Conteúdo do curso
Atendimento Pré-Hospitalar no SAMU 192 para Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem [APH2026-5b66295d]

Aula 3 – O QUE O TÉCNICO DE ENFERMAGEM PODE FAZER NO SAMU

Objetivo: Compreender e aplicar, dentro das competências profissionais e protocolos do serviço, os fundamentos e condutas relacionados a o que o técnico de enfermagem pode fazer no samu no Atendimento Pré-Hospitalar.
CAIXA EXPLICATIVA – Princípio de segurança

No APH, a técnica deve ser executada somente quando houver indicação, competência legal, capacitação e respaldo do protocolo institucional. A avaliação e a reavaliação permanecem contínuas.

Fonte: Brasil. Lei nº 7.498/1986; Decreto nº 94.406/1987; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Conteúdo da aula

O técnico de enfermagem exerce papel fundamental no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, participando diretamente da assistência prestada às pessoas em situações de urgência e emergência. Sua atuação ocorre principalmente nas equipes de Suporte Básico de Vida, mas sua participação na assistência deve sempre respeitar sua formação profissional, as normas do Conselho Federal de Enfermagem, os protocolos institucionais, a organização do serviço e a supervisão do enfermeiro. No atendimento pré-hospitalar móvel, é fundamental compreender que o técnico de enfermagem não atua de maneira independente em relação ao exercício da enfermagem. Ele integra uma equipe organizada e executa cuidados compatíveis com seu nível de formação e competência profissional. Isso significa que conhecer aquilo que pode executar é tão importante quanto reconhecer situações que precisam ser comunicadas ao enfermeiro, ao médico regulador ou aos demais profissionais responsáveis. 3.1 Atuação do técnico de enfermagem no Suporte Básico de Vida O Suporte Básico de Vida, conhecido pela sigla SBV, compreende medidas destinadas ao reconhecimento e atendimento inicial de condições que ameaçam a vida, utilizando recursos compatíveis com essa modalidade de assistência. Nas unidades de suporte básico do SAMU, o técnico de enfermagem participa da abordagem inicial, da avaliação do paciente, da realização de cuidados de enfermagem, da monitorização disponível, das medidas de suporte e da preparação para transporte. Sua atuação não deve ser interpretada como simples execução de procedimentos. O técnico precisa observar continuamente o paciente e reconhecer alterações que possam representar agravamento clínico. Durante um atendimento, por exemplo, o profissional pode identificar mudança do padrão respiratório, alteração da consciência, sangramento, convulsão, dor intensa, mudança da coloração da pele ou outros sinais relevantes. Essas informações precisam ser imediatamente comunicadas e registradas conforme o protocolo do serviço. 3.2 Participação na avaliação do paciente O técnico participa da obtenção de informações importantes para a avaliação inicial e acompanhamento do paciente. Entre essas informações estão os sinais vitais e outros parâmetros previstos nos protocolos assistenciais e disponíveis na unidade. Podem ser avaliados pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura, saturação periférica de oxigênio e outros dados pertinentes à situação. A avaliação não deve ficar restrita aos valores encontrados nos equipamentos. A observação clínica é indispensável. Um paciente pode apresentar deterioração clínica mesmo antes de determinadas alterações serem claramente demonstradas pelos equipamentos. Mudanças de comportamento, agitação, sonolência, dificuldade respiratória, sudorese, palidez ou redução da capacidade de responder adequadamente devem ser valorizadas. Os dados obtidos devem ser transmitidos de maneira objetiva à equipe responsável e à Central de Regulação quando necessário. 3.3 Oxigenoterapia A oxigenoterapia integra os recursos empregados no atendimento pré-hospitalar quando existe indicação clínica e previsão nos protocolos do serviço. O técnico de enfermagem pode participar da instalação e manutenção da oxigenoterapia dentro de suas atribuições e conforme os protocolos estabelecidos. Para isso, deve conhecer os dispositivos disponíveis na unidade, verificar o funcionamento do sistema e observar continuamente a resposta do paciente. A administração de oxigênio não deve ser considerada uma intervenção automática para todos os pacientes atendidos. Sua utilização precisa seguir indicação clínica e protocolo. Durante a assistência, devem ser observados o padrão respiratório, a saturação periférica quando disponível, a resposta clínica e possíveis alterações. Também compete à equipe manter atenção às condições dos cilindros, conexões, fluxômetros, máscaras e demais componentes do sistema, garantindo disponibilidade e segurança durante o atendimento. 3.4 Ressuscitação cardiopulmonar A parada cardiorrespiratória constitui uma das emergências de maior gravidade encontradas no atendimento pré-hospitalar. O técnico de enfermagem treinado participa diretamente das medidas de ressuscitação cardiopulmonar, realizando intervenções compatíveis com o Suporte Básico de Vida e com os protocolos adotados pelo serviço. A identificação rápida da ausência de resposta e da respiração normal, seguida pelo acionamento dos recursos necessários e início das medidas de ressuscitação, é determinante para organizar o atendimento. Durante a RCP, o técnico pode participar das compressões torácicas, ventilação com equipamentos apropriados, preparação e utilização dos recursos disponíveis e alternância entre os integrantes da equipe para manutenção da qualidade das compressões. O atendimento deve permanecer organizado, evitando interrupções desnecessárias das compressões. 3.5 Utilização do DEA O Desfibrilador Externo Automático, DEA, é um equipamento desenvolvido para analisar o ritmo cardíaco e, quando indicado pelo próprio aparelho, recomendar a aplicação de choque. O técnico de enfermagem capacitado pode utilizar o DEA no contexto do Suporte Básico de Vida, seguindo as orientações do equipamento e os protocolos assistenciais. Durante sua utilização, é necessário posicionar corretamente os eletrodos, permitir a análise do ritmo e garantir que ninguém esteja tocando no paciente durante a análise e, principalmente, durante a aplicação do choque. Após o choque, quando indicado pelo equipamento, as manobras de ressuscitação devem ser retomadas conforme protocolo. A utilização adequada do DEA demonstra a importância da capacitação permanente dos profissionais que atuam no atendimento pré-hospitalar. 3.6 Controle de hemorragias O técnico de enfermagem também participa do controle de hemorragias externas. Uma hemorragia importante pode levar rapidamente à instabilidade circulatória. Por isso, sua identificação e controle constituem prioridades no atendimento ao trauma. Entre as medidas empregadas estão técnicas de controle do sangramento previstas nos protocolos assistenciais, incluindo compressão direta e outros recursos apropriados à situação. Nos casos de hemorragias graves em extremidades, o uso do torniquete pode ser necessário quando indicado segundo protocolo e treinamento específico. Após o controle inicial, o paciente deve permanecer sob observação, pois existe possibilidade de recorrência do sangramento. 3.7 Curativos Ferimentos são ocorrências frequentes no atendimento pré-hospitalar. O técnico pode realizar cuidados e curativos compatíveis com sua formação e com os protocolos do serviço, buscando proteger a lesão, controlar sangramentos quando necessário e reduzir a exposição do ferimento durante o transporte. O objetivo do atendimento pré-hospitalar não é realizar tratamento definitivo da ferida. A prioridade é estabilizar o paciente e garantir condições adequadas para sua transferência até o serviço de referência. Por isso, manipulações desnecessárias devem ser evitadas. 3.8 Imobilizações Nos atendimentos envolvendo trauma, o técnico participa dos procedimentos de restrição de movimento e imobilização quando clinicamente indicados. Podem ser utilizados equipamentos específicos disponíveis na unidade, conforme a avaliação do paciente, o mecanismo do trauma e os protocolos vigentes. O profissional deve conhecer a técnica correta de utilização dos dispositivos, evitando movimentações desnecessárias e mantendo atenção permanente às condições clínicas do paciente. As medidas de imobilização não devem ser aplicadas mecanicamente a todos os pacientes traumatizados. A indicação deve considerar critérios clínicos e protocolos atualizados. 3.9 Transporte e acompanhamento O transporte é parte do atendimento e não apenas deslocamento entre o local da ocorrência e o hospital. Durante todo o percurso, o técnico deve acompanhar as condições do paciente, repetir avaliações quando necessário e comunicar imediatamente qualquer deterioração. Sinais vitais, nível de consciência, padrão respiratório, presença de sangramento e resposta às intervenções realizadas precisam ser acompanhados conforme a gravidade. Também é necessário garantir que equipamentos e dispositivos permaneçam adequadamente posicionados durante o deslocamento. A transferência do paciente ao serviço de destino deve incluir informações essenciais sobre a ocorrência, condição encontrada, alterações observadas e cuidados realizados. 3.10 Atuação sob protocolos e supervisão do enfermeiro A atuação do técnico de enfermagem no SAMU está inserida na organização do trabalho de enfermagem e deve respeitar os limites estabelecidos pela legislação profissional e pelas normas do sistema Cofen/Coren. O técnico não deve assumir atribuições privativas do enfermeiro ou executar procedimentos para os quais não esteja legalmente habilitado ou tecnicamente capacitado. Além da legislação profissional, sua prática deve observar os protocolos institucionais e a organização da Central de Regulação Médica das Urgências. Diante de situações que ultrapassem sua competência, o profissional deve comunicar a equipe responsável e seguir as orientações estabelecidas. Portanto, a atuação do técnico de enfermagem no SAMU envolve muito mais do que executar procedimentos isolados. Ele participa da avaliação, realiza cuidados de enfermagem compatíveis com sua competência, atua no SBV, participa da RCP e utilização do DEA, auxilia no controle de hemorragias, realiza cuidados com ferimentos, participa das medidas de imobilização e acompanha o paciente durante o transporte. A segurança dessa atuação depende da integração entre conhecimento técnico, treinamento permanente, protocolos assistenciais, comunicação com a equipe e respeito aos limites profissionais. No atendimento pré-hospitalar, saber reconhecer uma emergência, executar corretamente as medidas autorizadas e solicitar suporte diante de situações de maior complexidade constitui parte essencial da assistência prestada pelo técnico de enfermagem no SAMU.

CAIXA EXPLICATIVA – Aplicação prática

O conteúdo desta aula deve ser integrado à sequência segurança, avaliação, prioridade, intervenção, reavaliação, regulação, transporte e transferência do cuidado. Em procedimentos de maior complexidade, devem ser observadas as atribuições específicas do enfermeiro e do técnico de enfermagem.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Referências essenciais da aula

Brasil. Lei nº 7.498/1986; Decreto nº 94.406/1987; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

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