intervenção baseada em ABA. Implementou-se o Treino de Comunicação Funcional (FCT) por meio de um sistema robusto de Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA/PECS), ensinando Henrique a emitir mands funcionais para acessar seus reforçadores sem recorrer à agressividade. Utilizou-se o princípio de Extinção para as respostas disruptivas voltadas à fuga de demanda, combinado com o Reforçamento Diferencial de Comportamentos Alternativos (DRA). Os analistas conduziram um programa sistemático de Treinamento de Pais (parent training), capacitando a mãe e o pai a operar como coterapeutas e modificadores das contingências em ambiente doméstico. Após doze meses de intervenção analítico-comportamental, os gráficos de progresso documentaram a eliminação completa das heteroagressões, a emergência de mands independentes via CAA com vocabulário de mais de oitenta ícones e a reinserção bem-sucedida de Henrique na escola regular com o suporte de um aplicador de comportamento (AT) e um Plano Educacional Individualizado (PEI).

Tabela 2 – Contraste de paradigmas e redirecionamento analítico-comportamental no caso de Henrique

Comportamento Alvo Observado Abordagem Histórica Mentalista (2012) Formulação Científica ABA (2015) Estratégia de Intervenção Desenvolvida
Ausência de fala espontânea e recusa interacional com pares neurotípicos. “Bloqueio afetivo” e recusa inconsciente de comunicação gerada pelo trauma da rejeição materna. Déficit operante crônico nos repertórios verbais de mando, tato e ecoico por privação de contingências de treino eficazes. Introdução imediata de Comunicação Alternativa (CAA/PECS) aliada ao treino intensivo de mands por modelagem.
Heteroagressões severas e choro prolongado diante de demandas diárias. Manifestação sintomática de uma “personalidade psicótica” fragmentada pelo ambiente disfuncional. Comportamento operante socialmente mediado, mantido por reforçamento negativo (fuga/esquiva de tarefas). Treino de Comunicação Funcional (FCT) para o pedido de “pausa”, extinção de fuga e manejo de tolerância.
Estereotipias motoras (flapping) por períodos prolongados. Regressão psíquica a estágios primitivos do desenvolvimento egoico. Reforçamento Automático Positivo: Comportamento mantido pelo feedback sensorial autorregulatório intrínseco. Reforçamento Diferencial de Comportamentos Incompatíveis (DRI) através do ensino de habilidades motoras de brincar e AVDs.
Culpabilização e sofrimento agudo da mãe perante o quadro do filho. Validação da hipótese etiológica: A “mãe-geladeira” como causa geradora do adoecimento do infante. Efeito colateral aversivo de um diagnóstico iatrogênico mentalista; desamparo aprendido por falta de suporte técnico efetivo. Treinamento de Pais (parent training), inserção no processo terapêutico como agente modificador e manejo de acolhimento ético.

Fonte: Adaptado de American Psychiatric Association (2022), Baer, Wolf e Risley (1968), Bosa (2006) e Schreibman et al. (2015).

Questões dissertativas avançadas

  1. Discorra sobre as principais convergências e divergências topográficas existentes entre as descrições clínicas seminais de Leo Kanner (1943) e Hans Asperger (1944), explicitando como tais constructos foram unificados na modernidade.
  2. Demonstre, a partir de uma análise funcional-comportamental, os prejuízos de ordem metodológica e clínica que a hipótese mentalista da “mãe-geladeira” acarretou para a estruturação de práticas interventivas no século passado.
  3. Analise a transição nosológica operada entre o DSM-IV e o DSM-5/DSM-5-TR, justificando cientificamente a substituição do modelo categorial de Transtornos Invasivos do Desenvolvimento pela concepção dimensional de Espectro.
  4. Tendo como referência o histórico evolutivo do autismo, explique como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) operou uma guinada epistemológica ao substituir o tratamento focado na busca de causas internas pela manipulação de contingências ambientais.
  5. Avalie a relevância do conceito de validade social (Wolf, 1978) face ao surgimento histórico de abordagens terapêuticas não validadas ou prejudiciais às famílias no manejo do indivíduo inserido no TEA.

Gabaritos analíticos comentados

Na primeira questão, o pós-graduando deve pontuar que tanto Kanner quanto Asperger identificaram as alterações persistentes na reciprocidade social e a presença de interesses restritos e rígidos como o cerne da condição. Todavia, divergiam substancialmente na topografia da linguagem e cognição: Kanner avaliou crianças com severos déficits comunicativos precoces e ecolalias, enquanto Asperger focou em indivíduos com fala pedante e estruturalmente fluida, sem atraso cognitivo global. A unificação moderna sob o termo TEA reconhece que essas variações representam manifestações quantitativas e dimensionais de um mesmo espectro e não entidades biológicas distintas.

Na segunda questão, o estudante deve evidenciar que a teoria da “mãe-geladeira” pautou-se em um erro metodológico primário: a circularidade explicativa mentalista, inferindo que um constructo invisível (a “frieza inconsciente da mãe”) causava o sintoma observável. Clinicamente, esse modelo inviabilizou a análise de contingências, privando a criança do ensino de comportamentos verbais e operantes adaptativos, além de eliciar respostas de desamparo e sofrimento aversivo severo nos pais devido à falsa atribuição de culpa etiológica.

Na terceira questão, a resposta deve explicitar que o modelo categorial do DSM-IV criava barreiras artificiais (como a linha tênue e ambígua entre o Autismo de Alto Funcionamento e a Síndrome de Asperger), gerando falhas de confiabilidade diagnóstica entre avaliadores. A transição para o modelo dimensional do DSM-5 unificou as categorias sob o termo TEA, ancorando o diagnóstico em dois eixos nucleares e organizando a variabilidade fenotípica por meio de níveis de suporte (1, 2 e 3), o que reflete com maior fidedignidade a natureza neurobiológica contínua do transtorno.

Na quarta questão, o aluno deve articular que a ABA redirecionou radicalmente o eixo interventivo da psicopatologia ao demonstrar que o comportamento, independentemente de sua determinação orgânica atípica inicial, é sensível e modulado pelas consequências que produz no ambiente. Em vez de despender tempo clínico na perseguição de conflitos psíquicos ou traços imutáveis, a ABA instrumentalizou os profissionais a realizar avaliações funcionais diretas, permitindo a substituição de excessos comportamentais por repertórios adaptativos socialmente relevantes via reforçamento positivo.

Na quinta questão, o candidato deve fundamentar que a validade social atua como uma salvaguarda ética que afere se as metas, procedimentos e resultados de uma intervenção são de fato significativos, exequíveis e humanizados para o indivíduo e sua comunidade. Historicamente, o surgimento de tratamentos iatrogênicos ou ineficazes vicejou precisamente em virtude da ausência de critérios rigorosos de validade social e fidedignidade empírica. Na ciência ABA, a exigência de que os resultados promovam independência real e qualidade de vida assegura o respeito intransigente à dignidade e à autonomia do sujeito com TEA.

Encerramento e síntese pedagógica

Nesta segunda unidade letiva, percorremos a trajetória epistemológica do Transtorno do Espectro Autista, compreendendo como o refino dos métodos de observação e a superação de dogmas mentalistas pavimentaram o caminho para a consolidação das práticas contemporâneas baseadas em evidências. Desconstruímos equívocos históricos severos, compreendendo que o isolamento interacional e as barreiras de flexibilidade do indivíduo autista demandam uma leitura estritamente funcional e ambiental, isenta de culpabilizações e reducionismos.

A transição da taxonomia categorial para a dimensionalidade do espectro nos impõe a responsabilidade técnica de desenhar intervenções individualizadas, orientadas estritamente pelo nível de suporte e pela relevância social dos comportamentos a serem modelados.

Na próxima aula, adentraremos minuciosamente nos critérios diagnósticos atuais preconizados pelo DSM-5-TR e pela CID-11, esmiuçando os indicadores comportamentais e as diretrizes operacionais para a condução de um processo avaliativo analítico-comportamental robusto.

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