Conteúdo do curso
Atendimento Pré-Hospitalar no SAMU 192 para Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem [APH2026-5b66295d]

Aula 24 – PRANCHA LONGA, MACA SCOOP E DEMAIS DISPOSITIVOS DE MOVIMENTAÇÃO

Objetivo: Compreender e aplicar, dentro das competências profissionais e protocolos do serviço, os fundamentos e condutas relacionados a prancha longa, maca scoop e demais dispositivos de movimentação no Atendimento Pré-Hospitalar.
CAIXA EXPLICATIVA – Princípio de segurança

No APH, a técnica deve ser executada somente quando houver indicação, competência legal, capacitação e respaldo do protocolo institucional. A avaliação e a reavaliação permanecem contínuas.

Fonte: National Association of Emergency Medical Technicians. PHTLS: Prehospital Trauma Life Support. 9. ed., 2020; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002.

Conteúdo da aula

Os dispositivos de movimentação são recursos utilizados no atendimento pré-hospitalar para facilitar a retirada, transferência e transporte do paciente, especialmente nas ocorrências traumáticas. Prancha longa, maca scoop, maca de transporte e outros equipamentos possuem finalidades específicas e devem ser utilizados conforme avaliação clínica, características da ocorrência, treinamento da equipe e protocolos institucionais. No atendimento contemporâneo ao trauma, é importante diferenciar um dispositivo utilizado para movimentação ou extricação daquele empregado como parte de uma estratégia de restrição do movimento da coluna. A simples ocorrência de um trauma não determina automaticamente que o paciente precise permanecer sobre uma superfície rígida durante todo o transporte. A equipe do SAMU deve conhecer as indicações e limitações dos equipamentos disponíveis, empregando-os de forma criteriosa e segura. O objetivo não é utilizar o maior número possível de dispositivos, mas escolher aqueles necessários para movimentar o paciente com segurança e reduzir manipulações desnecessárias. 24.1 Avaliação antes da escolha do dispositivo Antes de selecionar um equipamento, a equipe deve avaliar o paciente pelo XABCDE e compreender a finalidade da movimentação. É necessário identificar se o paciente precisa ser retirado do solo, removido de local de difícil acesso, transferido para a maca da ambulância ou submetido a alguma forma de restrição de movimento. Também devem ser considerados peso, altura, presença de fraturas, objetos empalados, alterações neurológicas e condições do ambiente. A escolha inadequada pode dificultar o atendimento e produzir movimentações adicionais. Por isso, sempre que a situação permitir, o equipamento deve ser preparado antes da movimentação. 24.2 Prancha longa A prancha longa é um dispositivo rígido amplamente conhecido no atendimento ao trauma. Pode ser confeccionada em materiais resistentes e possuir aberturas ou pontos destinados à fixação e ao transporte. Uma de suas principais utilidades é auxiliar na extricação e transferência de determinados pacientes. Ela pode facilitar a retirada de uma vítima encontrada no solo ou em situações nas quais seja necessário um suporte rígido temporário. Entretanto, a prancha longa não deve ser considerada obrigatoriamente como superfície para permanência prolongada de todo traumatizado. Sua utilização deve estar vinculada a uma finalidade assistencial definida. 24.3 Preparação da prancha longa Antes do uso, deve-se verificar a integridade do equipamento. Fissuras, deformidades, cintos danificados ou outras alterações podem comprometer a segurança. A prancha deve ser posicionada de maneira que a equipe consiga realizar a transferência com o menor número possível de movimentos. Quando houver suspeita de trauma da coluna, a movimentação deve ser coordenada conforme os princípios estudados anteriormente. Antes de elevar o paciente, é necessário verificar se todos os profissionais estão preparados e se os dispositivos utilizados estão adequadamente posicionados. 24.4 Posicionamento do paciente O paciente deve ser colocado de maneira compatível com sua condição clínica. Durante a transferência, a equipe procura evitar movimentos desnecessários da cabeça, tronco e pelve quando houver indicação de restrição do movimento. Depois do posicionamento, deve-se avaliar se o corpo está adequadamente apoiado e se as vias aéreas permanecem acessíveis. Os sistemas de fixação utilizados devem impedir deslocamentos significativos durante a movimentação, sem provocar compressão inadequada. Não se deve permitir que cintos ou faixas interfiram na ventilação ou sejam colocados diretamente sobre lesões que possam ser agravadas. 24.5 Prancha longa como dispositivo de extricação Uma das funções mais importantes da prancha longa é facilitar determinadas extricações. Em locais estreitos, terrenos irregulares ou situações de resgate, ela pode fornecer uma superfície relativamente estável para retirada do paciente. Após a extricação, entretanto, deve-se reavaliar se existe necessidade de permanecer sobre a prancha. O fato de ela ter sido necessária para retirar o paciente não significa automaticamente que seja o melhor dispositivo para todo o transporte até o hospital. Essa decisão deve seguir a condição clínica e os protocolos do serviço. 24.6 Limitações da prancha longa A permanência prolongada sobre uma superfície rígida pode produzir desconforto e pressão sobre regiões corporais. Occipital, região escapular, sacro e calcâneos podem sofrer pressão durante permanência prolongada. Além disso, a dor causada pela própria superfície pode dificultar posteriormente a diferenciação entre desconforto provocado pelo dispositivo e dor relacionada ao trauma. Pacientes idosos e pessoas com maior vulnerabilidade cutânea exigem atenção especial. Esses fatores reforçam a necessidade de utilização criteriosa e reavaliação da permanência na prancha. 24.7 Maca scoop A maca scoop, conhecida também como maca tipo colher, é um dispositivo desenvolvido para facilitar a retirada de determinados pacientes do solo. Sua característica principal é a possibilidade de separação longitudinal em duas partes. Essas partes podem ser posicionadas lateralmente ao paciente e posteriormente conectadas. Isso permite recolher a vítima com menor necessidade de determinadas movimentações amplas. A maca scoop pode ser particularmente útil quando se deseja reduzir o rolamento durante uma transferência. Entretanto, sua utilização também depende de indicação, disponibilidade e treinamento. 24.8 Preparação da maca scoop Antes da utilização, deve-se verificar se o dispositivo está íntegro e se os mecanismos de conexão funcionam corretamente. O comprimento deve ser ajustado conforme as características do paciente, quando o modelo permitir. A equipe posiciona as duas partes ao redor do corpo realizando apenas os movimentos necessários. Após a conexão, é indispensável verificar se as travas estão realmente fechadas antes de elevar o paciente. Nunca se deve presumir que o mecanismo travou apenas porque houve aproximação das partes. A conferência manual e visual reduz o risco de abertura durante o transporte. 24.9 Transferência com maca scoop Após a montagem, os profissionais devem posicionar-se de maneira adequada para realizar a elevação. Um profissional coordena a manobra. O paciente é elevado somente o necessário para transferência ao dispositivo de destino. A equipe deve observar cabeça, tronco, pelve e membros durante todo o movimento. Acessos venosos, oxigênio, curativos e outros equipamentos precisam ser protegidos. Depois de transferir o paciente, deve-se reavaliar a necessidade de manter a maca scoop sob ele conforme as características do equipamento, protocolo e finalidade da utilização. 24.10 Prancha longa e maca scoop Prancha longa e maca scoop não são equipamentos idênticos. A prancha longa oferece uma superfície rígida contínua e pode possuir vantagens em determinadas extricações. A maca scoop permite posicionamento ao redor do paciente, reduzindo a necessidade de alguns movimentos para colocá-lo sobre o equipamento. A escolha depende da ocorrência. Não existe um dispositivo universalmente superior em todas as situações. A equipe deve considerar ambiente, condição clínica, lesões existentes, finalidade da transferência e experiência com o equipamento. 24.11 Maca da ambulância A maca principal da ambulância é destinada ao transporte do paciente durante o deslocamento da unidade móvel. Antes da utilização, devem ser verificadas rodas, travas, grades laterais, sistemas de retenção e mecanismos de fixação ao veículo. Depois de colocado na maca, o paciente deve ser adequadamente protegido contra quedas e deslocamentos. Os cintos de segurança precisam ser utilizados conforme o equipamento e a condição clínica. Uma frenagem brusca ou colisão da ambulância pode provocar deslocamento importante de uma pessoa que não esteja corretamente fixada. 24.12 Transferência entre dispositivos Transferir o paciente da prancha ou scoop para a maca representa um momento de risco. Antes da manobra, devem ser conferidos todos os dispositivos conectados. Um acesso venoso pode ser tracionado, uma máscara de oxigênio pode sair de posição ou um curativo pode deslocar-se. A equipe deve organizar tubos e extensões antes de começar. Um profissional estabelece o comando. Após a transferência, deve ser realizada nova avaliação do paciente e de todos os equipamentos. Evitar transferências repetidas sem necessidade constitui uma medida de segurança. 24.13 Colar cervical como recurso complementar Quando indicado, o colar cervical pode integrar a estratégia de restrição do movimento. Entretanto, ele não substitui uma movimentação coordenada e não imobiliza completamente a coluna cervical. O tamanho deve ser selecionado corretamente. Após sua colocação, deve-se verificar se não está excessivamente apertado e se permite acesso adequado às vias aéreas. A presença do colar não significa que a cabeça possa ser manipulada livremente durante as transferências. O paciente continua necessitando de movimentação cuidadosa. 24.14 Imobilizadores laterais de cabeça Determinados sistemas utilizam apoios laterais para reduzir movimentos da cabeça quando o paciente está sobre dispositivo específico. Esses componentes devem ser posicionados conforme instruções do fabricante e protocolos. A fixação não pode impedir acesso às vias aéreas ou dificultar excessivamente a avaliação. Antes e depois da instalação, a equipe deve observar consciência, respiração e conforto. Mais dispositivos não significam necessariamente maior proteção. Cada componente deve possuir uma finalidade. 24.15 Situações especiais Crianças, idosos, gestantes, pacientes com obesidade e pessoas com deformidades anatômicas podem necessitar de adaptações. Em crianças, dispositivos destinados a adultos podem não proporcionar posicionamento adequado. Idosos apresentam maior risco de desconforto e lesões relacionadas à pressão. Em pacientes com obesidade, deve-se respeitar a capacidade máxima de carga dos equipamentos. Quando o peso ultrapassa os limites do dispositivo, devem ser utilizados recursos apropriados e quantidade suficiente de profissionais. A segurança da equipe também deve ser considerada. 24.16 Limites de peso e segurança Todo dispositivo possui limites estabelecidos pelo fabricante. A equipe precisa conhecer a capacidade dos equipamentos disponíveis na unidade. Utilizar prancha, scoop ou maca acima do limite previsto pode provocar falha estrutural e queda do paciente. Antes da elevação de pacientes com peso elevado, deve-se solicitar apoio quando necessário. A ergonomia dos profissionais também é importante. A movimentação deve ser realizada com quantidade suficiente de pessoas, evitando esforços individuais incompatíveis com a carga. 24.17 Higienização e inspeção Após o atendimento, os dispositivos devem ser higienizados segundo as normas de prevenção e controle de infecções. Também precisam ser inspecionados. Travas, cintos, superfícies e mecanismos devem permanecer funcionais. Um equipamento aparentemente simples pode provocar acidente grave se apresentar falha durante a elevação. Problemas identificados devem ser comunicados e o dispositivo retirado de uso quando sua segurança estiver comprometida. A conferência dos equipamentos integra a preparação operacional da unidade móvel. 24.18 Reavaliação do paciente Depois de qualquer transferência, o paciente deve ser reavaliado. A equipe verifica vias aéreas, respiração, circulação, nível de consciência e lesões. Curativos, torniquetes, acessos, talas e dispositivos respiratórios devem ser conferidos. Nos pacientes com suspeita de lesão da coluna, alterações neurológicas precisam ser comparadas aos achados anteriores. Qualquer mudança após a movimentação deve ser registrada e comunicada. 24.19 Atuação da equipe de enfermagem O técnico de enfermagem participa da preparação dos dispositivos, movimentação, fixação, monitorização e transporte dentro de suas atribuições e treinamento. O enfermeiro realiza avaliação de enfermagem, estabelece prioridades, participa da escolha da estratégia assistencial e supervisiona a equipe. Todos os profissionais envolvidos devem conhecer os dispositivos existentes na ambulância e realizar treinamento periódico. Prancha longa, maca scoop e demais dispositivos são instrumentos auxiliares e não substituem avaliação clínica. Sua utilização deve responder a uma necessidade concreta de movimentação, extricação ou transporte. A prancha longa possui importante função em determinadas transferências e extricações, enquanto a maca scoop pode reduzir a necessidade de movimentos amplos para recolher alguns pacientes do solo. A maca da ambulância, por sua vez, deve garantir transporte seguro, com paciente e equipamentos devidamente fixados. O princípio fundamental é utilizar o equipamento adequado para a situação, realizar movimentação coordenada e reavaliar o paciente após cada transferência. No atendimento pré-hospitalar, segurança não significa utilizar todos os dispositivos disponíveis, mas selecionar corretamente os recursos necessários e empregá-los de forma técnica, criteriosa e compatível com as necessidades reais do paciente.

CAIXA EXPLICATIVA – Aplicação prática

O conteúdo desta aula deve ser integrado à sequência segurança, avaliação, prioridade, intervenção, reavaliação, regulação, transporte e transferência do cuidado. Em procedimentos de maior complexidade, devem ser observadas as atribuições específicas do enfermeiro e do técnico de enfermagem.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.048/2002; Cofen, Resolução nº 713/2022.

Referências essenciais da aula

National Association of Emergency Medical Technicians. PHTLS: Prehospital Trauma Life Support. 9. ed., 2020; Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 2.048/2002.

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