Conteúdo do curso
Atendimento Pré-Hospitalar no SAMU 192 para Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem [APH2026-5b66295d]

Aula 5 – REGULAÇÃO MÉDICA E COMUNICAÇÃO COM A CENTRAL DE REGULAÇÃO

Objetivo: Compreender e aplicar, dentro das competências profissionais e protocolos do serviço, os fundamentos e condutas relacionados a regulação médica e comunicação com a central de regulação no Atendimento Pré-Hospitalar.
CAIXA EXPLICATIVA – Princípio de segurança

No APH, a técnica deve ser executada somente quando houver indicação, competência legal, capacitação e respaldo do protocolo institucional. A avaliação e a reavaliação permanecem contínuas.

Fonte: Brasil. Lei nº 7.498/1986; Decreto nº 94.406/1987; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Conteúdo da aula

A Regulação Médica das Urgências constitui um dos elementos centrais da organização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU 192. Diferentemente de um serviço que apenas disponibiliza ambulâncias para transporte, o SAMU integra uma rede organizada de atenção às urgências, na qual as solicitações são recebidas, avaliadas e reguladas para definição da resposta mais adequada a cada situação. Nesse sistema, a comunicação entre as equipes móveis e a Central de Regulação das Urgências é indispensável. Técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, condutores socorristas e demais profissionais envolvidos precisam transmitir informações de maneira clara, objetiva e organizada. Uma comunicação inadequada pode dificultar a avaliação da gravidade, atrasar decisões e comprometer a continuidade do cuidado. 5.1 A Central de Regulação das Urgências A Central de Regulação das Urgências funciona como núcleo organizador das demandas recebidas pelo SAMU. A partir do acionamento pelo número 192, são obtidas informações sobre a ocorrência, localização, condição da vítima e características da situação. A solicitação passa pelo processo de regulação, no qual são avaliadas a natureza e a gravidade presumida da ocorrência e definida a resposta assistencial apropriada. Dependendo da situação e da estrutura disponível na região, a resposta poderá envolver orientação, envio de recurso móvel e articulação com outros componentes da rede de urgência. A regulação não termina necessariamente quando a ambulância é enviada. Durante o atendimento, novas informações podem modificar a compreensão inicial do caso. Por isso, a comunicação entre equipe móvel e Central deve ser mantida sempre que necessária. 5.2 Acionamento do SAMU O acesso público ao SAMU ocorre pelo telefone 192. Durante a ligação, é importante fornecer informações que permitam identificar corretamente o local e compreender o que está acontecendo. Endereço, pontos de referência, quantidade de vítimas, mecanismo do evento e condição aparente do paciente são exemplos de informações que podem ser necessárias. A qualidade dessas informações influencia a organização da resposta. Em determinadas situações, também pode ser necessária articulação com outros serviços, como Corpo de Bombeiros, forças de segurança ou unidades assistenciais. Em ocorrências com risco ambiental, violência ou múltiplas vítimas, essa integração assume importância ainda maior. 5.3 Despacho da equipe Depois da decisão regulatória, a equipe móvel selecionada recebe as informações disponíveis sobre a ocorrência. Esse processo é denominado despacho. A equipe deve conhecer, dentro das informações fornecidas, localização, natureza da ocorrência, número estimado de vítimas e possíveis riscos já identificados. Durante o deslocamento, essas informações auxiliam na preparação mental e operacional da equipe. Entretanto, os dados iniciais não substituem a avaliação realizada no local. Uma ocorrência inicialmente descrita como simples pode revelar um paciente grave, enquanto determinadas informações fornecidas pelo solicitante podem não corresponder exatamente à condição encontrada. Por isso, após chegar à cena e avaliar o paciente, a equipe pode precisar atualizar a Central. 5.4 Comunicação entre a ambulância e a Central A comunicação operacional deve ser objetiva. Mensagens excessivamente longas podem dificultar a compreensão das informações realmente importantes. Por outro lado, comunicações muito resumidas podem omitir dados essenciais. O profissional deve transmitir aquilo que possui relevância para a decisão clínica e operacional. Uma comunicação adequada pode incluir identificação geral do paciente, situação encontrada, queixa principal, mecanismo do trauma quando pertinente, nível de consciência, condições respiratórias e circulatórias, sinais vitais relevantes, intervenções realizadas e resposta apresentada. Também devem ser informadas alterações significativas ocorridas durante o atendimento ou transporte. 5.5 Passagem estruturada do caso A passagem do caso é um momento crítico da assistência. Informações obtidas pela equipe pré-hospitalar precisam chegar adequadamente aos profissionais que darão continuidade ao atendimento. A comunicação estruturada reduz o risco de esquecimento de informações relevantes. Existem diferentes ferramentas que podem auxiliar nesse processo. Entre elas estão os modelos SBAR e MIST. Esses instrumentos não substituem o raciocínio clínico. Sua função é organizar a transmissão das informações. O serviço deve utilizar o método estabelecido em seus protocolos ou instrumentos institucionais. 5.6 Comunicação pelo método SBAR O SBAR organiza a comunicação em quatro componentes: S – Situation, ou Situação: apresentação objetiva do problema atual. B – Background, ou Histórico: informações antecedentes relevantes para compreender o caso. A – Assessment, ou Avaliação: principais achados obtidos durante a avaliação. R – Recommendation, ou Recomendação: necessidade identificada, encaminhamento ou continuidade assistencial esperada. Como exemplo, em vez de transmitir uma grande quantidade de informações sem sequência definida, o profissional apresenta inicialmente o problema principal, depois os antecedentes pertinentes, informa os achados da avaliação e conclui com aquilo que precisa ser definido ou realizado. No atendimento pré-hospitalar, a aplicação deve ser adaptada às características da ocorrência e ao protocolo institucional. 5.7 Comunicação pelo método MIST O MIST é particularmente útil na organização de informações relacionadas ao trauma. A sigla pode ser compreendida da seguinte forma: M – Mechanism: mecanismo do trauma. I – Injuries: lesões identificadas ou suspeitas. S – Signs: sinais clínicos e parâmetros relevantes. T – Treatment: tratamentos e intervenções realizados. Imagine um paciente vítima de colisão automobilística. Em uma transmissão estruturada, a equipe informa primeiro como ocorreu o acidente, depois as principais lesões encontradas ou suspeitas, apresenta os sinais clínicos e, finalmente, relata as intervenções realizadas. Isso permite que a equipe receptora forme rapidamente uma visão organizada da situação. 5.8 Orientações da Regulação Médica A Regulação Médica pode fornecer orientações relacionadas ao atendimento e à organização do fluxo assistencial, respeitando as normas e protocolos aplicáveis. Durante uma ocorrência, a condição encontrada pela equipe pode ser diferente daquela inicialmente informada pelo solicitante. Nesses casos, a atualização da Central permite nova avaliação regulatória. O profissional de enfermagem deve transmitir dados objetivos e executar as ações que estejam dentro de sua competência profissional, observando legislação, protocolos e orientações pertinentes. É fundamental diferenciar orientação regulatória de autorização irrestrita para procedimentos. Nenhum profissional deve executar uma intervenção para a qual não possua competência legal, capacitação ou respaldo técnico. 5.9 Definição do destino do paciente Uma das funções importantes da regulação é organizar o encaminhamento do paciente dentro da rede assistencial. Nem todo paciente atendido pelo SAMU deve necessariamente ser encaminhado ao hospital mais próximo. O destino precisa considerar a condição clínica, os recursos necessários e a organização regional da rede. Pacientes com determinadas condições podem necessitar de unidades capazes de oferecer recursos específicos. Essa lógica procura evitar encaminhamentos inadequados e favorecer o acesso ao serviço compatível com a necessidade assistencial identificada. A equipe móvel deve seguir o fluxo definido pela regulação, mantendo comunicação quando ocorrer mudança significativa da condição clínica. 5.10 Comunicação durante o transporte A monitorização não termina quando o paciente entra na ambulância. Durante o transporte, o quadro pode melhorar, permanecer estável ou deteriorar-se. Alterações relevantes devem ser identificadas e, quando necessário, comunicadas à Regulação. A equipe deve continuar acompanhando sinais vitais, nível de consciência, condições respiratórias, circulação, dor, sangramentos e outros parâmetros pertinentes à situação. As intervenções realizadas durante o deslocamento também devem ser registradas. Em pacientes graves, a comunicação antecipada com o serviço receptor pode contribuir para que a unidade se prepare para a chegada, conforme os fluxos existentes. 5.11 Transferência do cuidado A responsabilidade assistencial não termina simplesmente quando a ambulância chega ao estabelecimento de saúde. É necessário realizar adequadamente a transferência do cuidado. A equipe receptora deve receber informações suficientes para compreender o que aconteceu desde o início do atendimento pré-hospitalar. Devem ser comunicados, conforme pertinência, o motivo do acionamento, condição encontrada na cena, mecanismo do trauma, antecedentes relevantes conhecidos, avaliações realizadas, sinais vitais, alterações durante o transporte, procedimentos executados, medicamentos administrados quando aplicável e resposta do paciente. Nesse momento, métodos estruturados como SBAR ou MIST podem contribuir para uma passagem mais segura. 5.12 Registro das informações A comunicação verbal não substitui o registro assistencial. As informações pertinentes ao atendimento devem ser documentadas nos instrumentos utilizados pelo serviço. O registro deve ser objetivo, legível quando realizado manualmente e compatível com aquilo que efetivamente ocorreu. Procedimentos não realizados não devem ser registrados como executados. Da mesma forma, informações relevantes não devem ser omitidas. Horários, sinais vitais, intervenções, medicamentos administrados, evolução clínica e outras informações exigidas pelo protocolo precisam ser registrados adequadamente. O registro possui valor assistencial, ético e legal e contribui para a continuidade do cuidado. 5.13 Comunicação segura como parte da assistência No atendimento pré-hospitalar, comunicar corretamente também significa cuidar. Uma equipe pode realizar tecnicamente as intervenções necessárias e, ainda assim, comprometer a continuidade da assistência se não transmitir adequadamente as informações. Por isso, a comunicação deve ser tratada como competência profissional. O técnico de enfermagem deve comunicar alterações identificadas ao enfermeiro e aos demais profissionais responsáveis conforme a organização da equipe. O enfermeiro, por sua vez, possui responsabilidade na avaliação e comunicação das informações relacionadas à assistência de enfermagem e na articulação necessária durante o atendimento. Todos devem utilizar linguagem clara, evitando informações imprecisas, julgamentos pessoais ou expressões que possam gerar interpretações ambíguas. A Regulação Médica das Urgências e a comunicação com a Central constituem, portanto, elementos essenciais do funcionamento do SAMU. Desde o acionamento pelo número 192 até a transferência definitiva do cuidado, existe uma sequência de informações e decisões que acompanha todo o percurso assistencial. Acionamento, despacho, avaliação da equipe, atualização da Central, orientação regulatória, definição do destino, transporte e transferência do cuidado fazem parte de um processo integrado. Ferramentas como SBAR e MIST ajudam a estruturar essa comunicação, mas sua eficácia depende da qualidade das informações transmitidas. Dessa maneira, compreender o funcionamento da Regulação Médica permite ao profissional de enfermagem reconhecer que o atendimento do SAMU não acontece de forma isolada dentro da ambulância. Ele integra uma rede de urgência na qual assistência, comunicação, regulação e continuidade do cuidado precisam funcionar de maneira articulada para proporcionar atendimento seguro ao paciente.

PARTE II – SEGURANÇA E ABORDAGEM INICIAL
CAIXA EXPLICATIVA – Aplicação prática

O conteúdo desta aula deve ser integrado à sequência segurança, avaliação, prioridade, intervenção, reavaliação, regulação, transporte e transferência do cuidado. Em procedimentos de maior complexidade, devem ser observadas as atribuições específicas do enfermeiro e do técnico de enfermagem.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Referências essenciais da aula

Brasil. Lei nº 7.498/1986; Decreto nº 94.406/1987; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

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