Conteúdo do curso
Atendimento Pré-Hospitalar no SAMU 192 para Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem [APH2026-5b66295d]

Aula 67 – Conferência da Viatura, Materiais, Medicamentos e Equipamentos

Objetivo: Compreender e aplicar, dentro das competências profissionais e protocolos do serviço, os fundamentos e condutas relacionados a conferência da viatura, materiais, medicamentos e equipamentos no Atendimento Pré-Hospitalar.
CAIXA EXPLICATIVA – Princípio de segurança

No APH, a técnica deve ser executada somente quando houver indicação, competência legal, capacitação e respaldo do protocolo institucional. A avaliação e a reavaliação permanecem contínuas.

Fonte: Brasil. Lei nº 7.498/1986; Decreto nº 94.406/1987; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Conteúdo da aula

A conferência da viatura é uma etapa fundamental da prática profissional no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. A ambulância precisa estar preparada para responder imediatamente às diferentes situações encontradas no atendimento pré-hospitalar. Uma ocorrência pode envolver desde uma condição clínica de menor complexidade até parada cardiorrespiratória, insuficiência respiratória grave, politraumatismo, choque, parto de emergência ou atendimento pediátrico. Por isso, a equipe deve iniciar o plantão conhecendo as condições da unidade móvel e verificando a disponibilidade e o funcionamento dos recursos necessários. A conferência não deve ser entendida como simples contagem de materiais. Ela envolve verificar presença, quantidade, integridade, validade, organização, funcionamento e disponibilidade operacional. Um equipamento presente na ambulância, mas sem bateria, danificado ou sem os acessórios necessários, não pode ser considerado efetivamente disponível. Da mesma maneira, possuir um medicamento não significa que ele esteja apto para utilização. É necessário verificar validade, integridade da embalagem, identificação e condições adequadas de armazenamento. A rotina deve seguir os protocolos institucionais, a legislação sanitária pertinente e as características de cada tipo de unidade móvel. Conferência no início do plantão A equipe que assume o plantão deve realizar a conferência da ambulância de acordo com o checklist estabelecido pelo serviço. O objetivo é identificar problemas antes que uma emergência aconteça. A conferência inicial deve considerar materiais de consumo, medicamentos, equipamentos, sistema de oxigênio, dispositivos para atendimento de vias aéreas, ventilação, circulação, trauma e demais recursos previstos para aquela unidade. Também devem ser observadas as condições de limpeza e organização do compartimento assistencial. Qualquer irregularidade identificada precisa ser comunicada e solucionada conforme os procedimentos institucionais. A lógica é: conferir antes de precisar. Descobrir durante uma parada cardiorrespiratória que determinado equipamento não funciona representa uma falha importante de segurança. Utilização de checklist O checklist é uma ferramenta importante para padronizar a conferência. A memória humana possui limitações, principalmente em ambientes de trabalho com múltiplas tarefas. Por isso, confiar exclusivamente na experiência do profissional pode favorecer esquecimentos. A lista de verificação deve ser compatível com a configuração da unidade. Um checklist pode contemplar: vias aéreas e ventilação → circulação → medicamentos → monitorização → trauma → curativos → obstetrícia → pediatria → equipamentos de proteção → oxigênio → materiais diversos. O profissional deve realizar a verificação efetiva. Marcar itens automaticamente sem confirmar sua presença ou funcionamento elimina a finalidade do instrumento. Materiais para vias aéreas Os recursos destinados ao manejo das vias aéreas precisam receber atenção especial, porque alterações respiratórias podem exigir intervenção imediata. A equipe deve verificar os dispositivos previstos para abertura e manutenção das vias aéreas conforme o nível de suporte da ambulância. Também precisam estar disponíveis materiais destinados à aspiração de secreções quando previstos. Máscaras, dispositivos de ventilação manual e acessórios devem ser conferidos quanto à disponibilidade e integridade. Os tamanhos disponíveis precisam contemplar a população atendida pela unidade, incluindo pacientes adultos e pediátricos quando aplicável. Materiais com embalagem violada, contaminados ou danificados não devem permanecer disponíveis para utilização. Sistema de oxigênio A disponibilidade de oxigênio medicinal deve ser verificada antes da liberação da unidade. A equipe precisa avaliar a quantidade disponível, funcionamento dos dispositivos relacionados e condições de fixação dos cilindros. Não basta verificar visualmente se existe um cilindro dentro da ambulância. É necessário confirmar se há quantidade suficiente para o atendimento e transporte previstos, considerando a possibilidade de ocorrências que exijam utilização prolongada. Cilindros devem permanecer adequadamente fixados, pois recipientes pressurizados podem representar risco importante em colisões ou movimentações bruscas. Fluxômetros, conexões e demais acessórios também precisam estar disponíveis e funcionantes. Dispositivos de ventilação O dispositivo bolsa-válvula-máscara deve estar disponível nos tamanhos previstos e em condições de uso. A equipe deve verificar integridade do material, presença dos componentes necessários e possibilidade de conexão ao sistema de oxigênio quando aplicável. Nas unidades que dispõem de equipamentos mais avançados para suporte ventilatório, estes também precisam ser conferidos conforme especificações do fabricante e protocolo institucional. Um equipamento respiratório sem circuito adequado ou sem energia suficiente pode tornar-se inutilizável justamente no momento de maior necessidade. Aspirador O sistema de aspiração deve ser testado. A simples presença do aspirador não garante funcionamento. A equipe precisa verificar fonte de energia, sistema de aspiração, conexões, frasco coletor e acessórios previstos. A aspiração pode ser necessária em pacientes com secreções, sangue ou vômitos comprometendo as vias aéreas. Portanto, falhas nesse equipamento podem produzir consequências graves. Depois de utilizado, o sistema deve passar pelo processamento indicado antes de retornar à disponibilidade. Monitor e desfibrilador Nas unidades que possuem monitor/desfibrilador, sua conferência é indispensável. A equipe deve verificar se o equipamento liga corretamente, apresenta carga adequada e dispõe dos acessórios necessários. Cabos, sensores, eletrodos e demais componentes precisam ser avaliados. Quando houver desfibrilador externo automático ou equipamento equivalente, devem ser observadas as condições operacionais e os consumíveis correspondentes. A bateria merece atenção especial. Um monitor perfeitamente conservado, porém descarregado, não estará disponível para utilização durante uma emergência. Quando houver bateria reserva, sua condição também deve ser verificada. Materiais relacionados à circulação Os materiais destinados ao estabelecimento e manutenção de acesso vascular devem estar organizados e disponíveis conforme protocolo. Devem ser verificados cateteres nos tamanhos utilizados pelo serviço, dispositivos de conexão, soluções previstas, materiais para antissepsia, fixação e demais componentes. Quando a unidade dispõe de dispositivos para acesso intraósseo, a conferência deve considerar o equipamento e seus componentes conforme indicação e capacitação profissional. Materiais vencidos ou com embalagem comprometida devem ser retirados. Medicamentos A conferência dos medicamentos exige atenção sistemática. Devem ser avaliados nome, apresentação, concentração, quantidade, validade, integridade da embalagem e condições de armazenamento. Medicamentos sujeitos a condições específicas de conservação precisam ser mantidos conforme as orientações aplicáveis. Também é importante observar medicamentos com nomes, embalagens ou apresentações semelhantes, pois podem favorecer erros durante situações de urgência. A organização deve permitir localização rápida sem comprometer a segurança. Medicamentos vencidos não devem permanecer misturados aos produtos disponíveis para uso. Quando houver medicamentos sujeitos a controle específico, devem ser seguidas as rotinas institucionais de armazenamento, conferência, registro e rastreabilidade. Materiais para controle de hemorragias e trauma As unidades devem possuir os materiais previstos para controle de sangramentos e assistência ao trauma. Curativos, compressas, bandagens e outros dispositivos devem ser conferidos conforme padronização do serviço. Quando torniquetes comerciais fizerem parte do protocolo, devem estar acessíveis e em condições de utilização. Os equipamentos destinados à movimentação e transporte também precisam ser inspecionados. Maca, dispositivos de transporte e materiais de restrição de movimento, quando previstos, devem apresentar integridade estrutural e sistemas de fixação funcionantes. Cintos danificados, travas defeituosas ou estruturas comprometidas representam risco de queda. Materiais pediátricos A assistência pediátrica exige equipamentos adequados ao tamanho da criança. Não é seguro presumir que todos os dispositivos destinados a adultos possam simplesmente ser utilizados em pacientes pediátricos. A unidade deve possuir os tamanhos previstos de máscaras, dispositivos de ventilação, materiais para acesso vascular, manguitos de pressão arterial e demais recursos padronizados. A organização dos materiais pediátricos deve facilitar sua localização, principalmente porque emergências envolvendo crianças podem gerar maior tensão operacional. Materiais obstétricos A equipe também precisa estar preparada para partos que ocorram antes da chegada ao serviço hospitalar. O conjunto obstétrico previsto pelo serviço deve ser conferido quanto à integridade, validade e completude. Materiais destinados aos cuidados iniciais da mãe e do recém-nascido precisam permanecer organizados. O equipamento para assistência neonatal previsto na unidade também deve ser verificado. Equipamentos de proteção individual Luvas, máscaras, proteção ocular, aventais e demais equipamentos de proteção previstos precisam estar disponíveis em quantidade suficiente. A ausência de EPI pode impedir uma abordagem segura. O estoque deve considerar não apenas o atendimento do paciente, mas também procedimentos de limpeza e situações envolvendo maior risco de exposição. Conferência após cada ocorrência A conferência não ocorre somente no início do plantão. Depois de cada atendimento, a equipe deve identificar o que foi utilizado e realizar reposição. Equipamentos devem ser limpos, desinfetados, reorganizados e novamente testados quando necessário. Materiais descartáveis precisam ser repostos. Medicamentos utilizados devem ser substituídos conforme fluxo institucional. O sistema de oxigênio deve ser novamente avaliado. Assim, cada ocorrência inicia um novo ciclo de preparação. Registro das irregularidades Quando um equipamento apresenta defeito ou falta material, o problema deve ser comunicado pelos canais definidos pelo serviço. Não é adequado simplesmente informar verbalmente a um colega e considerar a situação resolvida. Quando previsto, a irregularidade deve ser registrada para permitir rastreabilidade e providências de manutenção ou reposição. Equipamentos defeituosos devem ser identificados e retirados da disponibilidade assistencial conforme protocolo. Prontidão operacional Ao final da conferência, a equipe precisa determinar se a ambulância possui condições de retornar à operação. Uma sequência prática pode orientar essa decisão: conferir → contar → verificar validade → organizar → testar equipamentos → verificar oxigênio → repor materiais → registrar irregularidades → corrigir problemas → liberar a unidade. A conferência da viatura representa uma verdadeira barreira de segurança. Muitos problemas podem ser identificados antes de produzirem consequências para o paciente. No atendimento pré-hospitalar, não é suficiente possuir profissionais tecnicamente capacitados. Eles precisam encontrar, no momento necessário, os recursos adequados e funcionantes. A preparação da ambulância, portanto, faz parte do próprio atendimento. Antes mesmo do acionamento da ocorrência, a equipe já está contribuindo para o resultado assistencial quando confere cuidadosamente materiais, medicamentos e equipamentos e mantém a unidade em permanente condição de prontidão.

CAIXA EXPLICATIVA – Aplicação prática

O conteúdo desta aula deve ser integrado à sequência segurança, avaliação, prioridade, intervenção, reavaliação, regulação, transporte e transferência do cuidado. Em procedimentos de maior complexidade, devem ser observadas as atribuições específicas do enfermeiro e do técnico de enfermagem.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Referências essenciais da aula

Brasil. Lei nº 7.498/1986; Decreto nº 94.406/1987; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

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